Mais pomares paulistas sofrem com o greening

Publicado em 06/09/2010 07:47
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Quase 40% dos talhões de laranja de São Paulo já estão contaminados pela doença conhecida como greening. Devastador e de difícil controle, o mal consolidou-se, nos últimos anos, como a principal ameaça fitossanitária à produção da fruta no Estado brasileiro e também na Flórida, que abrigam, nesta ordem, os maiores parques citrícolas do planeta.

Informações divulgadas pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido pela iniciativa privada, mostra que a disseminação segue crescendo. A partir do levantamento amostral realizado entre maio e julho deste ano - realizado por 140 inspetores em mais de 7 mil talhões -, o Fundecitrus concluiu que o greening chegou a 36 mil talhões, ou 38,8% do total. Cada talhão é formado, em média, por 2 mil árvores de laranja. Em 2009, o Fundecitrus estimou a presença da doença em 23 mil talhões.

O Fundecitrus explica que, ainda que o número de talhões afetados tenha subido, isso não significa que todas as árvores do talhão estejam doentes. Se há uma notícia positiva no levantamento, é que a incidência do mal nas árvores é baixa. Em contrapartida, um talhão afetado requer controles mais rígidos, e muitos produtores não fazem os trabalhos de manejo de seus pomares de forma a manter o greening distante.

"O manejo regional se torna cada vez mais essencial para uma política eficaz de combate a doença", afirma Cícero Augusto Massari, gerente do departamento técnico do Fundecitrus, em comunicado. Esse manejo deve prever a erradicação de plantas doentes, o controle do inseto vetor e inspeções recorrentes. Como já informou o Valor, muitos produtores resistem em erradicar a árvore enquanto há frutas, e essa demora por permitir a disseminação do greening com maior velocidade.

Tais cuidados elevam os custos de produção e reduzem as margens dos produtores. E, em tempos de demanda global por suco de laranja retraída, o que mantém as cotações internacionais da commodity mais pressionadas, esse custo adicional complica um pouco mais as negociações entre citricultores e indústrias de suco sobre os valores dos contratos de fornecimento da fruta para a produção da bebida.

A última pesquisa do Fundecitrus apontou a região central de São Paulo como a mais prejudicada pela doença no Estado, seguida pelo sul, oeste e norte. A região menos afetada é a noroeste. O mapeamento ajuda a explicar o movimento de migração dos centros produtivos.
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Fonte: Valor Econômico

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