Leite dispara no varejo e lidera impacto sobre inflação ao consumidor em maio, aponta FGV

Publicado em 18/05/2026 12:00
Alta de quase 14% no leite longa vida colocou o produto no topo das pressões inflacionárias do IGP-10, enquanto etanol e café registraram recuo nos preços.

O leite longa vida voltou ao centro das atenções do produtor rural e do consumidor brasileiro em maio. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o produto registrou alta de 13,85% no período e foi o item que mais pressionou a inflação ao consumidor dentro do Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10). O levantamento foi publicado nesta segunda-feira, 18 de maio, pela instituição.

Mesmo com a forte elevação do leite nas prateleiras, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) apresentou desaceleração. Em abril, o indicador havia subido 0,88%, enquanto em maio a variação ficou em 0,68%. O movimento mostra que alguns produtos importantes do dia a dia tiveram redução de preços e ajudaram a conter um avanço mais intenso da inflação.

Energia, combustíveis e itens de consumo também pressionaram

Além do leite longa vida, outros produtos e serviços contribuíram para elevar a inflação medida pela FGV em maio. A tarifa de eletricidade residencial teve avanço de 1,64%, enquanto o perfume subiu 6,64%. Já a gasolina acumulou aumento de 0,80% no período analisado.

Outro item com impacto relevante foi o gás de botijão, que registrou alta de 2,60%. O comportamento desses custos chama atenção principalmente no meio rural, onde energia e combustíveis possuem peso importante nas despesas operacionais das propriedades, especialmente em atividades intensivas como pecuária leiteira e confinamento bovino.

No campo, produtores acompanham de perto a movimentação dos combustíveis porque o diesel influencia diretamente o transporte de insumos, a distribuição de ração e o escoamento da produção. Já a conta de energia afeta sistemas de irrigação, ordenha mecanizada, refrigeração do leite e armazenagem de alimentos.

Quedas em alimentos e transporte ajudaram a aliviar o índice

Na direção oposta, alguns produtos apresentaram redução de preços e ajudaram a diminuir parte das pressões inflacionárias em maio. Entre os principais recuos apontados pela FGV estão a tarifa de ônibus urbano, com queda de 1,20%, e o café em pó, que ficou 2,37% mais barato.

O etanol também registrou retração importante, com baixa de 1,76%. O movimento pode trazer algum alívio para produtores e consumidores que utilizam veículos flex no transporte diário e nas operações agropecuárias. A maçã apresentou redução de 4,59%, enquanto o aparelho telefônico celular caiu 0,84%.

Apesar desses recuos, o avanço expressivo do leite longa vida acabou ganhando destaque no levantamento da FGV devido ao peso do alimento no orçamento das famílias brasileiras. O produto possui presença constante na mesa do consumidor e qualquer alteração relevante nos preços costuma gerar impacto imediato nos índices inflacionários.

Os dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas mostram que o leite segue como um dos alimentos mais sensíveis dentro dos indicadores econômicos brasileiros. Para quem trabalha diretamente na produção pecuária, acompanhar esses movimentos é fundamental para entender tendências de mercado, custos operacionais e perspectivas para os próximos meses.

Com informações da FGV 

Por: Michelle Jardim
Fonte: Notícias Agrícolas

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