Milho: Mercado reflete números do USDA e termina pregão em queda em Chicago

Publicado em 11/06/2014 17:29 335 exibições

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho negociados terminaram a sessão desta quarta-feira (11) em campo negativo. Ao longo das negociações, as cotações até esboçaram uma leve recuperação, porém, o movimento não foi sustentado e, as principais posições da commodity encerraram o pregão com perdas entre 2,75 e 4,50 pontos. O contrato julho/14 era cotado a US$ 4,41 por bushel. 

Pelo terceiro dia consecutivo, os preços fecharam o pregão em queda. Nesta quarta-feira, o mercado refletiu os números do novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado hoje. O órgão reportou a produção mundial, referente à safra 2014/15, em 981,12 milhões de toneladas, contra 979,08 milhões de toneladas estimadas no boletim de maio.

Consequentemente, os estoques globais também foram ajustados para cima e aumentaram de 181,73 milhões de toneladas para 182,65 milhões de toneladas. E, ao contrário das especulações dos participantes do mercado, o departamento manteve os números de produção e produtividade da safra norte-americana em 353,97 milhões de toneladas e 174,95 sacas por hectare, respectivamente.

Inclusive, o analista de mercado da Jefferies, Vinicius Ito, destaca que as previsões climáticas favoráveis para o desenvolvimento das plantações dos EUA, têm sido um dos principais fatores de pressão sobre os preços do cereal em Chicago. “Com o bom clima na hora de polinização das lavouras, poderíamos ter uma taxa melhor e isso tem pesado no mercado. Além disso, a queda no nível das exportações do país também contribui para a queda nas cotações”, ratifica o analista.

Segundo informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, um mix favorável de chuvas, sol e temperaturas mais quentes nas próximas duas semanas irá impulsionar o desenvolvimento das culturas do milho e da soja nos EUA, maior produtor de grãos e oleaginosas. E a expectativa é que os rendimentos das plantações de milho possam subir para um recorde de 177,27 sacas por hectare neste ano, superando a projeção do USDA, de 174,95 sacas por hectare.

Ainda durante a sessão desta quarta-feira, o vencimento dezembro/14, caiu 0,7% para US$ 4,41 por bushel, já o julho/14 alcançou o patamar de US$ 4,39 por bushel, o menor nível desde 11 de fevereiro. A agência internacional ainda indica que, o grão já caiu 20% nos últimos 12 meses frente às previsões de aumento nos estoques norte-americanos e mundiais. 

Do lado da análise gráfica, a tendência é baixista para os preços do cereal. E se as cotações do milho romperem o patamar de US$ 4,40 por bushel, os contratos poderão cair mais 10% e chegar ao nível de US$ 4,00 por bushel. 

BMF&Bovespa

As cotações do milho negociados na BMF&Bovespa trabalham do lado negativo da tabela, 0 vencimento julho/14 é cotado a R$ 25,30.. Nos últimos pregões, os preços do cereal têm acompanhado o movimento de queda em Chicago. Além disso, a proximidade da colheita da safrinha de milho também ajuda a pressionar os preços no mercado interno. No estado de MT, a área colhida até o momento é de 1,5%, conforme apontou o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia e Agropecuária).

Na região de Sinop (MT), por exemplo, as cotações do cereal baixaram de R$ 18,00 para R$ 13,00 nos últimos meses. E a expectativa das corretoras da região é de preços ainda mais baixos. Segundo o vice-presidente do Sindicato Rural do município, Antônio Galvan, a expectativa é que o Governo tenha que intervir mais uma vez no mercado. “Realmente, com esses preços será necessária à intervenção do Governo no mercado. O valor não cobre os custos de produção e está próximo do preço mínimo fixado pelo Governo, de R$ 13,56 a saca”, diz Galvan. 

Nesta terça-feira, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra brasileira de milho, entre primeira e segunda safra, deverá totalizar 77,9 milhões de toneladas, um aumento de 3,6% em relação à última projeção. Diante desse cenário, os analistas destacam que a produção brasileira dependerá das exportações do cereal, que, por enquanto, estão mais lentas, porém a expectativa é que ganhe ritmo a partir do segundo semestre. 

Veja abaixo as projeções do USDA para a produção de milho dos EUA e mundial:

Milho USDA - Junho

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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