Milho: Após altas, mercado realiza lucros e fecha em queda em Chicago; No Brasil, negócios ainda são lentos

Publicado em 11/04/2014 17:41 646 exibições

As principais posições do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a sessão desta sexta-feira (11) do lado negativo da tabela. Durante as negociações, os preços futuros aumentaram as perdas e fecharam o pregão com quedas entre 2,75 e 5,75 pontos. O vencimento maio/14 era cotado a US$ 4,98 por bushel, desvalorização de 0,54% frente ao último pregão.

O analista de mercado da Agrogt Corretora de Cereais, Gilberto Messias Toniolo, afirma que o mercado realizou lucros após as recentes altas registradas em Chicago. "E é preciso ressaltar que s fundos de investimentos estavam muito comprados antes do relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), mas ainda assim, as quedas são pequenas em relação à valorização nas cotações", explica.

Durante essa semana, os números reportados pelo departamento norte-americano trouxeram volatilidade aos preços futuros. O órgão reportou uma diminuição nos estoques finais dos EUA para 33,82 milhões de toneladas e um aumento na produção global do cereal de 966,63 milhões de toneladas, para 973,9 milhões de toneladas.

O departamento também reportou um aumento na estimativa para a safra brasileira de milho para 72 milhões de toneladas, contra 70 milhões de toneladas anunciadas no mês anterior. Já as projeções para a safra da Argentina foram mantidas em 24 milhões de toneladas. 

Em contrapartida, as notícias de clima nos Estados Unidos têm ganhado força nos últimos pregões. De acordo com informações do site internacional de meteorologia Accuweather, a previsão para o final de semana ainda é de clima frio em partes do Cinturão produtor norte-americano, inclusive em importantes estados produtores como Iowa e Illinois. 

“Temos até meados de julho essa especulação climática nos EUA, que deve trazer volatilidade aos preços. Até o dia 10 de maio, os produtores norte-americanos têm que ter metade da área cultivada. E daqui para frente teremos que observar as informações de plantio no país e desenvolvimento das lavouras, que serão divulgados pelo USDA”, diz Toniolo.

Paralelo a esse cenário, o analista ainda considera que os fundamentos são positivos para o mercado de commodities. A demanda pelo produto norte-americano permanece firme, apesar do recuo nas exportações desta semana reportadas pelo USDA, os números vieram fortes nas últimas quatro semanas. Além disso, a área destinada ao cereal nesta safra 2014/15 nos EUA será menor.

BMF&Bovespa

O dia também foi negativo aos preços do cereal negociados na BMF&Bovespa. As principais posições apresentaram pequenas desvalorizações e o vencimento maio/14 era cotado a R$ 31,54. Ainda na visão do analista, as vendas seguem em ritmo lento, uma vez que, os produtores estão mais focados na comercialização da soja nesse momento. 

A queda da moeda norte-americana também contribui para pressionar os contratos futuros. “Principalmente, a negociação da safrinha está lenta, com o câmbio a R$ 2,40, os preços da saca do milho giram em torno de R$ 33,00 no Porto, mas com câmbio de R$ 2,19, a cotação no Porto fica entre R$ 30,00 a R$ 30,50. Então, os produtores recuam na comercialização”, ressalta Toniolo.

Durante essa semana, o Imea (Instituto de Mato-grossense de Economia Agropecuária) informou que a comercialização da safrinha chegou a 11,5% até o mês de abril. Até março, foram vendidas cerca de 2 milhões de toneladas, com preço médio de R$ 14,50 a saca. No Paraná, a negociação da safrinha atingiu o nível de 2%, segundo dados do Deral (Departamento de Economia Rural). Já no mesmo período do ano passado, o volume negociado era de 5%. 

No mercado interno, os negócios também acontecem de forma mais lenta, já que, grande parte dos produtores segura as vendas à espera de melhores cotações. Ainda durante essa semana, até a quinta-feira (10), em algumas praças os preços da saca do cereal permaneceram estáveis. Em Cascavel (PR), os preços ficaram em R$ 25,00 a R$ 26,00 a saca, em Campinas (SP) CIF, a cotação ficou em R$ 28,50 a R$ 29,00. Já em Uberlândia (MG), o preço foi de R$ 26,50 a R$ 27,00, em Rondonópolis (MT), as cotações ficaram entre R$ 23,00 a R$ 24,00. O levantamento foi realizado pela agência Safras & Mercado. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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