Quando a tecnologia chega à lavoura, uma nova geração de brasileiros volta a olhar para a agricultura com outros olhos
O agronegócio brasileiro é, sem dúvida, uma das principais forças da agricultura mundial. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor agropecuário do país cresceu 11,7% em 2025, respondendo por um terço de todo o crescimento econômico brasileiro no ano, e a participação da agricultura no PIB atingiu 7,5%, o maior patamar desde 1996. Já o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) registrou que as exportações do agronegócio bateram recorde histórico no período: US$ 169,2 bilhões, equivalente a 48,5% e tudo o que o Brasil exportou. Sustentando esse desempenho está uma força de trabalho gigantesca: segundo levantamento da CNA Brasil em parceria com a Embrapa, o agronegócio brasileiro emprega hoje cerca de 28,4 milhões de pessoas.
É dentro desse cenário de força que a agricultura brasileira também vive uma transformação mais silenciosa, puxada pela tecnologia. Um número crescente de jovens está se reconectando com o campo por meio de equipamentos agrícolas inteligentes. A adoção em larga escala dos drones agrícolas deu origem a uma profissão que praticamente não existia há uma década: a de piloto de drone agrícola, tornando operações que antes dependiam de trabalho manual intensivo mais eficientes, mais precisas e, sobretudo, mais atrativas. Enquanto o país segue de olho no desenvolvimento da juventude rural e na sucessão no campo, as novas tecnologias vêm se tornando uma porta de entrada importante para atrair jovens, mulheres e filhos de produtores para a agricultura.
Tecnologia que redesenha a mão de obra do campo
A rápida adoção de drones agrícolas no Brasil deu origem, de forma visível, a uma nova e ampla força de trabalho. Desde que entrou no mercado brasileiro em 2019, acompanhada por um salto de mais de 30 vezes na demanda por equipamentos entre 2021 e 2025, a DJI Agriculture já treinou mais de 20 mil pilotos certificados no país, apoiada por uma rede de mais de 400 pontos de assistência técnica distribuídos pelos 27 estados. Essa força de trabalho vem se tornando a peça central para preencher o vazio de mão de obra no campo.
Essa nova geração de produtores tem um perfil marcadamente jovem. Uma pesquisa amostral conduzida pela DJI Agriculture em 2026 constatou que, entre seus usuários, jovens com menos de 30 anos já representam mais de 40% do total, enquanto os que têm menos de 50 anos somam 85%.
“Os jovens estão voltando para o interior, e estão trazendo tecnologia com eles”, afirma Stefan Wang, diretor da DJI Agriculture no Brasil. “A pesquisa mostra que mais de 75% dos nossos usuários não usam o drone só na própria propriedade: eles também prestam serviço de pulverização para fazendas vizinhas. Isso mostra que os drones agrícolas estão deixando de ser uma ferramenta só para a própria produção e se tornando um novo modelo de prestação de serviço no campo. Isso dá aos jovens a chance de participar da agricultura por meio da tecnologia e de serviços, e cria espaço para crescer: para voltar para casa, abrir um negócio, gerar emprego e renda.”
A razão de fundo para essa tecnologia atrair tanto talento jovem está em como ela transformou por completo a natureza tradicional do trabalho agrícola. O modelo mais avançado da DJI, o T100 Dual Battery, é um exemplo: com capacidade operacional máxima de 50 hectares por hora, ele comprime em poucas horas tarefas que antes dependiam de trabalho manual e exigiam dias de esforço físico intenso. Os drones agrícolas têm deslocado a agricultura do trabalho físico pesado para um serviço profissionalizado e tecnológico, oferecendo aos jovens um caminho de carreira mais atrativo dentro da agricultura moderna.
“Além da velocidade, a pulverização de precisão dos drones também economiza mais água e evita amassar as plantas, o que ajuda diretamente a aumentar a produtividade. Além disso, os drones permitem operação noturna e dão aos operadores mais flexibilidade para lidar com condições climáticas extremas ou janelas de aplicação mais curtas”, completa Wang.
O produtor no centro
Histórias como essas ganharam destaque durante o encontro promovido pela DJI Agriculture, em Itajaí (SC), que reuniu produtores rurais, especialistas e representantes do setor para discutir como a tecnologia tem transformado o agronegócio e se tornado um fator decisivo para manter as novas gerações no campo.
Para a produtora rural Eduarda Lizardo, de 21 anos, de Moreira Sales (PR), o primeiro contato com os drones agrícolas, em 2023, revelou uma nova forma de trabalhar. Filha de agricultores, ela viu na tecnologia a oportunidade de facilitar atividades que, por mais de duas décadas, foram realizadas manualmente por seu pai. Na propriedade da família, dedicada ao cultivo de mandioca, os drones passaram a desempenhar um papel importante, principalmente no combate às pragas.
A pulverização aérea trouxe mais agilidade, precisão e qualidade às aplicações, reduzindo o contato direto com a lavoura e aumentando a eficiência do trabalho. Além de produtora rural, Eduarda também atua como influenciadora digital voltada ao agronegócio e acredita que a inovação tem sido um dos principais fatores para incentivar a permanência dos jovens no campo.
"O drone é um agente facilitador. Ele resolve muitos desafios do dia a dia no campo", afirma.
Sobre os lançamentos apresentados pela DJI Agriculture em Itajaí, ela destaca que a empresa tem acompanhado de perto as necessidades dos produtores. "Eles estão sempre procurando entender o que nós, produtores e prestadores de serviço, realmente precisamos. Essa geração 2026 de equipamentos acertou em cheio", avalia. A percepção é compartilhada por Flávia Steckert, de 30 anos, produtora rural de Imbituba (SC). Filha e neta de agricultores, ela cresceu no campo e decidiu investir na qualificação profissional, formando-se em Agronomia para dar continuidade ao legado da família.
Segundo Flávia, cada vez mais jovens estão retornando às propriedades rurais, agora mais preparados tecnicamente para modernizar a produção e fortalecer o desenvolvimento das regiões agrícolas. Piloto de drones desde 2023, ela destaca os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia. "Nós fazíamos a pulverização de uma área de cerca de 300 hectares utilizando trator. Como o arroz é uma cultura irrigada, qualquer condição desfavorável podia atrasar o trabalho. Com o drone, esse problema praticamente deixou de existir", explica.
Se o agronegócio já responde por um terço do crescimento econômico do Brasil, o desafio agora é outro: garantir que exista gente para continuar operando essa máquina. Para essa nova geração de produtores, o drone virou parte da resposta.