Indústria quer Consecitrus já; produtor vê demora

Publicado em 22/09/2010 09:03
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As negociações, sempre difíceis entre produtores e indústria no setor de cítricos, poderão ser suavizadas. O setor quer formar um conselho que avaliaria custos e retorno das vendas para uma definição das margens de ganho de produtores e indústrias.

Outros setores já adotaram o sistema -casos do Consecana (cana) e do Conseleite (leite). O setor de carnes também pensa em criar o Consecarne. Quem já adotou diz que melhoraram as negociações entre os produtores e as indústrias.

Para agilizar essas negociações nos cítricos, Carlos Viacava, da Cutrale, quer que até março o sistema esteja definido. Se isso ocorrer, entraria em vigor na próxima safra, que começa em junho.

O Consecitrus, assim como fazem conselhos similares, pagaria a laranja com base no preço final dos produtos comercializados nos mercados interno e externo. Ou seja, após verificados custos e renda, definiriam-se valores para indústrias e produtores.

Por trás desse conselho estariam representantes da produção e das indústrias, inclusive para definir detalhes, como classificar a qualidade da laranja.

No caso da cana, leva-se em conta a sacarose; no de cítricos, o teor de sólido e de solúvel. A laranja seria paga pelo total de suco produzido.

Viacava diz que a indústria é unânime quanto à criação do conselho. "Agora é preciso definir um representante pelos produtores", diz ele.

Flávio Viegas, da Associtrus, entidade que congrega parte dos produtores, diz que "o Consecitrus é tudo o que queremos, porque reduzirá muito os conflitos".

Ele acrescenta, no entanto, que "para a proposta ser transparente, o preço tem de partir desde a gôndola do supermercado no exterior".

Viegas diz que o sistema tem de ser montado por um interlocutor confiável e respeitável para ambas as partes. Para se chegar a isso, é necessário pelo menos um ano de negociações, diz ele.
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Fonte: Folha de São Paulo

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