Brasil sofre com logística ilógica

Publicado em 14/01/2009 17:45 931 exibições
PNLT é um amontoado de elucubrações pouco consistentes

Nos últimos anos, o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT), amontoado de elucubrações pouco consistentes publicado em abril de 2007, foi o máximo que o Ministério dos Transportes fez e alardeia em seu site. As conclusões constantes do relatório final do PNLT são vagas e sem relação direta com o fraco estudo.

Trocando os quadradinhosid_14673_gazeta_ponto_13jan2009.jpg

Para o setor de portos, por exemplo, ao invés de traçar um plano de diretrizes para solução dos graves entraves, o PNLT limita-se a um punhado de recomendações de cunho burocrático-administrativo para as Companhias Docas. Como se fazer “reestruturação” das Docas – de resto realizadas a cada novo governo – resolvesse os problemas causados e os estragos feitos pelos maus administradores desvinculados dos seus quadros funcionais, nomeados pelo governo.

Sem cabotagem

As perspectivas do PNLT para a cabotagem são praticamente nulas. Além de não preconizar o incentivo ao modal, prevê que, ao menos até 2023 ele ficará estagnado, como tem sido até hoje. “Nada mau” para um País com praticamente 8 mil quilômetros de costa marítima e 40 grandes portos.

Desintegração

Em vias de completar dois anos desde a publicação do PNLT, o Ministério dos Transportes nem ao menos fez instalar o Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte (Conit), ainda que fosse para dar esperança de que o PNLT serviu para a alguma coisa.

Pró-trabalhador

Para obter a renovação do arrendamento de seu terminal no Porto de Santos, vencido em 31 de dezembro último e que contratualmente é improrrogável, a Cargil contava como suficiente o apoio do deputado Valdemar da Costa Neto, ex-poderoso dos portos. Ficou a ver navios. Por isso, a multinacional americana agora granjeia mais apoio político. Aliada ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Santos e Região, a empresa, que nunca foi assim uma “brastemp” com seus empregados e sindicatos, alega que cerca de 400 trabalhadores ficarão sem emprego caso ela deixe de explorar o terminal.

Sem licitação?

Em paralelo, a Cargill encaminhou ao ministro Pedro Brito, da Secretaria Especial de Portos (SEP), por meio do vereador santista Marcelo Del Bosco do Amaral e do secretário-adjunto da própria SEP, Bella Filho - velho conhecido dos doqueiros de Santos - um ofício visando fazer a Codesp, que pretende licitar a área, mudar de ideia.

Sítio padrão zero

Por outro lado, os sindicalistas do porto mobilizam-se para impedir a prorrogação do contrato, por conta das razões apontadas no blog Dia-a-Dia de segunda-feira. Fora que, se não fizer licitação, a Codesp deixará de arrecadar algumas dezenas de milhões em “sítio padrão”, espécie de luvas pelo contrato de arrendamento.

Casa de ferreiro

Quem visitar o Porto de Antonina (PR), no Terminal da Ponta do Félix, vai ver uma draga de retirar areia de construção fazendo o serviço de dragagem no canal de acesso. Com a palavra, as autoridades competentes(?).

Carteira assinada

A professora universitária e nossa colunista Carla Diéguez jogou uma semente polêmica no seu artigo desta semana. Analisando a introdução das novas tecnologias nos vários setores da economia, Diéguez avalia que, no porto, a saída, frente à introdução das novas máquinas, seria mesmo a vinculação da mão-de-obra, tão rejeitada pelos portuários. Mas, é um tema para ampla e apaixonada discussão, conforme afirma a própria colunista.

Município de Pecém?

Entre os setores engajados da população de São Gonçalo do Amarante, há, claro, os favoráveis e os contras à emancipação da portuária Pecém (CE). Os dados estão lançados, mas de acordo com projeto de lei 416/2008, o caso depende de plebiscito. Claro que o a prefeitura é contrária.

Ferrou

O modal ferroviário que dá suporte ao Porto de Angra dos Reis (RJ) continua completamente estagnado. Em julho do último ano, reportagem do PortoGente revelou o abandono das linhas férreas. Há movimentação razoável de produtos siderúrgicos no porto angrense, mas o frete cobrado e a deterioração do ramal ferroviário inviabilizam o transporte das cargas por meio de trens.

Ferro na ferrovia

Angra fechou 2008 com as rodovias sendo responsáveis por 85% do fluxo de mercadorias. O empresariado e os trabalhadores locais classificam esse número como absurdo, pois Angra conta com uma linha férrea eficiente dentro do porto organizado e que tem ligação com vários municípios produtores. Os poderes público e privado já mostram cansaço da cobrança de providências da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), administradora deste trecho ferroviário.

Dólares ao mar

Em 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou US$ 544 milhões para o setor naval. Mas existem US$ 4,7 bilhões em 27 projetos sob a análise do maior agente financeiro dos recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), principal fonte de crédito para o setor (leia mais).

Futuro garantido

Todos esses 27 empreendimentos passarão por um ritual de aprovação, o que deve garantir, uma vez aprovados, uma nova leva de elevados investimentos no setor naval para os próximos anos. Um dos fatores que deram fôlego aos investimentos navais foi um pacote de garantias, incluindo um seguro-garantia utilizado pelo BNDES em seus financiamentos para o setor.

Dólares ao comércio

Desta vez ou os bancos privados abaixam os "spreads" ou vão abaixá-lo de qualquer forma. O Banco Central do Brasil anunciou o lançamento, ainda neste mês, de leilões de linhas de financiamento internacional, com o uso de reservas, num total de até US$ 20 bilhões. A estimativa é de beneficiar cerca de 4000 empresas, no financiamento de suas exportações.

Novo perfil

As vendas brasileiras de commodities devem sofrer recuo em 2009 por conta da crise econômica mundial. Para compensar, o Brasil vai precisar buscar novos mercados, especialmente para seus produtos manufaturados, que devem ser favorecidos pela valorização do real frente ao dólar.

Lentidão federal

No entanto, para que as exportações brasileiras comecem a ganhar um novo perfil, o país precisa montar logo uma estratégia que possibilite ganho de competitividade em todos os setores. Mas se percebe uma lentidão governamental e dos intervenientes que deveriam perceber a mudança de foco, mas agem como se o mundo já não fosse outro, depois da crise.

Cambridge & FGV

A primeira edição no Brasil do Laporde - Latin America Advanced Programe on Rethinking Macro and Development Economics começou nesta segunda-feira (12) em São Paulo promovido pela Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). Durante o encontro, que faz parte do calendário oficial da Universidade de Cambridge (Inglaterra), especialistas vão discutir a crise financeira e seu impacto na economia mundial. Assunto não vai faltar..


Fonte: Portogente


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Portogente

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