Queda no preço do limão faz produtores pensarem em abandonar cultura

Publicado em 12/07/2011 09:27 e atualizado em 02/03/2020 21:49 707 exibições
Os preços dos citros, como o limão, estão em baixa. A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), registra quedas de até 12% na comparação entre junho e maio. Produtores confirmam que estão recebendo bem menos que no ano passado. Alguns já falam em desistir da produção.

O produtor João Francisco Colettini está desanimado com o preço pago pelo limão. Com 7,5 mil árvores em 25 hectares, ele consegue produzir 20 mil caixas. Ele conta que no ano passado recebeu mais de R$ 20 por 27 quilos da fruta, mas este ano a situação está bem diferente. Só com os custos de produção, o citricultor gasta entre R$ 5 e R$ 6. E na hora de receber, os valores não compensam.

– Por esse limão bom eu recebo R$ 8 por caixa. Aquele de descarte, que chamam de limão de indústria, eu recebo R$2,50. Então, veja bem, recebo R$2,50 e não faço com menos de R$ 5 o frete e a colheita – disse Colettini.

Se os preços não reagirem, João Francisco pretende trocar todo o pomar por pés de laranja.

Em outro sítio, o produtor Cleiton Colettini foi mais radical. Arrancou mais de três mil pés de limão em 15 hectares. Com o baixo preço da fruta, a ideia agora é investir na produção de cana-de-açúcar.

– Nós vendemos três mil caixas de limão a R$ 6 cada. Não está compensando para o produtor de limão, pelo tanto de adubação que a gente gasta, veneno que se aplica – todo mês pulverizando. Não está mais compensando plantar limão, não – lamenta Cleiton Colettini.

A sazonalidade neste mercado é comum, afirma o economista da Ceagesp. Segundo ele, dois fatores explicam a queda nos preços: uma boa safra e a diminuição do consumo em até 30% por causa do inverno. Entre maio e junho, o preço do limão Tahiti, por exemplo, teve redução de 12%. E se comparado a junho do ano passado, este valor sobe para 54%. Mas nos próximos meses este cenário pode mudar.

– A partir de setembro já deve haver uma recuperação nos preços de tangerina, ponkan e limão. Então deve diminuir bastante a quantidade ofertada e os preços praticados apresentarem elevação. A laranja não, ela deve seguir até o mês de dezembro com preço bastante satisfatório para o consumidor e não tão bom para o produtor rural – observou Flávio Godas, economista da Ceagesp.

O supervisor de box, Júnior Manzoli, confirma. Na entressafra, pelo menos o limão fica mais caro.

– A tendência é aumentar um pouco. A minha caixa vai bater uns R$30 este ano – disse Júnior Manzoli.

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Fonte:
Canal Rural

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