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Hidrovias são alternativa para reduzir custos logísticos

Publicado em 23/11/2012 09:36 e atualizado em 23/11/2012 10:10 450 exibições
O escoamento da produção de soja em Mato Grosso custa aproximadamente U$ 100 dólares a mais por tonelada transportada do que nos Estados Unidos. Enquanto que de Sorriso (MT) até o porto de Santos (SP), e de lá para a China, o produtor brasileiro arca com cerca de U$ 171 dólares por tonelada, no estado americano de Illinois este valor é de U$ 70 dólares por tonelada. Este é apenas um dos comparativos que foi apresentado durante o Simpósio Hidrovias de Mato Grosso, realizado nesta quinta (22.11), no auditório do Senar, em Cuiabá, pelo Movimento Pró-Logística.

A competitividade dos americanos está exatamente na utilização do modal hidroviário como uma das principais matrizes de transporte. Nos Estados Unidos, 60% do transporte de produtos é feito em hidrovias. No Brasil, este percentual é de apenas 11%.

Entidades do setor produtivo têm promovido seminários e debates para chamar a atenção da sociedade e do poder público sobre a importância de se desenvolver a matriz hidroviária no Brasil. Durante o ano foram promovidos quatro eventos em prol do tema. Segundo o coordenador executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, é necessário manter o assunto em evidência e trabalhar para que os investimentos em projetos de viabilidade das hidrovias aumentem.

“Este foi o quarto seminário sobre hidrovias que realizamos em 2012 e a cada evento temos observado que os órgãos envolvidos, como, por exemplo, Dnit, Antaq, Aneel e a Empresa de Pesquisa Energética – EPE têm sido provocados pelo setor produtivo a unir os esforços em prol da viabilidade deste modal, fundamental para o desenvolvimento da agricultura brasileira. Não dá para pensar na construção de hidrelétricas sem incluir a navegação destes rios. E é neste sentido que temos convidado o poder público a debater conosco”, destacou Edeon Vaz.

Somente com a implantação da hidrovia do Teles Pires-Tapajós seria possível reduzir os custos com frete de Mato Grosso, acessando os portos do Norte, em 55%. Estimativas do Movimento indicam que a economicidade geraria anualmente um impacto de R$ 2 bilhões na economia. Este valor foi calculado em cima da rentabilidade que o produtor de soja de Mato Grosso teria com a implantação desta hidrovia, agregada à conclusão da BR-163, algo em torno de R$ 10 por saca.

A possibilidade de se utilizar os rios de Mato Grosso, em especial, o Teles Pires, o Tapajós e o Juruena, para navegação comercial depende de se comprovar a viabilidade técnica, econômica e os impactos sociais e ambientais que trariam para a região. Segundo o diretor de Infraestrutura Aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Paulo Godoy, a licitação para a realização do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Social e Ambiental destes rios (EVTEA), será retomada em 13 de dezembro deste ano. Segundo o diretor, a expectativa é que este ritual burocrático esteja concluída em 45 dias. A partir daí a empresa vencedora estaria habilitada para realizar o estudo, que, em média, pode levar até dois anos para ser concluído, considerando a análise completa, com integração de rodovias e ferrovias. “O recurso disponível para a realização deste estudo é o mais significativo, cerca de R$ 15 milhões do total do orçamento disponível para realização de estudos de viabilidade das hidrovias. Ao todo são nove estudos aprovados”, ressaltou o diretor.

Além do EVTEA dos rios, a construção de eclusas durante as obras de empreendimentos geradores de energia também foi amplamente discutido durante o seminário.  Há a previsão de construção de oito barragens para aproveitamento hidrelétrico (AHE) nos rios Teles Pires e Tapajós. O Movimento Pró-Logística tem defendido que as eclusas sejam construídas em conjunto com as obras das hidrelétricas. “O custo para se construir junto com a usina é de cerca de 7%, depois dela pronta este valor chega a representar 30% do valor da obra. Tornando caro e inviável o projeto. Sem as eclusas não é possível aproveitar o rio para navegação, pois elas funcionam como ‘elevadores’, ajudando os navios a subir ou descer o rio, transpondo os obstáculos e desníveis”, explicou Edeon Vaz.

O superintendente de Projetos de Geração da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Paulo Amaro, informou que nos estudos de viabilidade econômica dos barramentos do Teles Pires-Tapajós já estão previstas a construção de eclusas. “Nenhum estudo vai a leilão sem que haja a previsão de eclusas no projeto. No nosso entendimento, a implantação dos barramentos não são impedimentos para a construção de eclusas”, afirmou Amaro.

Amaro disse ainda que dos projetos para geração de energia propostos no Teles Pires-Tapajós, dois já estão em fase de construção, que é Colíder e Teles Pires. No dia 14 de dezembro deste ano será realizada a licitação para o barramento de Sinop e o projeto de São Manoel, também no rio Teles Pires, está pronto para ir a licitação, mas depende de que sejam resolvidas pendências com a Funai. “Não existe nenhum problema de ordem técnica ou ambiental, tanto que o Ibama já liberou, mas há dois anos aguardamos a liberação pela Funai”, complementou o superintendente da EPE.

Além da hidrovia do Teles Pires-Tapajós, o Movimento Pró-Logística pleiteia ainda a construção da hidrovia do Arinos Juruena-Tapajós, a do Araguaia Tocantins e a do Rio Paraguai-Paraná. Atualmente, 27 eclusas são consideradas prioritárias em projetos de barragens e em barragens já construídas. Estes investimentos são orçados em aproximadamente R$ 11,6 bilhões. A construção de eclusas depois de feita a barragem é muito mais cara e complexa. O valor de uma eclusa construída junto com a obra de uma hidrelétrica representa 7% do valor total da usina. Uma eclusa feita isoladamente passa a custar 30% do valor da hidrelétrica. Portanto, o ideal é que eclusas sejam incluídas no planejamento de hidrelétricas e construídas ao mesmo tempo.

O Movimento Pró-Logística é uma união de esforços de diversas entidades, que foi criado com o objetivo de trabalhar em prol do desenvolvimento da logística do estado de Mato Grosso. Compõem o Movimento as entidades: Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Federação do Comércio (Fecomércio), da Indústria (Fiemt), Aprosoja, Acrimat, Ampa, Instituto Ação Verde, Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-MT), OCB e a Frente Parlamentar de Logística.
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Aprosoja

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