Leite sobe 3,67% e descola do IPCA

Publicado em 10/06/2025 08:31 e atualizado em 10/06/2025 09:44
“O consumidor brasileiro tem buscado cada vez mais produtos frescos, regionais e de produção artesanal, o que impulsiona a abertura de empórios e minimercados”

O setor de leite brasileiro, que inclui os segmentos de laticínios , fechou 2024 com um saldo positivo de 1.792 aberturas líquidas (aberturas - fechamentos) de empresas , encerrando um movimento de crescimento moderado em meio a um cenário de forte concorrência, margens competitivas e pressão inflacionária sobre alimentos. Apesar da inflação de alimentos , que fechou 2024 em 8,23% , e das tentativas do governo federal de conter os aumentos via redução de tarifas de importação , o setor de resiliência demonstrado . "O crescimento do setor é ainda mais relevante quando consideramos o impacto da inflação de alimentos sobre o consumo. Mesmo em um ambiente de renda pressionado e custos mais altos, vimos um avanço consistente puxado pela demanda por produtos diferenciados, frescos, regionais e de produção artesanal, que tem ganhado cada vez mais prêmios internacionais, um reconhecimento merecido e fruto de um trabalho de muitos anos por parte de algumas empresas", explica Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital, empresa que prosperou um estudo do setor de Laticínios. O destaque do setor ficou com o subsetor de Comércio Varejista de Laticínios e Frios , que liderou as expansões com 957 aberturas líquidas em 2024 , representando uma variação positiva de 3,3% em relação a dezembro de 2023 .

No campo da indústria, a Fabricação de Laticínios registrou 266 aberturas líquidas , sustentando seu crescimento mesmo em um ambiente de oscilação dos preços do leite e pressão de custos operacionais . Segundo Vasconcellos, “as empresas que investem na diversificação de portfólio e em produtos de maior valor agregado, como queijos finos e manteigas artesanais, conseguem manter a rentabilidade e crescer num mercado desafiador”. Já o subsetor de Comércio Atacadista de Sorvetes também demonstrou vigor, com 386 aberturas líquidas , impulsionadas pela demanda em regiões turísticas e centros urbanos em crescimento . “O crescimento do atacado de sorvetes está diretamente ligado à necessidade de cadeias de frio eficientes e à logística ágil para produtos congelados, especialmente em polos de consumo que se expandem pelo interior do país”, complementa Vasconcellos.

A Fabricação de Sorvetes e Gelados teve saldo positivo de 165 aberturas líquidas . A resiliência do segmento está associada à inovação em sabores , formatos de embalagens e ao fortalecimento de canais de venda digitais . “A abrangência de marcas regionais, com foco em nichos de consumo, tem sido um diferencial importante para esse crescimento”, afirma Vasconcellos. Atualmente, o setor lácteo nacional conta com mais de 50 mil estabelecimentos ativos , refletindo a dinâmica de crescimento e a necessidade de constante inovação e adaptação às mudanças de mercado .

Apesar do avanço em diversos segmentos, alguns subsetores apresentaram ritmo mais moderado ou retração. O Atacadista de Leite e Laticínios teve apenas 44 aberturas líquidas , reflexo das ligações de grandes players e da necessidade de capital de giro elevado para operação . Já o subsetor de Preparação do Leite foi o único a registrar saldo negativo, com 26 fechamentos líquidos e queda de 2,3% frente a dezembro do ano anterior . “A preparação primária de leite enfrenta cada vez mais exigências regulatórias e aumento de custos, o que pressiona pequenos produtores e dificulta a sobrevivência de negócios de menor porte”, conclui Felipe Vasconcellos.

Fonte: Equus Capital

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