Indústria ferroviária irá faturar o dobro com vagões este ano

Publicado em 17/03/2010 16:13 887 exibições

A promessa de que os negócios com a fabricação de vagões ferroviários voltarão para os trilhos em 2010 anima as empresas especializadas a produzirem mais e a obterem novos clientes. Segundo o cenário desenhado pela Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), o faturamento do setor pode chegar aos R$ 2,7 bilhões este ano, o que significa pelo menos, dobrar de vendas na comparação com 2009 - o que dá uma conta entre 2 mil e 2,5 mil unidades comercializadas.

No ano passado, os efeitos da crise econômica ocasionaram uma redução no número de encomendas, mas a partir dos próximos meses, a indústria de vagões deve mudar o quadro. A Usiminas Mecânica, por exemplo, acaba de iniciar um ciclo de aportes próximos a R$ 50 milhões com o objetivo de aumentar sua competitividade no segmento de vagões de carga. O cálculo é de que a linha de montagem automatizada conte com uma capacidade de fundir 2 mil toneladas por mês para fabricar componentes.

De acordo com informações fornecidas por Jairo Andrade Cruz Júnior, superintendente de Fundição, Forjaria e Vagões da Usiminas Mecânica, a fábrica de vagões da empresa está em ampliação e deve chegar a uma capacidade de produção de 100 unidades por mês. "As ações consolidarão a Usiminas Mecânica em se tornar um player ainda mais importante neste segmento", comentou.

Hoje, a Usiminas Mecânica possui contratos estimados em R$ 25 milhões para a produção de vagões do tipo plataforma e gôndola destinados à Usiminas e à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Capacitada para fabricar modelos destinados ao transporte de minério, produtos siderúrgicos e a agrícolas, a empresa fabricou dois protótipos de vagões gôndola para 150 toneladas que estão em teste na Estrada de Ferro Carajás, da Vale.

Cruz Júnior colocou que a empresa está em negociação para fornecer seus vagões para algumas operadoras ferroviárias, especialmente para o mercado interno. "A exportação de vagões é muito difícil, devido à valorização do real e à concorrência com os chineses. Por isto, o nosso foco é o mercado doméstico", revelou o superintendente.

A Usiminas Mecânica, mantém entre os clientes empresas como Vale, Ferrovia de Centro-Alântico (FCA), Estrada de Ferro Carajás (EFC), MRS Logística, América Latina Logística (ALL), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas e a Alcoa.

Tradicional pela atuação dentro do setor de implementos rodoviários, o Grupo Randon aposta na ascensão da produção de vagões dentro dos negócios. Para se ter uma ideia, o segmento foi o que mais cresceu em 2009 com um salto de 314% em relação ao ano anterior, o que representou a fabricação de 340 vagões no ano passado.

"Com a perspectiva de aquecimento do setor, podemos chegar ao patamar mil vagões produzidos em 2010", contabilizou Astor Milton Schmitt, diretor corporativo e de relações com investidores da Randon, na época em que foram divulgados os resultados da empresa, em Porto Alegre.

No último trimestre de 2009, a Randon fechou um contrato estimado em cerca de R$ 55 milhões para o fornecimento de 300 vagões à japonesa Mitsui & Co, pedido que deve ser totalmente entregue este ano.

Neste ano, a Randon deve iniciar a entrega dos 230 vagões encomendados pela Rumo Logística. No portfólio da empresa ainda estão clientes com a MRS, ALL e Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

Projeto

Outra companhia que atua na área de implementos e está de olho nesse mercado é o piauiense Grupo Claudino, que no final do ano passado participou até uma audiência com a Vale, a quem apresentou a intenção de fundar uma fábrica de vagões no Piauí.

Contatado pela reportagem, a assessoria da empresa respondeu que "o projeto de fabricação existe, mas o Grupo Claudino está analisando e reconhecendo melhor o verdadeiro potencial deste mercado para efetivar a decisão em implementar esta linha de produtos", justificou.


 

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Fonte:
DCI

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