Milho: Frente à expectativa de maior produtividade das lavouras dos EUA, mercado fecha pregão em queda

Publicado em 20/08/2014 17:36 330 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam a sessão desta quarta-feira (20) em campo negativo. Durante as negociações, os contratos até reduziram parte das perdas, mas terminaram o pregão com quedas entre 3,00 e 5,00 pontos. O vencimento setembro/14 recuou 0,83% e encerrou o dia cotado a US$ 3,59 por bushel.

Os preços da commodity tiveram mais um dia de queda refletindo as avaliações da expedição Pro Farmer. A comitiva tem percorrido o Meio-Oeste dos EUA e reportado as projeções para o rendimento das lavouras de milho norte-americanas para a temporada 2014/15. 

Em Ohio, a produtividade é estimada em 192,75 sacas por hectare, e na Dakota do Sul, o rendimento esperado é de 161,62 sacas por hectare. Ambas as projeções são superiores à média registrada em anos anteriores, de 154,67 e 159,82 sacas por hectare, respectivamente. Em Indiana, a produtividade esperada é de 196,1 sacas por hectare, acima do ciclo passado, de 177,1 sacas por hectare. O mesmo acontece em Nebraska, onde os produtores norte-americanos deverão colher 173,37 sacas por hectare, contra 163,95 sacas por hectare da safra passada.

Nesta quarta-feira, a expedição deverá percorrer Iowa e Illinois, dois principais estados produtores dos EUA. Porém, até o momento, as projeções reforçam o otimismo de que a produção norte-americana de milho será recorde nesta temporada, estimada em 356,43 milhões de toneladas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

As projeções positivas em relação à safra norte-americana são decorrentes do clima, que tem sido favorável ao desenvolvimento da cultura. E as previsões climáticas apontam para a ocorrência de chuvas em grande parte do Centro-Oeste do país, segundo dados do Serviço Nacional de Meteorologia. Com isso, os preços do cereal já recuaram em torno de 12% desde o início do ano.

Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, que está em Illinois, informou que as lavouras do cereal estão em fase de enchimento de grãos e, em algumas localidades, a colheita deve começar no máximo em um mês. “A safra caminha bem e os números reportados irão se confirmar. Alguns produtores esperam colher até 12.500 mil quilos por hectare. Tivemos um período de seca, em torno de 4 a 5 semanas, mas o solo do Meio-Oeste dá condições de manter a cultura, sem perdas, pois os produtores investiram em tecnologia e garantindo o final de safra satisfatório”, afirma. 

Comercialização da safra dos EUA

Em relação à comercialização da safra de milho, o consultor destaca que os produtores norte-americanos estão mais cautelosos, assim como os brasileiros. “Na Bolsa, os corretores apostam que o movimento de comercialização gira em torno de 20% a 25%, enquanto que, a média é de 45%. Os agricultores estadunidenses investiram nos dois últimos anos e tem parcelas para pagar, e o milho nesses níveis de US$ 3,50 por bushel deixa ao produtor um prejuízo de mais ou menos US$ 250,00 por hectare”, explica Brandalizze.

Produção de etanol

Até a semana encerrada em 15 de agosto, a produção de etanol dos EUA aumentou 0,64%, alcançando 937 mil barris diários. Na semana anterior, o volume produzido foi de 931 mil barris diários, conforme dados da AIE (Administração de Informação de Energia).
Do mesmo modo, os estoques de etanol dos EUA subiram de 17,760 milhões de barris, para 18,251 milhões de barris no mesmo período, o equivalente a alta de 2,76%. 

Mercado interno

De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, as principais praças, os preços do milho ficaram estáveis. Em São Gabriel do Oeste (MS), a cotação do cereal recuou 3,03%, para R$ 16,00 a saca. No Porto do Paranaguá, o valor também registrou leve queda de 0,83% e terminou o dia cotado a R$ 23,80. Em contrapartida, a saca do milho negociada em Jataí (GO), subiu 0,13% e encerrou a quarta-feira cotada a R$ 15,84. 

Ainda nesta quarta-feira, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) realizou o primeiro leilão de Pepro. Do volume total ofertado, cerca de 1,050 milhão de toneladas, a companhia negociou 898 mil toneladas de milho, equivalente a 85,52% do volume. Apenas as regiões Nordeste de Mato Grosso, que negociou apenas 8% das 100 mil toneladas ofertadas, e no MS, onde a negociação foi de 20% da quantidade total ofertada de 75 mil toneladas, a procura foi menor.

A expectativa dos analistas é que as operações do Governo reflitam nos preços praticados no mercado interno, mas, ainda assim, o país precisará das exportações para dar equilíbrio para o mercado.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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