Agricultura é aliada na redução de gases estufa

Publicado em 17/02/2011 16:40 e atualizado em 17/02/2011 20:03 1156 exibições
Projeto da FAO avaliará o potencial da atividade na mitigação dos efeitos climáticos. Brasil contribui com incentivos a técnicas que equilibram produção e conservação ambiental

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) trabalha na produção de um banco de dados mundial com informações sobre a emissão de gases de efeito estufa lançados pela agricultura e seu potencial para minimizar o aquecimento global. O Brasil já está fazendo a sua parte ao incentivar o uso de tecnologias que reúnem eficiência produtiva e conservação ambiental. O programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado em 2010, permite que o produtor rural tenha acesso a financiamento a um custo baixo (5,5% de juros anuais) para investir em práticas como recuperação de pastagens e plantio direto que ampliam a produtividade da lavoura e, ao mesmo tempo, reduzem a emissão dos gases estufa.

“A nova agricultura colocada em prática está voltada para diminuir a quantidade de gases poluentes e tem como consequência um clima menos quente no mundo”, destaca o coordenador da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Derli Dossa. A atuação do Brasil está alinhada com o Projeto de Mitigação das Mudanças Climáticas na Agricultura (Mitigation of Climate Change in Agriculture - MICCA) da FAO. O organismo da ONU utilizará os dados sobre as emissões para revertê-los em oportunidades de amenizar o aquecimento global por meio de técnicas agrícolas adequadas a essa realidade.

No início da semana, a FAO divulgou que o Projeto MICCA receberá apoio de US$ 5 milhões dos governos da Noruega e Alemanha. O objetivo do projeto é tornar pública a quantidade das emissões de todos os países do mundo, facilitando, o acesso às informações por representantes governamentais e agricultores. A FAO também usará as informações como ferramenta na operação de linhas de financiamento internacionais para projetos de mitigação e redução das emissões provenientes da agricultura e de aumento da quantidade de carbono seqüestrado nas explorações agrícolas.

Experiência brasileira

O Brasil ocupa posição estratégica no combate ao aquecimento global. “A aposta em projetos sustentáveis na área da agricultura e pecuária, como o programa ABC, posicionou o Brasil entre os países mais adiantados no alcance das metas firmadas na 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15)”, explica o coordenador do ministério, Derli Dossa.

O ABC é uma das principais ações adotadas pelo Ministério da Agricultura para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O programa oferece R$ 2 bilhões em financiamento a produtores rurais e promove estudos e pesquisas, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Apóia a capacitação profissional para facilitar a difusão de práticas como plantio direto na palha, fixação biológica de nitrogênio, recuperação de pastagens degradadas e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (ILPF), que contribuem para a preservação das áreas de produção.

O programa destina-se aos produtores rurais de todos os biomas brasileiros. Nos próximos dez anos, tem como meta deixar de emitir 165 milhões de toneladas equivalentes de CO2.

Ações do ABC

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) - O programa Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) está no foco da chamada “agricultura verde”. O sistema combina atividades agrícolas, florestais e pecuárias, promovendo a recuperação de pastagens em degradação. De acordo com o Ministério da Agricultura, a área utilizada nesse sistema pode ser aumentada em quatro milhões de hectares nos próximos dez anos. A previsão é que o volume de toneladas de dióxido de carbono (CO2) diminua entre 18 milhões e 22 milhões no período.

Recuperação de pastagens degradadas - Com o incentivo do programa ABC, a meta do governo é ampliar, nos próximos dez anos, a área atual de pastagens recuperadas de 40 milhões de hectares para 55 milhões de hectares. O maior uso da tecnologia vai proporcionar, no período, a redução da emissão de 83 milhões a 104 milhões de toneladas equivalentes dos gases de efeito estufa. A recuperação de terras degradadas é uma técnica que funciona há mais de 20 anos e pode ser aplicada em qualquer bioma brasileiro. É considerada fundamental porque representa a permanência do produtor na atividade e garante a conservação dos ecossistemas.

Plantio Direto - No uso do plantio direto, estima-se a ampliação da área atual em oito milhões de hectares, de 25 milhões para 33 milhões de hectares, nos próximos dez anos. Esse acréscimo vai permitir a redução da emissão de 16 milhões a 20 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Além de promover o sequestro de dióxido de carbono da atmosfera, o plantio direto é exemplo de agricultura conservacionista, mantendo a qualidade dos recursos naturais, como água e solo.

Plantio de Florestas - O plantio de florestas comerciais, como eucalipto e pinus, aumenta o seqüestro de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. A intenção do governo é aumentar a área de florestas, até 2020, de seis milhões de hectares para nove milhões de hectares. Isso permitirá a redução da emissão de oito milhões de toneladas a dez milhões de toneladas de CO2 equivalentes, no período de dez anos.

Fixação Biológica de Nitrogênio - Apesar de o produtor rural utilizar a adubação mineral para o fornecimento de nitrogênio às culturas agrícolas, esse material costuma ser caro e seu uso inadequado pode produzir impactos ambientais negativos. A técnica de fixação biológica de nitrogênio tem como base o uso de plantas leguminosas, associado à cultura comercial, que podem suprir a necessidade de minerais necessários como adubação. As bactérias fixadoras de nitrogênio nas raízes dessas leguminosas também atuam no interior de plantas, como a cana-de-açúcar, cereais e gramíneas forrageiras. Outra alternativa para o agricultor é o uso de adubos verdes antes do cultivo da cana-de-açúcar, no momento da reforma do canavial.

Fonte:
MAPA

2 comentários

  • Almir José Rebelo de Oliveira Tupanciretã - RS

    Já que eu sou o sujeito da foto na chamada desta matéria, quero dizer a vocês que essa, era uma área degradada, e através da tecnologia do Plantio Direto na Palha chega ser emocionante a recuperação e o nível de qualidade física, química e biológica daquelo solo. Quando vejo a FAO, a ONU se preocupar com o futuro da produção de alimentos, digo que nós brasileiros estamos preparando o ambiente para alimentar o presente e o futuro da humanidade, mas transformando nossos solos em APPs - AREA DE PRODUÇÃO PERMANENTES. este é o novo conceito ambiental de solo produtivo, não essa frescura ambientalista que não produz e não preserva nada porisso tem que falar bobagens mesmo. Mas se o Novo Código Florestal poderá ser votado dia 23 de março de 2011, conclamo os produtores brasileiros que são homens e amam nossa Pátria Querida, para que façam coimo nós: encilhem seus cavalos e boleem a perna em Brasília para defender nossa Propriedade Brasileira. Se vocês não forem comigo eu vou achar que é só eu que sou homem neste Brasil. Tivemos a honra de receber o deputado Aldo Rebelo, Perondi, heize, Afonso Hamm, Luiz Noé, Jerônimo Goergem e a Senadora Ana Amélia Lemos com a presença de mais de 1000 pessoas e demos o troféu Ambientalista de Ouro ao Aldo, Heize, Prondi e ao Bartz presidente da Federação Brasileira do Plantio Direto. Ficou 2 troféus para a Senadora kátia Abreu e para o Dep. Micheleto que serão entregues em Brasília. Estou gostando porque os produtores estão começando se acordar, caso contrário perderão as propriedades, porque serão inviabilizadas se não aprovarmos o novo código relatado pelo Dep. Aldo Rebelo. Ah! Temos vários estudos sobre Plantio Direto e Pecuária para deixar ambientalista louco. Aliás já ficaram com o prêmio aos Deputados. Fiquem frios ambientalistas! Nós damos prêmios para quem conserva e melhora o meio ambiente através de práticas modernas ou legislações que protejam o produtor, meio ambiente e garanta a comida na mesa de todos, inclusive de vocês.

    Abraços.

    Almir Rebelo

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Onde a vaca vai, o boi vai atrás. Refrão de uma badalada musica em década passada, resume o andar da carruagem aquecimentista. A FAO está se mirando nas ongues e MENTE a respeito do efeito estufa, tão necessário para a vida na Terra. O MAPA através de um desconhecido prócer vem alardear que o plantio de árvores nos próximos anos deverá crescer 50% para diminuir a emissão de gás carbônico. Esquecem-se das aulas de ciencias do primário. Durante o dia as plantas "inspiram" gás carbônico e "expiram" oxigênio. Durante a noite é o inverso. Portanto, zero quase mata zero... Primeiro corte e corte da rebrota não duram nem 15 anos, o que é insignificante para a Terra que tem sua idade calculada em "eras geológicas". No momento estamos entrando numa era de resfriamento do globo terrestre desde 1976 e que deverá durar de 4 a 10 mil anos... Quem viver, verá... porém os charlatães com suas "autoprofecias" estão aí.

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