Milho: Focado na safra dos EUA, mercado recua pelo 3º dia consecutivo em Chicago

Publicado em 27/08/2014 08:46 342 exibições

Pelo terceiro dia consecutivo, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) trabalham em queda. Nesta quarta-feira (27), por volta das 8h32 (horário de Brasília), as principais posições do cereal exibiam perdas entre 2,00 e 2,50 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,54 por bushel, após ter encerrado a última sessão a US$ 3,56 por bushel.

As cotações são pressionadas pela perspectiva de safra cheia nos Estados Unidos, uma vez que a maioria das culturas apresentam boas condições de desenvolvimento, conforme informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg. No Meio-Oeste do país, a umidade do solo é adequada e o tempo quente, previsto para essa semana, deverá ajudar no amadurecimento das plantas, segundo relatório da DTN.

No início da semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que cerca de 73% das lavouras apresentam boas ou excelentes condições, contra 72% registrado na semana anterior. Com isso, a perspectiva é que os produtores norte-americanos colham em torno de 356,43 milhões de toneladas.

Já a expedição Crop Tour, realizada pela Pro Farmer, a safra do país deverá totalizar 357,98 milhões de toneladas. Frente a esse cenário, os preços do cereal já acumulam perdas de 14% esse ano e no dia 12 de agosto, o vencimento setembro alcançou o patamar de US$ 3,58 por bushel, o mais baixo desde julho de 2010.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: Frente à previsão de chuvas nos EUA, mercado fecha em campo negativo e set/14 registra perda de 1,11%

Nesta terça-feira (26), as cotações do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão em campo negativo. Durante os negócios, as principais posições da commodity reverteram parte das baixas, mas terminaram o pregão com perdas entre 1,75 e 4,00 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,56 por bushel, desvalorização de 1,11% em relação ao dia anterior, quando o vencimento era negociado a US$ 3,60 por bushel.

Segundo o economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, a previsão de chuvas para alguns bolsões no Norte de Iowa e Sul de Minnesota pressionaram as cotações da commodity em Chicago. Conforme informações de agências internacionais de notícias, as precipitações, se confirmadas, poderão contribuir para a melhora das condições das lavouras. 

De acordo com o site Farm Futures, as condições permanecem favoráveis e sem nenhuma indicação que haverá uma geada precoce no Centro-Oeste do país. 

No final desta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que cerca de 73% das plantações registram condições boas ou excelentes. O índice está acima do registrado na semana anterior, de 72%. 

Em torno de 20% das lavouras apresentam situação regular e 7% registram condições ruins ou muito ruins. O órgão também reportou que cerca de 83% das plantações estão em fase de enchimento de grãos no país. Na semana passada, o percentual era de 70%.

"No caso do milho, ainda temos a dúvida, o plantio esse ano foi menor e a maturação está um pouco atrasada. Mas, se tudo correr bem, teremos uma produção recorde de milho nos EUA", explica o economista.

Os números da comitiva do Crop Tour, realizada pela Pro Farmer, indicam uma safra de 357,98 milhões de toneladas de milho para a safra 2014/15. A projeção está acima do estimado no último relatório de oferta e demanda do USDA, de 356,43 milhões de toneladas.

Na visão do consultor de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, os contratos do cereal encontram um piso no mercado internacional. "Porém, não descartamos mais uma queda nos preços com o início da colheita nos EUA", explica.

Ainda segundo os analistas, apesar da demanda aquecida, as informações não são suficientes para impulsionar mais expressivamente as cotações do milho no mercado internacional. 

Safra mundial de milho

Ainda segundo a Farm Futures, no Sul da Rússia, o clima deve permanecer quente e seco esta semana. Já na Ucrânia há melhores chances de precipitações, na China a área de produção também deve registrar temperaturas moderadas e há previsões de chuvas.

Mercado interno

As cotações do milho praticadas no mercado interno permaneceram, em sua maioria, estáveis nesta terça-feira, conforme levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas. Em Tangará da Serra (MT), a saca registrou uma elevação de 3,70% e era cotada a R$ 14,00, em Jataí (GO), a saca do cereal era cotada a R$ 16,06, com alta de 0,44%. Em contrapartida, em São Gabriel do Oeste (MS), o dia foi de queda de 3,13% e a saca do milho era negociada a R$ 15,50. 

Os produtores esperam o próximo leilão de Pepro, que será realizado na próxima quinta-feira (28). Na segunda operação, o volume total ofertado deverá ser de 1,750 milhão de toneladas de milho e a maior oferta terá origem no estado de Mato Grosso, com 1,450 milhão de toneladas. Os valores dos prêmios ainda não foram reportados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). 

A região 1, Norte de MT, irá ofertar 500 mil toneladas de milho, já a região2 – Centro Norte, a oferta será de 550 mil toneladas. Na terceira região – Centro Sul – a oferta será de 250 mil toneladas, enquanto que a região 4 – Nordeste – ofertará 100 mil toneladas e a região Sudeste, a região 5, com oferta de 50 mil toneladas.

Já em Goiás, a oferta definida pela companhia foi de 75 mil toneladas, mesmo número, do Mato Grosso do Sul. As novas regiões incluídas na operação, Oeste da Bahia, Sul do Maranhão e Sul do Piauí, a oferta será de 50 mil toneladas para cada localidade. 

Para o diretor de relações institucionais da Aiba, Ivanir Maia, a inclusão da região Oeste da Bahia na operação pode ser considerada um ponto positivo. “Entretanto, o volume ainda é pequeno, ao todo, temos cerca de 1 milhão de toneladas do cereal para ser negociada”, destaca.

Atualmente, a saca do cereal é cotada entre R$ 18,50 até R$ 19,50 na localidade, ambos os valores abaixo do preço mínimo fixado pelo Governo Federal, de R$ 21,60 a saca. “Ainda assim temos a preocupação, pois os produtores que não conseguirem participar do leilão poderão ter a comercialização prejudicada, já que o produto deverá ir para a região Nordeste, principal mercado consumidor do cereal produzido na nossa região”, ressalta Maia.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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