Alterações no Código Florestal e mudanças climáticas: Exemplo de impostura científica

Publicado em 30/11/2010 09:43 541 exibições

Em estudo lançado na semana passada, o Observatório do Clima, que é uma reunião de ambientalistas e dirigentes de empresas tentando fazer greenwashing, estimou que as mudanças no Código Florestal propostas pelo Deputado Aldo Rebelo levarão ao lançamento na atmosfera quase 7 bilhões de toneladas de carbono que foram acumuladas em diversos tipos de vegetação nativa. Leia aqui o estudo.

Agora reparem só a pilantragem por trás do verniz de ciência. O estudo segue uma metodologia rígida com o objetivo de fazer as pessoas acreditarem que ele é científico, mas quando você parte de premissas erradas, por mais que use uma metodologia correta, as conclusões sempre serão erradas.

O estudo parte do pressuposto de que o relatório do Deputado Aldo Rebelo "isenta de manter e recuperar a reserva legal em pequenas propriedades rurais (até quatro módulos fiscais). A isenção também se aplica ao equivalente a quatro módulos em grandes e médias propriedades." Concluem os realizadores do estudo que os imóveis estão recobertos por florestas e que, com a aprovação do relatório, estariam liberados para desmatarem essas florestas e liberar o CO2 nelas aprisionado. Daí eles calcularam quanto CO2 seria liberado e chegaram aos 7 bilhoes toneladas.

oc.jpg
Recorte da página 11 do estudo mostrando o truque que fez o estudo concluir o que os autores queriam que ele concluísse. Isso é ciência?
Ocorre que a premissa está errada. O relatório rebelo não libera desmatamento novo, pelo contrário ele estabelece moratória para novos desmatamentos. Os imóveis rurais foram desmatados há décadas. Nenhuma única grama de CO2 novo será liberado. Os realizadores do estudo sabem disso. A traquinagem é deliberada para enganar a opinião pública que não tem a obrigação de se apegar a minúcias e confia no que dizem os ambientalistas tidos como gente do bem.

Na semana passada o deputado Mini Sarney me interpelou diretamente no twitter sobre quais seriam essas premissas equivocados do estudo. "@CiroFSiqueira quais são as premissas erradas do estudo???", perguntou-me Mini Sareney. Respondi que "o Relatório não libera desmatamento. Eles dispensa a recuperação de RL (entenda: evita transformar área de cultivo em floresta) O desmatamento das RLs liberadas pelo Relatório do Dep. Aldo já ocorreu há décadas... nenhuma molécula de CO2 a + será liberada". Mini Sarney silenciou.

Há um certo ambientalismo que não tem escrúpulo de construir e divulgar falsas verdades como essa com o objetivo de manipular jornalistas incautos e a opinião pública. A mídia e sociedade precisa desenvolver defesas contra esse tipo de impostura. Não existe bem e mal. Nem tudo o que os ambientalistas dizem é verdade, eles são apenas mais um grupo de interesse nesse debate.

Fonte:
Blog Ciro Moura

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

1 comentário

  • João Augusto de Oliveira Baependi - MG

    Isentar as propriedades agrícolas com menos de 4 módulos fiscais é um grande erro, pois a área destinada à reserva legal é calculada em base percentual, ou seja, propriedades maiores terão áreas maiores e propriedades menores terão áreas menores. Só porque é pequena propriedade, não significa que vai ter um sacrifício maior.

    O que está contido na Lei atual deve ser mantido.

    0