Santos recua após 15 anos de expansão

Publicado em 23/12/2008 17:18 771 exibições
Após 15 anos de crescimento na movimentação de cargas, o porto de Santos não conseguiu livrar-se da crise econômica de 2008, com uma queda prevista de 2,1%, para 79,1 milhões de toneladas, ante as 80,8 milhões de toneladas operadas em 2007. Uma estimativa cautelosa para 2009 aponta para novo decréscimo de cargas, relativamente ao avaliado para 2008, desta vez equivalente a 1,6%, para 77,8 milhões de toneladas.

Desde 1993, Santos apresentou avanços na operação portuária, em alguns anos superando a casa de um dígito, agora interrompidos por baixas significativas na movimentação de líquidos e sólidos a granel. Nos líquidos, com redução de 12,9%, a Codesp atribui os resultados de 2008 aos menores embarques de óleo diesel e óleo combustível. Nos sólidos, as exportações de açúcar e milho caíram, respectivamente, 4,7% e 41,1%. Para aliviar as perdas, o segmento de carga geral, no qual se incluem os contêineres, apresentou resultado positivo, com mais 2,4% sobre 2007, somando 33,2 milhões de toneladas.

A Codesp não divulgou os dados da área financeira, mas o Valor apurou que 2008 não repetirá os resultados de 2007, quando foi obtido lucro líquido de R$ 84,5 milhões. Até novembro, essa rubrica chegou a cerca de R$ 36 milhões. As receitas totais da empresa, em 2007, foram de R$ 549,6 milhões, com possibilidade de repetição neste ano.

Segundo a Codesp, os terminais que operam em Santos foram parcimoniosos em projetar seus desempenhos para o novo ano, em razão dos efeitos que podem vir com o desdobramento da crise econômica. Mesmo assim, as obras de infra-estrutura e os investimentos programados pelo setor privado vão prosseguir. A estatal anuncia que fará licitações de três grandes terminais nos próximos meses, ao mesmo tempo em que tocará a construção das perimetrais e as dragagens de manutenção e aprofundamento. Entrarão em concorrência pública os terminais da Cargill, o de exportação de veículos (TEV) e o da Vopak (produtos químicos), todos na margem esquerda. No dia 19 de janeiro haverá audiência pública para a licitação do terminal da Cargill, cujo contrato de arrendamento finda no dia 31. A área do terminal é de 46,9 mil m2. O TEV é explorado pela Santos Brasil, por meio de um termo de permissão de uso.

Uma projeção por segmento, para 2009, mostra que a carga geral, inclusive solta e conteinerizada, deverá situar-se nos mesmos patamares de 2008, com 33 milhões de toneladas, das quais 29,5 milhões de toneladas referem-se a contêineres. Esse segmento conta com alguns novos projetos, entre os quais os sítios de Prainha e Conceiçãozinha, na margem esquerda, a serem definidos no próximo ano.

Para os granéis sólidos, a estatal tomou por base projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com destaques para a soja em grão e o açúcar. Enquanto a empresa federal prevê exportações nos níveis atuais para todos os grãos, inclusive a soja, os terminais estimam um crescimento de 7%. A Codesp prefere adotar o critério da Conab, pelo qual o porto embarcaria 8,1 milhões de toneladas de soja em grão, aproximadamente, o mesmo volume deste ano. Para o açúcar, Santos também deverá repetir o desempenho de 2008, com embarques totais de 10,1 milhões de toneladas, para um esperado aumento da produção de 2,6%, segundo a empresa federal.

Nos granéis líquidos, há um espaço especial para o etanol, que passa a ter maior atração no mercado interno, pela desoneração do IPI para as montadoras de carros, ainda assim sem tirar a expectativa de um incremento de 8% nas exportações do produto, segundo a Codesp.

Nos planos para 2009, ganha destaque um novo modelo de arrendamento portuário, revisão de tarifas, conclusão do plano de expansão do porto, nova sede para a Autoridade Portuária e ouvidoria. José Roberto Serra, presidente da empresa, diz que as iniciativas de caráter administrativo, financeiro e operacional, visam dar um "choque" de atualização e modernização. Serra justifica, para reformar o atual padrão de arrendamento, que "há grandes terminais de contêineres que foram modelados na década de 1990, quando o Brasil ainda se iniciava nesse segmento; nos últimos anos esse mercado cresceu, mas os negócios gerados não foram captados pelas administrações portuárias, nos modelos de arrendamento e nas suas estruturas tarifárias".

A estatal de Santos, com isso, pretende ampliar suas fontes de receita, de modo a refletir o que de fato é produzido, em termos de serviços, nos terminais privados, sem que haja, no presente, qualquer recompensa à Autoridade Portuária. Serviços como passagem de carga, abertura, ovação (carregamento do conteúdo de contêineres), desova (descarregamento), lavagem, inspeção, troca de lacre e eventualmente guarda de contêineres, que podem representar até 40% dos negócios dos terminais, não estão previstos nos contratos, assegura o presidente da Codesp.

A inovação, para ser implantada, com validade para novos contratos e os antigos, desde que seus prazos de discussão do reequilíbrio econômico-financeiro estejam expirando, terá de receber a concordância de outros organismos federais, a exemplo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do Tribunal de Contas da União.

Serra adianta que a tarifa portuária será objeto de estudo, a ser licitado em 2009, "para valoração de suas taxas, a fim de adequá-las à realidade e, se necessário, alterações na sua estrutura".

O consórcio The Louis Berger Group e a Internave Engenharia, que venceu a licitação realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para definir o Plano de Desenvolvimento e Expansão do Porto de Santos, deverá concluir seu trabalho em setembro. O documento, que contempla a expansão da retroárea do porto, com aproveitamento de rios e canais da Baixada Santista, terá um efeito integrador na região e ampliará a capacidade produtiva do terminal. Nessa mesma direção estão os estudos de viabilidade do projeto Barnabé-Bagres, também para conclusão até setembro. Três empresas foram autorizadas pela Codesp para essa tarefa, a Santos Brasil, Libra Terminais e Triunfo, sem caráter de exclusividade e sem obrigação de aproveitamento pela concessionária.

Uma reestruturação administrativa, segundo Serra, visa "prepararmos uma nova geração de portuários, com um plano de desligamento voluntário e a participação dos empregados nos lucros da empresa", afiança. Uma nova sede, que permita a interação dos diferentes setores e comunicação ágil, faz parte desses planos, que se completará com a criação de uma ouvidoria. "Atendemos a um público diversificado e queremos conhecer sua opinião e necessidades, para isso criaremos um canal de comunicação que lhe garanta o acesso à informação.".


Fonte: Valor Econômico
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