Milho: Mercado reflete previsões de chuvas para os EUA e fecha com leves altas

Publicado em 28/04/2014 17:27 347 exibições

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o dia com leves ganhos. Durante o pregão, as cotações reduziram as altas e fecharam com valorização entre 0,75 e 1 ponto, nos principais contratos. O vencimento maio/14 terminou a sessão cotado a US$ 5,07 por bushel, mas ao longo das negociações alcançou o patamar de US$ 5,12 por bushel. 

No momento, as previsões climáticas para os EUA tem sido a principal variável para o mercado de milho. Por enquanto, as previsões indicam chuvas em partes do cinturão produtor de grãos norte-americano, incluindo os estados de Iowa e Wisconsin, durante essa semana, conforme informou a agência internacional Bloomberg nesta segunda-feira.

As temperaturas também deverão ficar mais baixas no cinturão produtor durante essa semana. Frente a essa situação, a expectativa é que os trabalhos nos campos norte-americanos diminuam. Até o dia 20 de abril, a área cultivada com o milho nos EUA atingiu 6%, contra a média dos últimos cinco anos de 14%, segundo informações do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Um novo boletim de acompanhamento de safras será divulgado nesta segunda-feira e a estimativa é que órgão reporte a semeadura em 20% da área.

Diante desse quadro, a preocupação é que o atraso no plantio do milho acabe transferindo área para a cultura da soja. Os produtores norte-americanos têm até o final do mês de maio para finalizar o plantio do milho.

Apesar das especulações, o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, destaca que os agricultores têm capacidade de realizar o plantio do grão em grandes áreas e em curto espaço de tempo. "E as previsões para o mês não apontam para um maio tão chuvoso nos EUA, situação que pode contribuir para a semeadura do grão", afirma. 

Do lado fundamental, a demanda pelo produto norte-americano permanece aquecida. As vendas semanais foram reportadas em 1,156.332 milhões de toneladas na semana encerrada no dia 24 de abril, pelo USDA. Na última semana, o número anunciado pelo departamento foi de 1,633.180 toneladas (número revisado).

Já no mesmo período do ano passado, as vendas somaram 295.795 toneladas. No total acumulado no ano safra, iniciado em 1º de setembro, as vendas totalizam 27,991.018 toneladas, contra 12,247.293 toneladas acumuladas no ano safra anterior.

Na visão do pesquisador do Cepea, Lucílio Rogério Alves, a demanda forte pelo milho dos EUA, faz com que haja uma redução nos estoques do país e, com isso, os compradores se voltam ao Brasil. A partir de julho, somente o país terá milho para ofertar, até setembro, quando a produção norte-americana entra no mercado.

Mercado interno

O cenário no mercado interno brasileiro segue sem grandes modificações, os preços permanecem estáveis e as negociações estão mais lentas. De acordo com o pesquisador do Cepea, os compradores saem do mercado à espera de uma oferta no mercado interno maior a partir do segundo semestre, com a colheita da safrinha, enquanto que os vendedores evitam os negócios tendo em vista uma valorização nos preços no cenário mundial. 

Enquanto isso, a queda de braços entre as duas pontas contribui para manter as cotações de milho estáveis em importantes regiões produtoras do país, cerca de R$ 30,00 a saca. “Do ponto de vista dos compradores, a aposta é que uma menor taxa de câmbio e um excedente de oferta maior nos EUA, apesar da redução na área cultivada no país, poderia dificultar as exportações do Brasil e com uma oferta interna maior poderia pressionar os preços. Na ponta vendedora, a expectativa é que o atraso no plantio norte-americano reduziria a produção e a menor área cultivada no Brasil, com condições climáticas desfavoráveis poderia afetar a produção, situação que elevaria os preços”, explica Alves. 

Até o momento, as lavouras, em importantes regiões produtoras do país, apresentam boas condições, apesar dos problemas pontuais. E para que haja uma valorização nos preços do cereal no mercado interno, seria necessária uma modificação nesse quadro, como a ausência de chuvas no Mato Grosso, ou até mesmo, a possibilidade de geadas em algumas regiões do Paraná ou no Mato Grosso do Sul. 

“Algo assim poderia alavancar os preços, mas a tendência é de mercado equilibrado e não prevalecendo nenhuma das pontas, compradora ou vendedora. As cotações cainham para uma estabilidade para os próximos 4 a 5 meses”, acredita o pesquisador.

Desde o final do ano passado, as cotações do cereal já subiram em torno de 15% a 18% em algumas praças, frente às projeções que indicam uma redução na produção da safrinha. As projeções para a safra brasileira de milho ainda são divergentes, muitos analistas acreditam em uma produção ao redor de 70 até 76 milhões de toneladas, mas a expectativa é que esse número fique próximo de 74 até 75 milhões de toneladas, conforme relata o pesquisador. 

“E se as exportações brasileiras ficarem abaixo de 18 milhões de toneladas, pressionaria as cotações do grão. Porém, acima de 22 milhões de toneladas, enxugaria o mercado interno e impulsionaria os preços do cereal. Se o volume embarcado ficar próximo a 19 a 21 milhões de toneladas, manteria as cotações nos atuais patamares”, acredita Alves.

No ano anterior, as exportações de milho do país somaram 26 milhões de toneladas, situação que contribuiu para enxugar o mercado e manter o Brasil entre os principais exportadores do cereal no mundo. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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