Em Cancún, Kátia Abreu pede mais árvores

Publicado em 07/12/2010 03:16 e atualizado em 07/12/2010 08:20 374 exibições
A presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), Kátia Abreu, apresentou ontem, em Cancún, um projeto de R$ 20 milhões que visa plantar árvores nativas em propriedades rurais em todos os biomas brasileiros.
Senadora pelo DEM de Tocantins, ela diz que queria um projeto "de verdade", e não uma "fantasia de ambientalista".
Kátia, porém, voltou a defender as alterações no Código Florestal, que anistiam desmatadores.
A reforma proposta pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), diz, é a única coisa capaz de dar segurança jurídica aos produtores. Ela já foi aprovada por comissão especial da Câmara, e os ruralistas querem votá-la em definitivo o quanto antes.

Reserva legal é inútil, diz senadora

Para Kátia Abreu (DEM), País mistura área de conservação com produção econômica


A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), classificou a reserva legal como um "corpo estranho" na propriedade rural que afeta o lucro. Para ela, a reserva tem apenas finalidade paisagística.

A reserva legal varia de 20% a 80% do tamanho da propriedade. Na Amazônia é de 80% e na Mata Atlântica, de 20%. A senadora defende a separação das unidades de produção e de conservação. "Se eu coloco um corpo estranho numa unidade de produção econômica, atrapalho essa engrenagem." Segundo ela, a preservação deve se dar em parques nacionais, estaduais e municipais. "Se eu começar a fazer unidade de produção dentro do parque, também vai ser um corpo estranho", argumenta.

A senadora veio a Cancún, que sedia a Conferência do Clima da ONU (COP-16), para lançar internacionalmente o projeto Biomas - que cria uma rede de experimentação e pesquisa nos seis biomas brasileiros. A proposta é estudar como fazer a restauração e o uso sustentável de áreas de preservação permanente (APPs), como topos de morros, encostas e margens de rios. O custo será de R$ 40 milhões em nove anos.

A senadora diz que a escolha de Cancún se deu pela importância do evento na área ambiental, apesar de a COP-16 estar mais esvaziada que a COP-15. "Queremos que os consumidores brasileiros e estrangeiros fiquem tranquilos. Estamos produzindo com sustentabilidade", disse.

O ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc afirmou que o projeto da CNA tem aspectos favoráveis. Mas ele critica a posição da entidade em relação à reserva legal e sua defesa a uma anistia a quem desmatou. Ele ressalta que a presidente eleita, Dilma Rousseff, se comprometeu a vetar lei que reduza APPs e reservas legais.

Para Paulo Prado, da ONG Conservação Internacional, as reservas legais são importantes para a absorção e produção de água e para a sobrevivência das espécies. 


Três perguntas para Paulo Adário

Diretor da campanha Amazônia do Greenpeace fala sobre a moratória da soja

(O Estado de S. Paulo)

1. Como você avalia a decisão do Banco do Brasil de vetar o crédito a desmatadores?

É um passo importante, pois é o primeiro banco a aderir à moratória da soja. Além disso, o Banco do Brasil financia mais de 60% de todo o crédito agrícola do País. O compromisso assumido foi o de não financiar produtores de soja que tenham desmatado após julho de 2006. O banco passará a exigir regularidade ambiental das propriedades.

2. Que reflexo a medida pode ter no mercado?

A sinalização é importante para o produtor rural – se ele desmatar além do que a lei permite para plantar soja, vai perder dinheiro, vai perder crédito. Isso deve apontar um caminho também para outros bancos, como o Banco da Amazônia e o BNDES, que financiam a pecuária no bioma.

3. A medida trará efeito positivo no combate ao desmatamento?

O setor agropecuário já entende que tem potencial para aumentar sua produtividade. Criar 0,7 boi por hectare não é economicamente razoável. O cerco ao desmatamento está fechando e os produtores estão descobrindo que podem sair ganhando com isso.

UE quer adiar acordo de crédito a países que preservam floresta

A União Europeia deseja adiar para depois da conferência de Cancún um acordo que usaria os mercados de carbono para recompensar países que preservam suas florestas tropicais, disse na segunda-feira a comissária europeia do Clima, Connie Hedegaard.

Pelo mecanismo proposto pela Organização das Nações Unidas, que é conhecido pela sigla REDD (de "redução de emissões pelo desmatamento e degradação"), os países que preservarem suas florestas, evitando assim contribuir com o aquecimento global, serão recompensados com créditos que poderiam ser vendidos a outras nações que ultrapassarem seus limites de emissões de gases do efeito estufa.

A UE acha que é cedo para adotar o mecanismo. "O risco se for feito errado é ameaçar todo o mercado de carbono," disse Hedegaard a jornalistas na conferência de Cancún, que vai até 10 de dezembro.

"Esperamos poder ter uma compreensão política geral sobre o REDD... aqui em Cancún. Achamos que devemos ser cuidadosos. Isso poderia ter alguns impactos sobre todo o mercado de carbono. Precisamos ter muita certeza do que estamos fazendo. É uma das coisas que precisam de mais detalhes."

Fonte:
Folha de S. Paulo/Estadão

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