Milho: Com demanda firme, mercado esboça recuperação em Chicago

Publicado em 24/07/2014 09:34 724 exibições

No pregão desta quinta-feira (24), as cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) trabalham do lado positivo da tabela. As principais posições da commodity dão continuidade ao movimento de recuperação iniciado na sessão anterior e, por volta das 9h13 (horário de Brasília) exibiam ganhos entre 3,00 e 3,50 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,66 por bushel. 

Apesar das boas condições das lavouras norte-americanas e a perspectiva de boa safra nesta temporada, o mercado encontra suporte na demanda firme pelo produto. Em meio às quedas, os preços do cereal recuaram 24% recentemente, os compradores aumentaram o interesse comprador. Nesta quinta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) irá reportar novo boletim com os números de vendas para exportação.

Ainda assim, os analistas ressaltam que apesar da reação, as notícias vindas do lado demanda ainda não são suficientes para ocasionar uma mudança no cenário mundial. Diante da projeção de safra cheia nos EUA, a tendência ainda é de preços em patamares mais baixos.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Milho: Com ajustes técnicos, mercado reage e fecha pregão com leves altas nesta 4ª feira

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho fecharam o pregão desta quarta-feira (23) com ligeiros ganhos. Em uma sessão volátil, as cotações do cereal conseguiram se manter do lado positivo da tabela e terminaram o dia com altas entre 1,75 e 2,50 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,62 por bushel.

De acordo com a analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi, o movimento de recuperação é decorrente do aumento do interesse comprador frente aos preços em patamares mais baixos. Nos últimos meses, os futuros da commodity recuaram em torno de 24%, segundo informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg.

Por enquanto, a safra norte-americana apresenta bom desenvolvimento e cerca de 76% das plantações estão em boas ou excelentes condições, conforme estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O índice é considerado o melhor, para essa época do ano, dos últimos 10 anos.

“A projeção de boa safra nos EUA já está sendo precificada pelo mercado internacional. Ainda temos muitas especulações em relação à produtividade das plantações no país. Porém, nesse momento, a perspectiva de maior disponibilidade do produto acaba pressionando os preços, mesmo com a demanda dando sinais de firmeza”, explica a analista de mercado.

Nesta safra, a expectativa é que os produtores norte-americanos consigam colher até 174,95 sacas de milho por hectare, segundo estimativa do USDA. Entretanto, em função do clima extremamente favorável no país, algumas localidades no Sul de Illinois podem registrar produtividade de até 204,5 sacas por hectare, de acordo com notícias divulgadas pela imprensa internacional essa semana. A projeção, se confirmada, poderá representar um crescimento de 29% em comparação com a média dos últimos cinco anos.

Produção de etanol nos EUA

Nesta quarta-feira, a AIE (Administração de Informação de Energia) informou que a produção de etanol dos EUA registrou aumento de 1,7% na semana encerrada no dia 18 de julho, com 959 mil barris diários. Na semana anterior, o volume produzido foi de 943 mil barris por dia. No mesmo período do ano anterior, a produção diária de etanol alcançou 853 mil barris.

Diante dos preços nos níveis mais baixos desde 2010, a produção de etanol permanece aquecida no país. Além disso, a firme demanda de exportação também estimula a produção, cenário que tende a ser mantido durante o terceiro trimestre desse ano. 

Mercado interno

No Brasil, as cotações têm sido pressionadas pelo cenário mundial negativo e o avanço da colheita da segunda safra. Em muitas localidades, os preços estão abaixo dos valores mínimos fixados pelo Governo, situação que tem deixado a comercialização do produto bem lenta. Por enquanto, a colheita da safrinha tem avançado em importantes estados no país e confirmado os bons índices de produtividade, com alguns problemas pontuais.

De acordo com projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safrinha terá totalizar cerca de 46,19 milhões de toneladas e somando as duas safras, o país deverá colher 78,2 milhões de toneladas de milho. Com isso, restará um estoque de 12,48 milhões de toneladas.

Na visão do economista e analista de mercado da Faeg (Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás), Pedro Arantes, o mercado precisará da interferência do governo, através de leilões de Pepro. Entretanto, ele destaca a preocupação por parte dos produtores, já que os que conseguiram participar do mecanismo no último ano ainda não receberam os prêmios.

Além disso, as exportações ainda não ganharam ritmo e permanecem mais lentas do que o registrado no ano anterior. Conforme boletim da ODS (Serviços em Agronegócio), com a grande oferta de milho a nível mundial aumenta a concorrência entre os países, assim os compradores dão prioridade de compras ao milho dos EUA por apresentarem maior competitividade de preços e de logística.

“Em 2013, conseguimos exportar muito milho devido à seca registrada na produção norte-americana, mas esse ano o país estará de volta ao mercado. Se mantivermos o ritmo dos embarques brasileiros, conseguiremos exportar em torno de 16 a 17 milhões de toneladas, que ainda não serão suficientes para equilibrar o mercado. Enquanto isso, o produtor tenta segurar o milho na lavoura, em silo bag”, afirma Arantes.

Até a terceira semana de julho, as exportações brasileiras de milho totalizaram 104,7 mil toneladas. A média diária embarcada foi de 7,5 mil toneladas. O volume exportado representa uma alta de 70,7% em relação ao mês anterior. Já em comparação com o mesmo período do ano passado, a quantidade é 76,5% inferior.

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, atualmente, a escala de navios de milho do Brasil para exportação está 60% menor do que o registrado no mesmo período de 2013. As agências marítimas apontam que, no momento, em torno de 35 navios estão deixando os portos do país com 1,8 milhão de toneladas. No ano passado, o número era de 86 navios, com embarque de 4,5 milhões de toneladas.

 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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