Milho: Com boas condições das lavouras nos EUA, mercado fecha em queda pelo 2º dia consecutivo

Publicado em 17/06/2014 18:40 291 exibições

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta terça-feira (17) do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity reduziram as perdas, mas terminaram o dia com quedas entre 2,25 e 2,75 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,38 por bushel, após atingir o nível mais baixo desde 4 de fevereiro, de US$ 4,36 por bushel. 

As boas condições das lavouras norte-americanas, até o momento, têm sido o principal fator de pressão sobre os preços em Chicago. Segundo dados do novo boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cerca de 76% das lavouras estão em boas ou excelentes condições. E 20% apresentam condições regulares e 4% estão em condições ruins ou muito ruins. Na última semana, os números eram de 75%, 21% e 4%, respectivamente.

De acordo com informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, a classificação do milho é a quinta maior da história. E as previsões climáticas apontam que, um padrão de chuvas no Centro-Oeste dos EUA deve continuar limitando o risco de calor intenso nas próximas duas semanas. Além disso, a expectativa é que umidade irá contribuir para o crescimento das plantas. 

Apesar do cenário positivo e projeção de safra recorde nos EUA, segundo o USDA o país deverá colher 353,97 milhões de toneladas de milho nesta safra, analistas destacam que é preciso acompanhar o clima no país. Segundo o analista de mercado da Safras & Mercado, Flávio França, as condições climáticas ainda são boas, porém é preciso acompanhar o clima no restante do desenvolvimento da cultura. 

“Especialmente, em junho, julho e agosto, temos um tempo para ter uma definição da safra norte-americana. E ainda podemos ter bolhas especulativas de natureza climática nos próximos dois meses”, explica França. 

Por outro lado, as cotações em patamares menores acabam estimulando a demanda pelo produto. Nesta terça-feira, o departamento norte-americano reportou a venda de 134.500 mil toneladas de milho para o México, o volume deverá ser entregue na safra 2014/15.

No curto prazo, a tendência é que o clima favorável nos EUA limitem as altas, conforme apontam os analistas. Porém, oscilações positivas não estão descartadas, já que as exportações do país e as notícias de clima podem movimentar as cotações. Já no médio e longo prazo, a entrada da safra norte-americana pode manter os preços em patamares mais baixos, conforme informações do boletim da ODS (Serviços em Agronegócios). 

Já na análise técnica, os preços têm potencial para buscar os US$ 4,20 por bushel, uma vez que a cotação rompeu o patamar de suporte de US$ 4,75 por bushel. Entretanto, os analistas questionam se a preços mais baixos, os produtores rurais norte-americanos irão negociar a produção de milho. Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, cerca de 50% da safra dos EUA ainda precisa ser negociada.

BMF&Bovespa

Na BMF, as cotações do cereal encerraram o pregão em terreno misto, próximos da estabilidade. A sessão foi encerrada mais cedo nesta terça-feira, em função do jogo da seleção brasileira contra o México. Com isso, as negociações também foram mais lentas. O julho/14 terminou o pregão cotado a R$ 24,75 a saca. 

Nas últimas semanas, as cotações futuras têm sido pressionadas pelo recuo registrado em Chicago, assim como, o dólar em patamar mais baixo. Do mesmo modo, com os preços nos portos do país menos atrativos também contribuem para a formação desse cenário. Já as exportações permanecem mais lentas nesse momento, e a expectativa dos participantes do mercado é que ganhe ritmo a partir do segundo semestre. 

Enquanto isso, temos os preços do cereal no mercado interno com mais pressão, nesse momento, já que a colheita da segunda safra já teve início no país. Consequentemente, a estratégia de parte dos produtores rurais será segurar o produto à espera de melhores oportunidades de negócios. Com o aquecimento das exportações, a partir do segundo semestre, a perspectiva é que as cotações fiquem mais atrativas aos agricultores. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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