Safra recorde abre nova janela para investimentos em infraestrutura portuária no Brasil

Publicado em 17/09/2026 10:52
Produção brasileira deve alcançar 360,8 milhões de toneladas e reforça oportunidade de acelerar projetos capazes de ampliar a capacidade logística e a competitividade do país

A produção brasileira de grãos deve alcançar 360,8 milhões de toneladas na safra 2025/2026, o maior volume da série histórica. A estimativa, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), representa crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior e adiciona cerca de 8,5 milhões de toneladas à produção nacional. O novo recorde reforça a força do agronegócio brasileiro e, ao mesmo tempo, abre uma oportunidade para que o país avance em outra frente estratégica: a modernização e expansão da infraestrutura necessária para armazenar, transportar e exportar volumes cada vez maiores.

Para Marcos Borin, fundador e CEO da CTC Infra, empresa brasileira de engenharia e construção especializada em empreendimentos de alta complexidade, o crescimento contínuo da produção pode funcionar como um importante indutor de novos investimentos em infraestrutura. “Temos um agronegócio extremamente competitivo, que continua aumentando sua produtividade e alcançando novos recordes. Isso cria uma oportunidade muito positiva para o país: fazer com que a infraestrutura acompanhe essa evolução. Quanto mais eficientes forem nossos portos e corredores logísticos, maior será nossa capacidade de transformar crescimento da produção em competitividade, geração de negócios e presença brasileira no mercado internacional”, afirma.

O país já possui uma carteira relevante de projetos no setor. Para 2026, o Governo Federal projetou a realização de 21 licitações portuárias, entre 17 arrendamentos e quatro concessões, com potencial para mobilizar R$ 5,91 bilhões em investimentos. Os projetos fazem parte de um conjunto de 50 empreendimentos programados para o período entre 2024 e 2026, com investimentos estimados em R$ 18,2 bilhões. O primeiro bloco de leilões realizado neste ano contemplou três terminais, com pouco mais de R$ 226 milhões em investimentos previstos. Entre eles está o MCP01, no Porto de Santana, no Amapá, destinado à movimentação de granéis sólidos vegetais e com previsão de R$ 150,2 milhões em investimentos ao longo dos 25 anos de arrendamento.

Para Borin, a existência de uma carteira relevante de projetos demonstra que o país já reconhece a necessidade de ampliar sua infraestrutura. O próximo passo é criar condições para que os investimentos planejados avancem de forma eficiente da licitação para os projetos e, posteriormente, para as obras. “Existe uma agenda importante de investimentos sendo construída e isso é muito positivo. O desafio agora é dar velocidade à transformação desses projetos em infraestrutura efetivamente disponível. Projetos tecnicamente maduros, processos de licenciamento eficientes, segurança jurídica e coordenação entre governo, autoridades portuárias e iniciativa privada podem contribuir para acelerar esse caminho”, avalia.

Segundo o executivo, infraestrutura exige planejamento de longo prazo justamente porque grandes empreendimentos passam por diferentes etapas antes de entrarem em operação, como desenvolvimento de projetos, licenciamento, contratação, mobilização e construção. Antecipar essas necessidades permite que a capacidade logística avance de forma mais coordenada com o crescimento da produção.

Benefícios vão além

A expansão portuária também representa uma oportunidade que vai além dos próprios terminais. Para movimentar volumes crescentes de maneira eficiente, portos precisam estar conectados a uma estrutura logística composta por ferrovias, rodovias, hidrovias, canais de acesso e sistemas de armazenagem. A integração dessas estruturas pode permitir que o país transporte volumes maiores em menos tempo, reduza custos logísticos e aproveite melhor as janelas internacionais de comercialização.

Experiências internacionais mostram o potencial desse modelo. Na Austrália Ocidental, um programa de 200 milhões de dólares australianos modernizou ramais ferroviários e instalações destinadas ao recebimento de grãos. Em uma das unidades, as intervenções reduziram de sete para quatro horas o tempo necessário para carregar um trem de 60 vagões. Em outro trecho, as melhorias permitirão transportar 25% mais grãos por vagão até o Porto de Geraldton.

“Esse tipo de experiência mostra que existe um ganho enorme quando olhamos para a infraestrutura de maneira integrada. Não se trata apenas de ampliar um terminal, mas de melhorar todo o caminho que conecta a produção ao mercado internacional. Quando esses investimentos avançam de forma coordenada, conseguimos movimentar mais produtos, ganhar eficiência e fortalecer ainda mais a competitividade brasileira”, explica Borin.

Para o executivo, o momento é favorável para que o Brasil utilize a expansão do agronegócio como um vetor para antecipar investimentos e modernizar sua infraestrutura logística. Em vez de esperar que o aumento da produção pressione a capacidade existente, planejamento e investimentos podem preparar portos e corredores logísticos para os volumes que o país deverá movimentar nos próximos anos.

“O Brasil já mostrou que consegue produzir em escala e competir entre os maiores mercados agrícolas do mundo. Agora temos a oportunidade de fazer a infraestrutura avançar junto com essa produção. Se conseguirmos transformar a expansão do agro em um estímulo para novos projetos, podemos entrar em um ciclo muito positivo, no qual recordes de produção também impulsionem recordes de investimento, eficiência logística e competitividade”, conclui Borin.

Fonte: Assessoria CTC Infra

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