Milho: Números do USDA pressionam e mercado dá continuidade às quedas

Publicado em 01/07/2014 08:52 517 exibições

No pregão desta terça-feira (1), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela. As principais posições da commodity dão continuidade ao movimento de queda iniciado no dia anterior. Por volta das 8h32 (horário de Brasília), os contratos exibiam perdas entre 1,75 e 2,50 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,21 por bushel.

As cotações do cereal recuaram 4,9% na última sessão, a maior queda desde 28 de junho de 2013. O mercado foi pressionado pelos números dos estoques trimestrais dos EUA, reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão apontou os estoques em 97,87 milhões de toneladas, volume maior do que o esperado pelos investidores, de 94,5 milhões de toneladas.

O departamento ainda indicou que cerca de 37,07 milhões de hectares foram cultivados com o milho na temporada 2014/15. O mercado esperava um número próximo de 37,1 milhões de hectares, mesma projeção feita pelo USDA no último boletim de oferta e demanda. 

Outro fator que também pesa sobre os preços futuros são os números de acompanhamento de safras também divulgados pelo departamento. Em torno de 75% das lavouras de milho estão em boas ou excelentes condições, percentual maior do que a semana anterior, de 74%. Cerca de 20% das plantações registram situação regular e 5% estão em condições ruins ou muito ruins.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Milho: Frente ao aumento nos estoques dos EUA, mercado fecha sessão no menor patamar dos últimos 5 meses

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta segunda-feira (30) com forte queda. As principais posições da commodity encerraram o dia com perdas entre 18,75 e 23,50 pontos. O vencimento julho/14 terminou a sessão cotado a US$ 4,24 por bushel, já o contrato setembro/14 perdeu 5,3% e fechou a US$ 4,18 por bushel. 

Segundo o analista de mercado da Agrinvest, Marcos Araújo, as cotações do cereal foram pressionadas pelos números dos estoques trimestrais dos EUA, reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão apontou os estoques norte-americanos em 97,87 milhões de toneladas, número acima das expectativas do mercado, de 94,5 milhões de toneladas.

Até o momento, o volume estocado também é cerca de 39% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, de 70,26 milhões de toneladas. Em março, o número projetado era de 117,96 milhões de toneladas, conforme dados do USDA.

Já o boletim de área plantada, apontou que em torno de 37,07 milhões de hectares foram cultivados com o cereal na safra 2014/15. A estimativa está bem próxima com as perspectivas dos participantes do mercado, de 37,1 milhões de hectares. No último relatório de oferta e demanda o USDA já tinha projetado a área semeada com o grão em 37,1 milhões de hectares.

"Com essa estimativa acima do que o mercado esperava, as cotações do milho recuaram em Chicago. Além disso, as expectativas para a produtividade das lavouras são boas e o clima permanece contribuindo para o desenvolvimento da cultura, consequentemente temos expectativa de uma grande safra e manutenção dos estoques. Mas o cereal também recuou, refletindo o movimento negativo da soja", explica Araújo.

Safra dos EUA

Frente às condições climáticas favoráveis nos EUA para o crescimento das plantas, a expectativa é cada dia maior de que o país deverá colher uma safra recorde. De acordo com dados do USDA, a produção norte-americana de milho deverá totalizar 353,97 milhões de toneladas nesta safra, já a produtividade é projetada em 174,95 sacas por hectare.

Na última segunda-feira, o órgão reportou que em torno de 74% das lavouras do cereal apresentavam boas ou excelentes condições no país. O departamento irá atualizar as informações no final da tarde desta segunda-feira. Ainda assim, analistas afirmam que em julho as lavouras entram em fase de polinização e é preciso acompanhar as informações de clima no país.

Embarques semanais 

O departamento reportou os embarques semanais de milho dos EUA em 872.960 mil toneladas, na semana encerrada no dia 26 de junho. O volume está abaixo do reportado na semana anterior, de 988.080 mil toneladas. Já no mesmo período do ano passado, os embarques somaram cerca de 379.237 toneladas.

Até o momento, no acumulado no ano safra, iniciado em 1º de setembro, os embarques totalizam 37.842.772 milhões de toneladas, contra 14.774.469 milhões de toneladas acumuladas no ano safra anterior.

BMF&Bovespa

As cotações do milho negociadas na BMF&Bovespa trabalham em queda nesta segunda-feira. Os preços acompanham a movimentação no mercado interno e exibem leves quedas. O vencimento julho/14 era cotado a R$ 24,30 a saca, desvalorização de 0,04%. 

Por outro lado, as exportações de milho do Brasil permanecem em ritmo lento e até a terceira semana de julho totalizaram 32,7 mil toneladas, queda de 61,2% em relação ao exportado no mês anterior. Já em comparação com o mesmo período do ano anterior, o número representa um recuo de 83,1%. A expectativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), é que o país consiga embarcar em torno de 21 milhões de toneladas. 

“No entanto, a demanda internacional está fraca para o milho, precisamos que o Governo, principalmente para o MT viabilize o escoamento de milho através de leilões de Pep e Pepro. A situação pode ser um comprometedor do mercado, a exemplo do que houve na safra passada, com o alongamento dos embarques do cereal até o início do próximo ano, o produto irá concorrer espaço com a soja e pode comprometer o escoamento da oleaginosa em 2015”, explica o analista de mercado. 

Do mesmo modo, as cotações praticadas no mercado interno brasileiro permanecem pressionadas com a evolução da colheita do milho safrinha. Nos últimos dias, os produtores têm tentado segurar o produto e os compradores, que estão bem posicionados, aguardam melhores oportunidades para adquirir o produto. Segundo analistas, a expectativa é que os preços apresentem uma modificação após a pressão da colheita e com as exportações mais aquecidas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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