Milho: Em meio às projeções da boa safra nos EUA, mercado recua na CBOT

Publicado em 23/07/2014 12:44 328 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiras perdas, próximas da estabilidade no pregão desta quarta-feira (23). Por volta das 11h52 (horário de Brasília), os contratos da commodity exibiam leves perdas entre 1,00 e 1,25 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,59 por bushel.

Em meio às projeções de safra cheia nos Estados Unidos na temporada 2014/15, as cotações do cereal já recuaram em torno de 24% nos últimos meses, conforme informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg. Nas últimas semanas, os preços perderam suportes importantes, uma vez que o mercado já precifica as estimativas de boa produção norte-americana, que, até o momento, são confirmadas com o clima favorável.

Até o último domingo (20), em torno de 76% das lavouras do cereal apresentavam boas ou excelentes condições, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O índice de classificação das plantas é o melhor, para essa época do ano, desde o ano de 2004. As plantações norte-americanas enfrentam durante o mês de julho o período crítico de desenvolvimento.

Mas, por enquanto, as previsões climáticas indicam chuvas para algumas regiões produtoras de milho no país, que, se confirmadas, deverão favorecer a cultura e as temperaturas mais frias poderão limitar o estresse em algumas localidades mais secas. "O clima está ótimo, a produtividade deverá ser fantástica e somente um sério e real problema de clima poderia mudar essa situação e provocar novas altas nos preços", disse o analista internacional Jonathan Barrat à agência Bloomberg.

Frente a esse cenário, analistas ressaltam que a tendência é negativa para os preços a nível mundial devido à estimativa de boa produção nos EUA, de 353,97 milhões de toneladas na próxima safra. Da mesma forma, a análise técnica também aponta pressão sobre os preços do cereal, porém, com as quedas recentes, não estão descartadas oscilações positivas nas próximas sessões. 

Por outro lado, a demanda pelo produto norte-americano permanece firme, nesta segunda-feira, o USDA reportou os embarques de milho em 939.791 mil toneladas até a semana encerrada no dia 17 de junho. Entretanto, os analistas destacam que as notícias não são suficientes para alavancar as cotações em Chicago.

Mercado interno

No Brasil, as cotações têm sido pressionadas pelo cenário mundial negativo e o avanço da colheita da segunda safra. Em muitas localidades, os preços estão abaixo dos valores mínimos fixados pelo Governo, situação que tem deixado a comercialização do produto bem lenta. Por enquanto, a colheita da safrinha tem avançado em importantes estados no país e confirmado os bons índices de produtividade, com alguns problemas pontuais.

De acordo com projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safrinha terá totalizar cerca de 46,19 milhões de toneladas e somando as duas safras, o país deverá colher 78,2 milhões de toneladas de milho. Com isso, restará um estoque de 12,48 milhões de toneladas.

Na visão do economista e analista de mercado da Faeg (Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás), Pedro Arantes, o mercado precisará da interferência do governo, através de leilões de Pepro. Entretanto, ele destaca a preocupação por parte dos produtores, já que os que conseguiram participar do mecanismo no último ano ainda não receberam os prêmios.

Além disso, as exportações ainda não ganharam ritmo e permanecem mais lentas do que o registrado no ano anterior. Conforme boletim da ODS (Serviços em Agronegócio), com a grande oferta de milho a nível mundial aumenta a concorrência entre os países, assim os compradores dão prioridade de compras ao milho dos EUA por apresentarem maior competitividade de preços e de logística.

“Em 2013, conseguimos exportar muito milho devido à seca registrada na produção norte-americana, mas esse ano o país estará de volta ao mercado. Se mantivermos o ritmo dos embarques brasileiros, conseguiremos exportar em torno de 16 a 17 milhões de toneladas, que ainda não serão suficientes para equilibrar o mercado. Enquanto isso, o produtor tenta segurar o milho na lavoura, no silo bag”, afirma Arantes.

Até a terceira semana de julho, as exportações brasileiras de milho totalizaram 104,7 mil toneladas. A média diária embarcada foi de 7,5 mil toneladas. O volume exportado representa uma alta de 70,7% em relação ao mês anterior. Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a quantidade é 76,5% inferior.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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