Milho fecha em baixa na CBOT, mas fundamentos continuam positivos

Publicado em 25/03/2014 16:33 402 exibições

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam esta terça-feira (25) em baixa, após os ganhos expressivos registrados na última sessão. As principais posições da commodity apresentaram perdas entre 2,25 e 3,50 pontos. O vencimento maio/14 era negociado a US$ 4,86 por bushel.

O analista de mercado da Agrogt Corretora de Cereais, Gilberto Toniolo, explica que o mercado realizou lucros depois das fortes altas exibidas no pregão anterior. E a tendência é que essa volatilidade permaneça no mercado, já que, os players devem se posicionar frente ao relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que será divulgado na próxima segunda-feira (31). 

Além disso, as especulações sobre as previsões climáticas indicando um tempo mais quente em algumas partes do cinturão produtor norte-americano a partir da próxima semana contribuíram para exercer pressão negativa sobre os preços futuros. Ainda assim, o analista destaca que o clima ainda é frio e as temperaturas no solo também são frias.

Nos últimos dias, as notícias de baixas temperaturas nos EUA impulsionaram os preços em Chicago, uma vez que a situação poderia atrasar o plantio da safra 2014/15. "Ainda é cedo para especular sobre o clima norte-americano, temos que esperar os números do relatório do departamento, pois a partir dos dados os preços irão tomar um direcionamento, mas, no curto prazo, os fundamentos ainda são positivos", afirma Toniolo.

Paralelo a esse cenário, a demanda pelo produto norte-americano continua aquecida. As vendas semanais dos EUA totalizaram 1.142.722 toneladas, na semana encerrada em 20 de março, conforme reportou o USDA. No total acumulado no ano safra, iniciado em 1º de setembro, as vendas totalizam 21.068.669 toneladas. Volume superior ao registrado no ano anterior de 10.482.102 milhões de toneladas. 

BMF&Bovespa

Na contramão desse cenário, os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa trabalham do lado positivo da tabela nesta terça-feira. Os preços permanecem sustentados pelas perdas na safra de verão e indefinições sobre a segunda safra.

Ainda de acordo com o analista, no Mato Grosso, cerca de 500 mil hectares estão em regiões que sofrem com o excesso de chuvas. Quadro que tem contribuído para a má germinação do grão. E os custos de produção estão mais altos e para a produção de alta tecnologia o agricultor gastou cerca de R$ 1.737,83/ hectare. Baseada em uma produtividade de 100 sacas/ha, o custo para produzir a saca é de R$ 17,38.

Em Goiás, ainda não é possível quantificar o percentual da safra que foi semeada fora da janela ideal. Os custos de produção também estão mais altos nesta safra em torno de 12%. Na safrinha, o estado deverá colher cerca de 4,8 milhões de toneladas. Já no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, as lavouras têm se desenvolvido, mas não estão descartados possíveis problemas com o clima.

“Esse ano, a tendência é que haja mais frentes frias no país. E diante dessa situação, os produtores estão mais cautelosos na comercialização antecipada da safrinha, uma vez que, especialmente no Centro-Oeste ainda há dúvidas em relação à segunda safra”, finaliza o analista.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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