Relatório do Educampo aponta baixa emissão de carbono em propriedades leiteiras de Minas Gerais

Publicado em 19/05/2026 10:08 e atualizado em 19/05/2026 11:38
Estudo realizado com 80 propriedades atendidas pelo programa do Sebrae Minas revela que fazendas com baixos índices de emissões de carbono na produção de leite também apresentaram bons resultados zootécnicos e econômicos.

Um relatório inédito elaborado a partir de dados de 80 propriedades rurais leiteiras atendidas pelo programa Educampo, do Sebrae Minas, apontou os primeiros indicadores estruturados sobre a pegada de carbono das propriedades de Minas Gerais. O resultado indicou média de 1,15 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM), métrica internacionalmente utilizada para comparação entre diferentes sistemas de produção.

Embora as diferenças metodológicas entre estudos e calculadoras limitem comparações diretas, as principais referências da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que a média global da pecuária de leite varia entre 2,4 e 2,5 kg de dióxido de carbono por quilo de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM).

O estudo realizado pelo Sebrae Minas analisou propriedades rurais responsáveis pela produção anual de 95,6 milhões de quilos de leite. Além disso, o universo avaliado reúne cerca  de 18,8 mil animais e produção média de 23,06 quilos de leite por vaca, por dia. De acordo com o relatório final, aspectos ligados à gestão, produtividade e manejo exercem influência direta sobre os índices de emissões nas fazendas leiteiras.

O relatório final identificou que as fazendas com menores índices de emissão de carbono são justamente aquelas que apresentam maior eficiência produtiva, com vacas mais produtivas, maior proporção de animais em lactação em relação ao rebanho, menor permanência de animais improdutivos no rebanho e melhor aproveitamento da alimentação concentrada.

“A sustentabilidade se desenvolve progressivamente a partir da organização, da disciplina de indicadores e da melhoria contínua na gestão das propriedades. Nesse sentido, a pegada de carbono é determinada pela combinação entre produtividade por animal, estrutura do rebanho, eficiência no uso de concentrado e decisões de manejo”, explica a gerente de Agronegócios e Artesanato do Sebrae Minas, Priscilla Lins.

Aplicação de ferramentas

As propriedades avaliadas no estudo já eram acompanhadas mensalmente pelo programa Educampo do Sebrae Minas, cuja metodologia permite o monitoramento contínuo dos indicadores técnicos, financeiros e econômicos das fazendas. Esse acompanhamento recorrente contribuiu para maior consistência e confiabilidade dos dados utilizados na análise.

O trabalho contou com apoio tecnológico da ESGpec, startup responsável pelas ferramentas utilizadas nas avaliações. Foram aplicadas as soluções  PEC Calc para cálculo da pegada de carbono, além do BEA Score e do ESG Farm Score, relacionadas à bem-estar animal e práticas regenerativas na pecuária leiteira.

A mensuração da pegada de carbono foi conduzida dentro de um processo estruturado de capacitação e coleta de informações, envolvendo produtores e técnicos do Educampo. Na primeira etapa do projeto, 25 consultores receberam treinamento para aplicação das ferramentas, interpretação dos resultados e acompanhamento dos indicadores ambientais nas propriedades.

A análise identificou variação entre 0,88 e 2,51 quilos de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por quilo de leite corrigido para gordura e proteína (FPCM), demonstrando diferenças importantes entre os sistemas produtivos avaliados. Os resultados reforçaram a importância do acompanhamento técnico contínuo realizado pelo Educampo, permitindo que as propriedades utilizassem os indicadores obtidos para orientar estratégias de melhoria em gestão, produtividade e sustentabilidade.

Ao integrar indicadores ambientais, sociais e econômicos ao acompanhamento contínuo das propriedades, o projeto aproxima produtores, indústria e mercado em torno de uma agenda comum de sustentabilidade para a cadeia do leite.

“Os resultados iniciais já apontam um movimento estruturado de evolução técnica que integra produtividade, governança e responsabilidade socioambiental. A proposta é construir uma visão mais ampla da atividade leiteira, considerando não apenas a eficiência produtiva, mas também fatores ligados ao cuidado com os animais, à gestão da propriedade e ao impacto social e ambiental da produção”, afirma Priscilla Lins.

Por: Assessoria Sebrae
Fonte: Assessoria Sebrae

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