Milho: Preços mais baixos estimulam a demanda e mercado termina sessão em campo positivo na CBOT

Publicado em 14/08/2014 17:53 376 exibições

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as principais posições do milho terminaram o pregão desta quinta-feira (14) em campo positivo. Ao longo das negociações, os vencimentos ampliaram os ganhos e fecharam o dia com altas entre 3,75 e 4,00 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,62 por bushel, alta de 1,12% em relação ao fechamento da sessão anterior, de US$ 3,58 por bushel.

De acordo com informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, o vencimento dezembro/14 subiu 1,1%, para US$ 3,73 por bushel. Mais cedo, o vencimento chegou ao patamar de US$ 3,74 por bushel, o maior para um contrato ativo desde 6 de agosto. Os preços se dirigiram para o quarto aumento em linha reta, rally mais longo desde 20 de fevereiro.

Frente aos preços mais baixos, os investidores voltaram à ponta compradora do mercado. Nesta quinta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou novo boletim de vendas para exportação. Até a semana encerrada no dia 07 de agosto, as vendas referentes à safra 2013/14 ficaram negativas em 117,2 mil toneladas. Na semana anterior, o volume reportado pelo departamento foi de 120,9 mil toneladas. 

Já em relação à safra nova, as vendas somaram no mesmo período 787,9 mil toneladas, contra 758,7 mil toneladas registradas na última semana. No acumulado do ano safra, os produtores norte-americanos já venderam 48.618,7 milhões de toneladas, frente as 48.770,0 milhões de toneladas estimadas pelo órgão.

Apesar dos cancelamentos da safra 2013/14, os números ficaram acima das projeções do mercado, de 750 mil toneladas de milho, entre safra velha e nova.

De acordo com o analista de mercado da Jefferies Corretora, Stefan Tomkiw, após o relatório da oferta e demanda reportado pelo USDA na última terça-feira, os preços tentam se manter próximos de US$ 3,60 por bushel, mas não tem forças para romper esse patamar para baixo. "Os rendimentos abaixo das expectativas do mercado frustraram os investidores. E as cotações buscam uma consolidação, mas acredito que ainda tenham força para algum repique, porém nada muito expressivo", destaca.

A perspectiva é que as cotações possam voltar ao patamar de US$ 4,00 por bushel, conforme destaca Tomkiw. "Além disso, o milho está bem barato em comparação com os preços históricos. E nos outros países como Brasil, Ucrânia não há problemas em relação à oferta", completa. 

Safra norte-americana

Até o momento, o clima permanece contribuindo para o desenvolvimento da safra nos EUA. Ainda segundo dados da Bloomberg, as temperaturas deverão ficar abaixo do normal em toda a região produtora de milho e soja nos próximos seis dias. Também há probabilidade de chuvas, principalmente no estado de Iowa, que se confirmadas, deverão beneficiar ambas as culturas. 

Mercado interno

A comercialização do milho no mercado brasileiro permanece lenta, já que os produtores seguram as vendas à espera dos leilões de Pepro. A primeira operação deverá ser realizada no dia 20 de agosto pela Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), no entanto, os valores dos prêmios ainda não foram definidos e deverão ser divulgados 48 horas antes do leilão.

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, as cotações permaneceram estáveis nas principais praças pesquisadas. Em Não-me-toque (RS) e Ubiratã (PR), as cotações ficaram em R$ 21,00 e R$ 18,50, respectivamente. Em Campo Novo do Parecis (MT), o preço permaneceu em R$ 12,00 e em Luís Eduardo Magalhães (BA) em R$ 19,00. No Porto de Paranaguá, a cotação estável em R$ 24,50 e em São Gabriel do Oeste (MS), única praça com variação, leve queda de 3,03%, e a saca é cotada a R$ 16,00.

"Temos uma melhora no câmbio e as origens brasileiras não vendem o milho à espera dos leilões de Pepro. Precisamos escoar um número próximo de 20 milhões de toneladas para ter preços com alguma margem ao produtor, especialmente no Centro-Oeste”, afirma o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes.

Mas, por enquanto, as exportações seguem um pouco mais lentas e a expectativa é que ganhem ritmo a partir do mês de agosto. Ainda na visão do consultor, o país precisa embarcar em média, 2,5 milhões de toneladas a partir desse mês para chegar próximo do estimado pela Conab, de 20 milhões de toneladas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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