Milho: Focado na safra dos EUA, preços têm nova sessão de queda e setembro recua 4,09% na semana

Publicado em 01/08/2014 17:57 517 exibições

As cotações do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operaram com bastante volatilidade durante essa semana. No saldo dos últimos cinco dias, as principais posições do cereal perderam entre 3,28% a 4,09%. As cotações intensificaram as perdas no pregão desta sexta-feira (01) e terminaram o dia com quedas entre 4,50 e 4,75 pontos. O vencimento setembro/14 era cotada a US$ 3,52 por bushel.

No momento, o principal foco do mercado internacional é a expectativa de ampla oferta disponível a partir da colheita da safra norte-americana. Dois anos após o país registrar a pior seca, situação que levou os preços do cereal para o recorde de US$ 8,49 por bushel em 10 de agosto de 2012, a chuva e o clima mais ameno dos últimos dois meses criam condições de crescimento ideais, conforme informações da agência Bloomberg.

Com isso, os preços do cereal registram a sexta semana em queda, o mais longo declínio desde julho de 2011. Somente no mês de julho, as cotações recuaram cerca de 14%. Além da expectativa de safra cheia nos EUA, em torno de 353,97 milhões de toneladas, segundo projeção do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), há especulações em relação à produtividade das plantas.

Em Illinois, na propriedade Pat Solon, as expectativas para a safra 2014/15 são positivas e, o rendimento das plantações podem alcançar 264,6 sacas por hectare, de acordo com dados reportados pela Bloomberg. A projeção, se confirmada, será 24% maior do que a média registrada ao longo da última década. Nesse momento, dois meses antes da colheita, as plantas apresentam raízes profundas e ampla umidade no solo.

A estimativa de rendimento está bem acima do projetado pelo USDA no último relatório de oferta e demanda, de 174,95 sacas por hectare. E no estado já há relatos de duas espigas na mesma haste, cenário ressaltado pelo analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari. 

Já em Iowa, a expectativa é que os produtores colham até 71,12 milhões de toneladas de milho na safra 2014/15. Superando o recorde de 2009, conforme informações de Agricultura do estado. Em todo o país, a expectativa da AgResource Co., é que a produção de milho da temporada totalize 368,32 milhões de toneladas. 

Entretanto, apesar desse cenário, já há preocupações em relação à armazenagem. "Não haverá espaço de armazenamento suficiente para todos os rendimentos extras neste outono", disse Roy Huckabay, vice-presidente executivo do Grupo Linn, em entrevista à Bloomberg.

Demanda


Para a demanda, a expectativa é que haja um aumento de 1,8%, para 966,3 milhões de toneladas nos 12 meses seguintes a 01 de outubro, segundo dados do USDA.  A produção de etanol, feito a partir do milho, subiu para 29,04 milhões de barris em maio, ante 6,8% em relação ao mesmo período de 2013 e a o maior registrado desde dezembro.

Inclusive, com os preços nos patamares mais baixos dos últimos 4 anos, a demanda tem se mostrado firme. Consequentemente, as cotações do cereal têm registrado algumas oscilações positivas, especialmente após as perdas expressivas. Entretanto, os analistas destacam que as notícias vindas do lado da demanda não são suficientes para ocasionar uma mudança no cenário fundamental.

Mercado interno

Durante todo o mês de julho, as cotações do milho praticadas no mercado interno estiveram pressionadas negativamente. Cenário decorrente, principalmente das recentes quedas registradas no mercado interno, aliada a evolução da segunda safra no Brasil. Em muitas localidades, apesar das preocupações em relação ao clima, a produtividade das lavouras têm surpreendido os agricultores.

Em Sapezal (MT), o rendimento das plantações deve ficar em média de 105 até 110 sacas por hectare nesta safra, conforme destaca o presidente do Sindicato Rural do município, Cláudio José Scariote. Frente a essa situação, os preços, em muitas regiões, estão abaixo do preço mínimo fixado pelo Governo e dificultado a comercialização do produto. 

As exportações também seguem lentas, situação que também contribui para pressionar as cotações. “Temos a sinalização de alta no dólar, sinalização de Chicago em relação os preços, e com esse incentivo de exportação, o demandador, quem precisa de milho, vai tentar antecipar as compras para tentar fugir desses fatores altistas. Então, logicamente se tiver Pepro com volumes importantes, 5 milhões de toneladas, e o governo sinalizar isso agora, logicamente irá estimular a demanda e fazer que produtor retarde a venda. E vendas retardadas e demanda aquecida, você vê os preços subirem”, acredita o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes.

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, durante essa semana, os preços permaneceram estáveis em Não-me-toque (RS), em torno de R$ 21,00 a saca, em Londrina (PR), a R$ 18,00 a saca, em São Gabriel do Oeste (MS), os preços permaneceram os mesmos em R$ 17,00 a saca. Já em Tangará da Serra (MT), os preços apresentaram alta de 4,00%, e subiram para R$ 13,00. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a cotação também aumentou 2,50% e aumentaram para R$ 20,50, já em Jataí (GO), a alta foi menos expressiva de 1,65%, e a saca do produto terminou a sexta-feira cotada a R$ 16,00. Em contrapartida, no Porto de Paranaguá, os valores recuaram 2,04% e terminaram o dia a R$ 24,00.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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