Milho: À espera do USDA, mercado opera próximo da estabilidade na CBOT

Publicado em 11/08/2014 08:30 319 exibições

Na sessão desta segunda-feira (11), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiras altas, próximos da estabilidade. Por volta das 8h22 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam ganhos entre 0,50 e 1,00 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,52 por bushel.

Após as quedas registradas na semana anterior, o mercado testa uma recuperação nesse início de semana. Somente no último pregão, o contrato dezembro/14 registrou perda de 2,1%, a maior queda desde 18 de julho, conforme informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg.

Além disso, os investidores também buscam um melhor posicionamento, já que, nesta terça-feira (12) o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) irá divulgar novo boletim de oferta e demanda. De acordo com analistas e traders consultados por agências internacionais, a safra de milho dos EUA deverá totalizar 361,69 milhões de toneladas na temporada 2014/15. Número acima da expectativa do departamento, de 352,06 milhões de toneladas.

Do mesmo modo, a produtividade das lavouras deverá superar a projeção do USDA, de 174,95 sacas por hectare, e somar 179,92 sacas por hectare. A situação é decorrente das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da cultura. 

Ainda nesta segunda-feira, o órgão também irá reportar os números de acompanhamento da safra. Na semana anterior, cerca de 73% das plantações apresentavam de boas ou excelentes condições e 90% das lavouras estavam em fase de espigamento. No mesmo boletim, o USDA reportou que 36% das plantas estavam em estágio de enchimento de grãos.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira (8):

Milho: Em semana volátil, mercado acumula perdas de mais de 1,5%, já no Brasil preços estão estáveis

Mais uma semana de intensa volatilidade para os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). Durante o pregão desta sexta-feira (8), as principais posições do cereal ampliaram as perdas e fecharam o dia com quedas entre 7,75 e 8,00 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,51 por bushel. Ao longo da semana, as cotações perderam, em média, entre 1,54% e 1,96%. 

Nas sessões de segunda e quarta-feira, os futuros do cereal exibiram ganhos frente às notícias vindas do lado demanda. A situação já tinha sido sinalizada por analistas, que ressaltaram que os preços mais baixos estimulam a demanda. Atualmente, as cotações operam próximas dos menores patamares dos últimos quatro anos e tem atraído a atenção dos investidores que acabam retornando à ponta compradora do mercado cada vez que é observada uma queda mais expressiva.

Apesar disso, as notícias de vendas do produto norte-americano não são suficientes para ocasionar uma modificação no quadro fundamental, que permanece negativo. A expectativa é que nesta safra, haja um aumento na produção de milho dos Estados Unidos e mundial, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e também das consultorias privadas, situação que tem pressionados os preços da commodity, que já recuaram em torno de 13% desde o início do ano.

Somente os produtores norte-americanos deverão colher em torno de 352,06 milhões de toneladas com o cereal na temporada 2014/15, de acordo com projeção do USDA. A situação é reflexo do que é visto nas lavouras do país. Até o momento, as plantações, em sua maioria, apresentam boas condições e o clima tem sido bem próximo do ideal. Recentemente, o tempo um pouco mais seco chegou a ser preocupação dos agricultores, mas a situação não durou muito tempo, uma vez que as previsões climáticas já indicaram o retorno das chuvas para o Meio-Oeste do país. 

Diante desse cenário, os analistas destacam que a tendência é que os preços trabalhem com volatilidade nos próximos pregões. Entretanto, caso haja a confirmação de uma safra recorde nos EUA, as cotações podem apresentar novas quedas. 

Novo relatório de oferta e demanda

O USDA irá reportar na próxima terça-feira, o novo boletim de oferta e demanda dos EUA e mundial. Segundo com analistas e traders consultados por agências internacionais, a safra norte-americana de milho poderá totalizar 361,69 milhões de toneladas na temporada 2014/15, volume acima do previsto pelo órgão. Já a produtividade é estimada em 179,92 sacas por hectare, na última previsão, o USDA divulgou número de 174,95 sacas por hectare.

Na visão dos analistas, caso o departamento reporte um aumento na produção do país, os preços do milho podem registrar nova queda no mercado internacional.

Produção da China

Frente à seca na planície norte da China, a produção de milho do país pode cair pela primeira vez em cinco anos, conforme informações da consultoria Shanghai JC Intelligence Co. e reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg. A expectativa é que o país colha em torno de 200 milhões de toneladas de milho, número abaixo do recorde obtido na safra anterior, de 203 milhões de toneladas.

Além disso, os preços do cereal estão mais altos no mercado interno chinês e a expectativa é que os produtores de rações busquem alternativas, como o trigo. "Fábricas de rações irão querer usar mais trigo como substituto para o milho mais caro", disse Zhang Zhixian, analista da Cngrain.com, em entrevista à Bloomberg. "Materiais importados são certamente mais baratos, mas aumentar as importações é uma decisão do Governo", completou.

Importações mais baratas 

O milho produzido nos EUA e enviado aos Portos do Leste da China sairia em torno de 1.775 yuans por tonelada, ou cerca de 65% do valor praticado no mercado interno chinês, conforme dados da Shanghai JC. Desde novembro, o país adotou uma postura mais rígida em relação ao produto norte-americano devido à variedade geneticamente modificada MIR 162, não aprovadas pelo Ministério de Agricultura chinês.

Mercado brasileiro

Durante a semana, as cotações do milho negociadas no mercado interno brasileiro permaneceram estáveis nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em Jataí (GO), a saca do cereal subiu para R$ 16,30, uma valorização de 1,56% e, em contrapartida, no Porto de Paranaguá, a saca recuou para R$ 24,00, uma queda de 2,04%.

Após os ganhos registrados na semana anterior em algumas praças, cenário decorrente do anúncio das operações de Pepro, os preços se mantiveram estáveis essa semana. A Portaria Interministerial número 798, foi publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (6), e estabelece os parâmetros para os leilões de Pepro, porém, os produtores ainda aguardam os editais. Nesta quinta-feira, a assessoria de imprensa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) informou que aguarda um comunicado oficial do Mapa para a elaboração dos editais.

Enquanto isso, em São Gabriel do Oeste (MS), os preços do milho ainda não exibiram nenhuma valorização expressiva. A saca é cotada a R$ 16,00, mas as negociações permanecem lentas. E, de acordo com informações da Cooperoeste, os produtores esperam uma alta nos preços, para R$ 17,00 a R$ 17,50, para retornarem aos negócios.

A situação também se repete em Rondonópolis (MT), não houve alteração no cenário e as cotações giram em torno de R$ 15,00 a saca. Segundo informações da Diversa Corretora, os agricultores esperam um preço de R$ 17,00 ou R$ 18,00, que cobrem os custos de produção, para voltar a comercializar o produto.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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