Uso eficiente de água na pecuária será tema da 47 reunião da SBZ

Publicado em 10/05/2010 13:19 732 exibições

Um recurso finito e cada vez mais desejável, a água terá destaque na programação da 47ª Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ), que este ano será realizada entre os dias 27 e 30 de julho, no Hotel Bahia Othon Palace, em Salvador. O tema será tratado na palestra “A água e a produção de pequenos ruminantes”, que será proferida pelo zootecnista, pesquisador da Embrapa Semiárido de Petrolina e professor da pós graduação da Universidade Federal do Vale do São Francisco e da Universidade Federal da Paraíba, Gherman Leal de Araújo. A ênfase da explanação será dada aos rebanhos de caprinos e ovinos, animais que conseguem, graças a uma habilidade natural, alta eficiência na relação consumo de água/rendimento: boa alternativa para as regiões áridas e semiáridas, e para a garantia de proteína animal de qualidade em tempos de escassez de água e aquecimento global.

A importância do tema para a Bahia, estado que detém os maiores rebanhos de caprinos e ovinos do Brasil, que juntos contabilizam cerca de cinco milhões de cabeças, segundo o IBGE, tem gerado grande expectativa. Gherman Araújo explica que vai mostrar em sua apresentação as diferentes relações entre o consumo de água por animal e suas respectivas capacidades de produção de carne e leite, nas quais os pequenos ruminantes levam vantagem.

“Não se trata de substituir culturas, mas de estar atentos a boas alternativas”, diz. Ele conta que, de uma maneira geral, os rebanhos de caprinos e ovinos se concentram, tanto no Brasil quanto no mundo, nos locais onde as áreas áridas e semiáridas são expressivas, como o Nordeste brasileiro e países como Austrália, Nova Zelândia, China, Índia e Paquistão. Nesses lugares, os animais se adaptam por suas características naturais de consumir pouco líquido por quilo de forragem seca, de selecionar alimentos, além de alcançar locais de difícil acesso na busca por comida.

 Buscar melhores produtividades na produção de proteína animal, com redução do uso da água, é o desafio do mundo, segundo os pesquisador. Os dados são conflitantes. Enquanto a Revista National Geographic aponta que para produzir um quilo de carne bovina são necessários 15,5 mil litros de água, uma pesquisa da Universidade da Califórnia afirma que para produzir esta mesma quantidade de carne, um bovino consome 3,7 mil litros. “De qualquer forma, é muita água”, avalia Araújo, lembrando que para se chegar ao mesmo quilo de carne, uma cabra adulta, de 40 quilos em média, que come por dia cerca de 1,6 kg de alimento seco, necessitará apenas de 6,5 litros de água.

O ponto central da palestra, diz o pesquisador da Embrapa, é alertar para a importância da água para a produção de qualidade e em quantidade, e enfatizar a importância se buscar espécies e raças animais eficientes no uso deste recurso. A utilização de alimentos úmidos, como as silagens e as forrageiras suculentas, a exemplo da palma e da melancia forrageira, ajudam a diminuir ainda mais o consumo da água.

Cabras e ovelhas têm ainda outro diferencial que os torna interessante na produção em áreas áridas e semiáridas: a capacidade de tolerar a altos índices de salinidade. “A água que não serve para o humano por ser salobra, certamente servirá para a cabra e para a ovelha. E em quase todas as regiões do mundo há abundância de água subterrânea com essas características”, afirma.

Para tornar a caprinovinocultura uma alternativa viável tanto do ponto de vista da produção quanto do mercado em larga escala, Gherman Araújo diz que primeiro é preciso organizar a cadeia produtiva. “Os governos, entidades de pesquisa e extensão e produtores não podem negligenciar isto”, conclui. 

Fonte:
Agripress

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