Plantio antecipado da soja acelera planejamento logístico no Norte do Paraná
O Paraná encerrou setembro com 28% da área projetada para a soja 2026/27 já plantada, o ritmo mais acelerado para esse período desde a safra 2018/19, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná. A estimativa preliminar do órgão aponta para uma produção de 22,6 milhões de toneladas, cerca de 4% acima das 21,8 milhões de toneladas da safra anterior e com potencial para estabelecer um novo recorde estadual, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis.
O avanço da semeadura não significa, por si só, que toda a colheita será antecipada, mas sinaliza a necessidade de acompanhar com antecedência o calendário agrícola e preparar os recursos logísticos para os períodos de maior concentração da safra.
No Norte do Paraná, onde o agronegócio tem forte influência sobre a movimentação de cargas, o avanço do calendário agrícola exige que as transportadoras antecipem decisões sobre manutenção da frota, disponibilidade de motoristas, contratação de agregados, definição de rotas e programação com cooperativas e armazéns.
Para Marcio Pozzer, diretor regional do SETCEPAR Londrina, o ritmo do plantio já funciona como um sinal para o planejamento das empresas. “A logística da safra começa muito antes de o primeiro caminhão ser carregado. O calendário ainda depende das condições climáticas e do desenvolvimento das lavouras, mas as transportadoras precisam acompanhar essas projeções. O desafio não é apenas transportar uma safra maior, mas estar preparado para atender a demanda no momento em que ela acontecer”, afirma.
O planejamento passa pela estimativa dos volumes, pontos de carregamento, destinos e períodos de maior concentração das operações. Essas informações ajudam a dimensionar veículos e profissionais, programar a manutenção preventiva e avaliar a necessidade de capacidade adicional.
A perspectiva de uma safra maior também pode concentrar volumes em determinados períodos, aumentando a importância da coordenação entre transporte, armazenagem e expedição. A projeção inicial do Deral considera uma área de aproximadamente 5,76 milhões de hectares e produtividade média próxima de 3.930 quilos por hectare.
A produtividade também entra nessa conta. “Um caminhão que permanece horas aguardando carregamento ou descarga deixa de realizar outras viagens. Por isso, a capacidade de transporte não depende somente do número de veículos, mas da eficiência com que eles são utilizados”, explica Pozzer.
Para o SETCEPAR Londrina, a troca antecipada de informações entre produtores, cooperativas, armazenadores e transportadoras pode reduzir improvisações e distribuir melhor os fluxos durante a colheita. Mesmo com possíveis alterações provocadas pelo clima, previsões atualizadas ajudam as empresas a organizar seus recursos com maior segurança.
“A transportadora precisa participar do planejamento antes de a carga estar pronta. Quanto maior a integração entre os elos da cadeia, maior a possibilidade de organizar frota, profissionais e horários de maneira eficiente”, destaca.
Além da disponibilidade de veículos e motoristas, infraestrutura rodoviária, capacidade dos armazéns e tempos de carga e descarga podem limitar o desempenho da operação. Por isso, o planejamento da safra envolve não apenas quantidade de caminhões, mas também giro dos veículos, disponibilidade de armazenagem e capacidade de atendimento dos pontos de origem e destino.
“O maior risco não é necessariamente faltar caminhão, mas utilizar de forma ineficiente a capacidade que já temos. Uma safra recorde precisa vir acompanhada de uma logística igualmente preparada e produtiva”, conclui Pozzer.