Novo centro de pesquisa da Unesp investiga sustentabilidade e bem-estar animal na produção de leite
A Unesp inaugurou, em abril de 2026, o Centro Avançado de Pesquisa e Inovação em Bovinocultura de Leite (CAPID-Leite). A nova instalação foi possível graças ao investimento de R$ 4,7 milhões vindos da Reitoria, que viabilizou a construção dos sistemas de criação e a aquisição de tecnologia de ponta, como robôs de ordenha e placas fotovoltaicas.
Localizado na Fazenda Experimental Lageado e ligado à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-Unesp), em Botucatu, o CAPID-Leite surgiu com o objetivo de desenvolver pesquisas e tecnologias para explorar dois pilares da bovinocultura leiteira: sustentabilidade e bem-estar animal. Para isso, o centro conta com 1.500 metros quadrados, um sistema de ordenha robotizado e capacidade para abrigar 60 vacas, que irão integrar projetos de pesquisa sobre sustentabilidade e bem-estar na bovinocultura leiteira.
O projeto também prevê a realização de pesquisas de percepção envolvendo tanto a sociedade civil como profissionais do ramo leiteiro, entre técnicos e produtores. “A ideia é que seja um setor de referência, que receba visitas de pessoas de diferentes formações e contextos. Nós queremos mostrar para a sociedade que é possível produzir leite de forma sustentável, pautada nos princípios éticos, e com aceitação social”, diz Matheus Deniz, docente da FMVZ-Unesp e diretor técnico do CAPID-Leite.
Atualmente, o CAPID-Leite conta com 20 vacas e 17 bezerros. A perspectiva é que o total de animais em lactação alcance o patamar de seis dezenas. Além de experimentos com os diferentes sistemas de contato entre vacas e bezerros, os grupos de pesquisa também estão planejando utilizar o espaço para estudar o impacto dos diferentes sistemas de criação.
De forma geral, as vacas podem ser mantidas em um sistema de criação no pasto, em um sistema de confinamento ou em sistemas silvipastoris. Os sistemas silvipastoris, que está no foco dos pesquisadores, reúnem árvores, pastagens e gado no mesmo espaço e ao mesmo tempo. Um dos objetivos do CAPID-Leite é realizar o plantio de árvores em uma área demarcada da Fazenda Lageado para pesquisar os benefícios relacionados aos pilares da sustentabilidade e bem-estar animal que vêm sendo estudados no âmbito do centro.
Na fazenda, as vacas são mantidas em um sistema de confinamento chamado compost barn. Nele, os animais ficam soltos em um grande galpão coberto e arejado, com uma cama de material orgânico. Nessa organização, elas estão livres para circular em todo o espaço, que também conta com iniciativas de enriquecimento ambiental. O galpão tem um sistema de ordenha automatizado: quando chega o momento, as vacas são direcionadas por meio de portões para o local de coleta, onde toda a ação é realizada por um robô de ordenha.
Outra frente de atuação que une sustentabilidade e bem-estar animal está relacionada à implementação de painéis fotovoltaicos, instalados na fazenda na modalidade de um sistema agrivoltaico. Essa tecnologia consiste em módulos de painéis fotovoltaicos elevados do solo, o que permite o cultivo de plantas, pastagem ou animais na parte de baixo. Esse arranjo possibilta a geração de energia solar e a produção agrícola no mesmo terreno, além de apresentar outros benefícios, como a proteção das plantas e dos animais ante o sol forte.
No contexto do CAPID-Leite, a pesquisa com o sistema agrivoltaicos permite explorar algumas linhas centrais do centro. “Quando falamos de sustentabilidade ambiental, estamos falando de serviços ecossistêmicos e carbono não emitido para a atmosfera; por se tratar de uma fonte de energia renovável, esses painéis têm impacto direto nessa esfera”, comenta o docente Matheus Deniz. “Já a sustentabilidade econômica é explorada a partir da redução dos gastos com energia, além de proporcionar sombra e conforto térmico para os animais, o que também diminui as perdas econômicas”, afirma.