Citros: Contratos chegam a R$ 15,00/cx; em dólar, é o maior preço da década

Publicado em 10/06/2010 13:28 840 exibições
Pesquisadora do Cepea Margarete Boteon faz palestra hoje, na 32ª Semana da Citricultura, sobre a sustentabilidade econômica do setor

O intervalo de preços dos contratos de laranja a ser entregue neste ano é de R$ <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />9,00 a R$ 15,00/caixa de 40,8 kg posta na indústria (inclui colheita e frete), segundo pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Em dólar, a média (até o momento) das negociações para esta safra é de US$ 6,67/cx, a maior da série do Cepea, iniciada para a modalidade contratos em 2001 (veja gráfico abaixo). Esse valor é 44% superior ao verificado em 2009 (US$ 4,64/cx) – a conversão para dólar dos contratos feitos originalmente em Real favorece a comparação com a série histórica do Cepea, que abrange negócios nas duas moedas.

Essas e outras informações econômicas sobre o setor são apresentadas na tarde desta quinta-feira pela pesquisadora do Cepea Margarete Boteon na 32ª Semana da Citricultura, que acontece em Cordeirópolis-SP.

O intervalo de R$ 9,00 a R$ 15,00/cx se refere a contratos fechados neste ano e também em anos anteriores para entrega na safra 2010. Os valores são considerados ainda parciais, podendo ser ajustados conforme avanço das negociações entre citricultores e indústrias. A modalidade contrato é claramente a mais representativa para a comercialização da fruta no estado de São Paulo, principal produtor nacional.

O ano é positivo quanto a preços, cenário bem distinto do visto em 2009. Apesar disso, a pesquisadora Margarete Boteon observa que não se pode dizer que a rentabilidade dos citricultores como um todo está positiva. Isso porque houve quebra de produtividade e muitos podem ter dívidas de safras passadas.

No final de abril e início de maio, processadoras de suco intensificaram as negociações de contratos para a safra 2010/11. Antes desses acertos, produtores que representavam 66% da produção de laranja da amostra do Cepea estavam sem contratos; os demais tinham acordos feitos em anos anteriores. Em abril-maio/10, os negócios mais comuns foram de R$ 13,00 a R$ 15,00/caixa de 40,8 kg, mas informações de mercado davam conta de que alguns poucos produtores teriam obtido até R$ 16,00/cx. <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

Essa valorização da laranja deve-se a uma combinação de fatores. Os principais são as estimativas de retração no volume produzido no estado de São Paulo e de maiores preços do suco em Nova York.

Dados atribuídos ao novo diretor da Cutrale, Carlos Viacava, divulgados pelo jornal Valor Econômico em 11 de maio, indicam que as indústrias paulistas de suco de laranja devem processar, neste ano, cerca de 250 milhões de caixas, volume 13% inferior ao de 2009. A safra total, incluindo o Triângulo Mineiro, era estimada pela mesma fonte em 286 milhões de caixas de 40,8 kg, volume compatível com a expectativa de agentes de mercado ouvidos pelo Cepea. Quanto aos preços do suco na Bolsa Nova York, de janeiro a maio, a média foi de US$ 2.000/tonelada, 73% acima da observada no mesmo período de 2009.

Os preços da laranja foram estimulados também pelo fato de a maioria dos produtores iniciar a safra sem contrato, de modo que cada indústria precisou agilizar seus negócios como vistas a garantir, ao menos, uma parte da matéria-prima para o processamento. Nesse contexto, pesou ainda o anúncio de intenção da Citrosuco e da Citrovita se fundirem, o que pode ter contribuído para uma disputa de market share com a Cutrale.

Após as negociações realizadas até início de maio, mais de 90% dos produtores consultados pelo Cepea tinha contrato com a indústria. Esse nível de contratação num ano de menor oferta indica que o volume a ser comercializado no segmento spot (sem contrato) deve ser muito pequeno na atual safra.

 

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Fonte:
Cepea/Esalq

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