Milho: Com anúncio de leilão de Pepro, preços reagem no mercado brasileiro

Publicado em 05/08/2014 13:01 749 exibições

No mercado interno, as negociações do milho estão travadas. A situação é decorrente do anúncio do Governo, que deverá destinar cerca de R$ 500 milhões para a realização de leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural). As operações para aos estados de MT, MS, GO e BA, serão suficientes para o escoamento de 7 a 10 milhões de toneladas.

Em entrevista à Reuters Brasil, o Ministro da Agricultura, Neri Geller, sinalizou que o primeiro leilão deverá ser feito até o dia 15 de agosto. Por enquanto, não há definição a respeito dos prêmios que serão pagos aos produtores que participarem das operações.

Diante da notícia, o analista de mercado da Agrogt Corretora de Cereais, Gilberto Toniolo, explica que os agricultores estão retendo as vendas. "Temos uma nova situação no mercado brasileiro, essa informação travou as negociações. E já temos uma reação nos preços do cereal na BMF&Bovespa, no físico e na sequência deveremos ter uma modificação no indicador Esalq", diz o analista.

Além disso, a recente alta no câmbio, cotado nesta terça-feira (5) a R$ 2,27, com alta de 0,66%, também contribuiu para alavancar os preços praticados no Porto de Paranaguá. Na segunda-feira, o preço praticado no Porto fechou em R$ 24,50, com valorização de 2,08%. Na última sexta-feira, o valor de fechamento ficou em R$ 24,00.

Em contrapartida, os compradores que estavam adquirindo o produto da mão-pra-boca deverão retornar ao mercado. "Os compradores que estavam em uma zona de conforto, em função da oferta e preços mais baixos, estão com estoques mais curtos. Com isso, quem comprou o milho a R$ 23,50, já pagou R$ 24,50 hoje. Mas ainda temos que esperar o edital do leilão", explica.

E frente aos preços mais baixos praticados no mercado interno, devido ao avanço da colheita da segunda safra estimada em 46,19 milhões de toneladas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), vários representantes do setor já tinham solicitado a atuação do Governo por meio de políticas de apoio a comercialização. Após as altas registradas no início do ano, as cotações do milho recuaram expressivamente e, em muitas regiões, principalmente no Centro-Oeste do país estão abaixo dos valores mínimos fixados pelo Governo.

Bolsa de Chicago

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela no pregão desta terça-feira (5). As principais posições do cereal ampliaram as perdas durante os negócios e, por volta das 12h43 (horário de Brasília) exibiam quedas entre 3,75 e 4,25 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,54 por bushel.

Com foco na expectativa de safra cheia nos Estados Unidos na safra 2014/15, os preços do cereal já recuaram 13% somente esse ano, conforme informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg. De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em torno de 73% das lavouras do cereal apresentavam boas ou excelentes condições até o último domingo (3).

O índice está um pouco abaixo do registrado na semana anterior, de 75%. Em torno de 20% das plantações estão em condição regular e 7% registram condições ruins ou muito ruins. Até o momento, 90% das lavouras estão em fase de espigamento, contra 78% da semana passada.

Ainda de segundo o boletim, 36% das plantações estão em fase de enchimento de grãos. O percentual está em linha com a média dos últimos anos, mas acima do registrado no mesmo período do ano anterior, de 17%. 

E, nesse momento, as previsões climáticas apontam para o retorno das chuvas para o Meio-Oeste dos EUA. De acordo com o site internacional de notícias Dtn Progressive Farmer, a expectativa é que haja leves precipitações na Dakota do Sul e leste de Iowa. 

Com isso, na semana anterior, a FCStone projetou a safra norte-americana próxima de 367 milhões de toneladas, o número está acima da última previsão do USDA, de 353,97 milhões de toneladas. “Se no próximo relatório do departamento tivermos um número parecido com essa projeção da consultoria, o preço deve recuar. Porém, é difícil relatar o quanto as cotações ainda podem cair. Por enquanto, a perspectiva é de volatilidade, com tendência de baixa para os preços”, destaca Toniolo.

Demanda 

Diante dos preços mais baixos, os compradores retornaram à ponta compradora, situação que impulsionou as cotações do cereal no pregão desta segunda-feira. O USDA também reportou que os embarques semanais totalizaram 1.140,546 milhão de toneladas de milho na semana encerrada no dia 31 de julho. 

O número está acima do registrado na semana anterior, de 816,065 mil toneladas. No acumulado do ano, o país já embarcou cerca de 42.969,590 milhões de toneladas de milho.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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