Bolsonaro conversa com Merkel e reafirma soberania do Brasil na Amazônia

Publicado em 30/08/2019 19:23 e atualizado em 02/09/2019 04:52
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(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que teve uma "conversa bastante produtiva" com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e reafirmou a soberania brasileira sobre o trecho da Amazônia que está no território do país.

"Hoje tive uma conversa bastante produtiva com a chanceler Angela Merkel, a qual reafirmou a soberania brasileira na nossa região amazônica. A pedido do governo alemão, o Serviço Europeu de Ação Externa foi mobilizado para avaliar a situação das queimadas na América do Sul", disse o presidente em sua conta no Twitter.

"Segundo o Seae, as informações de satélite do Sistema Copernicus demonstram que a área com queimadas no Brasil teve um decréscimo entre janeiro e agosto de 2019, levando-se em conta o mesmo período de 2018, o que prova o compromisso do nosso governo com a questão ambiental", acrescentou o presidente na rede social.

A Alemanha suspendeu financiamento de projetos ambientais no país, inclusive do Fundo Amazônia, devido a políticas do governo.

Em nota sobre a conversa entre Bolsonaro e Merkel, o Palácio do Planalto disse que o presidente agradeceu "o esforço dos países em colaborar com Brasil, na missão de combater as queimadas sazonais que ora afetam a Amazônia Legal".

Ainda segundo a nota, o presidente atualizou a chanceler quanto aos esforços feitos até o momento, "os êxitos alcançados e ratificou a posição brasileira de não cogitar qualquer discussão quanto à soberania do nosso território, bem como sobre a governança de eventuais recursos e apoios que possam ser concedidos ao Brasil".

"Por fim, (Bolsonaro) deixou claro (a Merkel) que em relação ao presidente Macron, da República Francesa, sua posição firme tem caráter pessoal em face dos ataques perpetrados por aquele chefe de Estado contra a sua pessoa e contra o nosso país", acrescenta a nota.

Bolsonaro tem protagonizado uma troca pública de farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron, desde que ele se referiu à Amazônia como "nossa terra" ao comentar os incêndios florestais e defendeu que o assunto fosse discutido em reunião no G7, grupo do qual o Brasil não faz parte, no último fim de semana.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), o desmatamento na floresta amazônica aumentou cerca de 67% nos primeiros sete meses de 2019 na comparação com o ano passado.

Ajuda

Na segunda-feira, os integrantes do G7, grupo formado pelas nações mais industrializadas do mundo, que inclui a Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, concordaram em liberar US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) para ajudar a conter as queimadas, sendo a maior parte do dinheiro para o envio de aeronaves de combate a incêndios.

O Brasil, entretanto, ainda não confirmou se vai aceitar a ajuda. O anúncio da liberação dos recursos foi feito pelo presidente da França, Emmanuel Macron. Na ocasião, Macron declarou que os incêndios na Amazônia são uma emergência global e disse que pode não ratificar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia e acusou o presidente brasileiro de mentir sobre o seu real comprometimento com a preservação ambiental. O presidente francês também levantou a possibilidade de construir um novo direito internacional para o meio ambiente e estabelecer um status internacional para a Amazônia.

Mourão vê lobby de agricultores franceses em posições de Macron

Em evento no Rio, Hamilton Mourão disse que Emmanuel Macron foi influenciado pelo lobby dos agricultores franceses ao se opor ao acordo União Europeia-durante a reunião do G7, registra O Globo.

A posição do presidente da França, que acabou isolado no tema, foi defendida em meio à crise entre ele e Jair Bolsonaro em torno dos focos de incêndio na Amazônia.

“O presidente francês enfrenta problemas internos. A questão do acordo entre a União Europeia e o Mercosul atinge um dos maiores lobbies da Europa, que é o dos agricultores. A nossa agricultura entrando lá é como um gigante chegando”, afirmou o vice-presidente.

Mourão declarou ainda, sobre a reação da França às queimadas, que é preciso divulgar a informação de que elas acontecem todos os anos –como, comparou ele, o feriado do Sete de Setembro. (por O ANTAGONISTA)

Queimadas

Para o vice-presidente, a questão das queimadas na Amazônia tomou as proporções atuais porque não houve informação adequada. “A primeira coisa que tem que ficar clara para todos é que temos que difundir e informar melhor. Existe uma diferença entre o que é a Amazônia Legal e o que é o Bioma Amazônico”, disse.

Mourão ressaltou o comportamento climático da região. “Como existe anualmente o sete de setembro, sempre nesse período do ano existem as queimadas entre agosto e outubro, por causa da questão cultural dos produtores do local como forma de limpar o campo”. Para resolver a situação, disse que é preciso levar assistência técnica e novas tecnologias a esses produtores.

De acordo com Mourão, apenas 7% do território brasileiro são utilizados para a agropecuária, e um terço da extensão territorial é de área protegida, e 2,6 milhões de quilômetros quadrados englobam áreas de proteção ambiental e de indígenas.

Mourão disse que o país tem uma legislação avançada de preservação. “Temos essa legislação avançada e temos capacidade, com o que temos de áreas hoje disponíveis, de produzir mais. Esses dados têm que ser colocados para o mundo de forma coerente e não aceitar ingerências outras em cima da gente. O presidente francês enfrenta problemas internos. O acordo Mercosul e União Europeia atinge um dos lobbies maiores que existem na França, que são os agricultores”.

Fonte: Reuters

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