Milho: Com alta no trigo, mercado do cereal reage e exibe ganhos em Chicago

Publicado em 28/08/2014 09:11 e atualizado em 28/08/2014 11:07 633 exibições

Na manhã desta quinta-feira (28), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leves ganhos. Por volta das 9h12 (horário de Brasília), as principais posições do cereal registravam altas entre 0,75 e 1,50 pontos. O vencimento setembro/14 era negociado a US$ 3,56 por bushel.

O mercado esboça reação após as perdas acumuladas recentemente, acompanhando os futuros do trigo. Em meio às preocupações com o conflito entre Rússia e Ucrânia, que poderá prejudicar as exportações dos países, os contratos do trigo exibem ganhos entre 6,00 e 8,00 pontos em Chicago.

Em contrapartida, a perspectiva de produção cheia nos EUA na safra 2014/15 permanece sendo o principal fator de pressão nos preços. A projeção da comitiva Crop Tour, realizada pela Pro Farmer, é de safra ao redor de 357,98 milhões de toneladas de milho. 

Ainda nesta quinta-feira, o mercado aguarda os números de vendas para exportação, que será reportado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Mercado interno

A comercialização do milho no mercado brasileiro permanece travada. Nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, os preços são os mesmos praticados nesta quarta-feira (27). No Porto de Paranaguá, a cotação apresenta leve recuo de R$ 24,00 para R$ 23,50. Segundo o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, o demandador está em uma situação confortável e adquire o produto da mão pra boca. "Eles sabem que o Brasil tem estoques altos e compram o milho em pequenas quantidades para não alterar positivamente as cotações", explica.

Além disso, os produtores também aguardam o resultado do segundo leilão de Pepro, que está sendo realizado na manhã desta quinta-feira. Ao todo, a oferta é de 1,75 milhão de toneladas de milho. "Todo mundo aguarda as operações, pois só depois de uns dias conseguiremos ter um reflexo dos leilões no mercado", afirma Fernandes.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Milho: No Brasil, preços permanecem estáveis e produtores aguardam 2º leilão de Pepro

A quarta-feira (28) foi mais um dia de estabilidade para os preços do milho negociados no mercado interno. Segundo levantamento do Notícias Agrícolas, as cotações permaneceram estáveis, exceto em São Gabriel do Oeste (MS), onde a saca terminou o dia cotada a R$ 16,20, alta de 4,52%. Em Jataí (GO), a valorização foi menos expressiva, de 1,31% e a saca é negociada a R$ 16,27.

Os produtores aguardam pelo segundo leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor), que será realizado nesta quinta-feira (28). Ao todo serão ofertadas 1,75 milhão de toneladas de milho. As regiões contempladas são: Mato Grosso, Goiás, Norte de Mato Grosso do Sul, Oeste da Bahia, Sul do Maranhão e Sul do Piauí. No último leilão, a Conab negociou 898 mil toneladas, do total de 1,050 milhão de toneladas ofertadas.

Ainda nesta quarta-feira, o Governo confirmou a informação de que haverá leilão de AGF (Aquisição do Governo Federal) para 1,2 milhão de toneladas. A informação oficial deverá ser reportada na próxima semana.

“Por enquanto, não há regiões definidas, porém, as contempladas deverão ser aquelas, nas quais, o valor da saca do produto está abaixo do preço mínimo fixado pelo Governo e as que não estão sendo beneficiadas pelos leilões de Pepro”, diz Seneri Paludo, Secretário de Política Agrícola do Mapa.

Ainda assim, o analista de mercado da Agrinvest, Marcos Araújo, sinaliza que a tendência para o mercado é de pressão no curto prazo. “Temos muita concorrência com produtos de outras localidades. Em Bahía Blanca, na Argentina, o preço gira em torno de US$ 91,00 a tonelada e no Brasil a oferta é de US$ 110,00 por tonelada, uma diferença de US$ 7,5. E também temos a concorrência dos EUA, Ucrânia, Argentina e África do Sul”, explica.

No entanto, para médio e longo prazo, o mercado pode apresentar algumas modificações. O analista destaca que é preciso acompanhar as intenções de plantio para a safra de verão, já que, especialmente no sul brasileiro e na Argentina, a expectativa é que haja uma redução na área destinada ao cereal. “E com os preços mais baixos, a safrinha de milho de 2015 também pode ficar comprometida”, completa Araújo. 

Em Cascavel (PR), a saca do milho é cotada a R$ 18,50 e a expectativa é de redução na área de milho na safra verão. “Teremos um recuo de 60% na área do milho em comparação com a safra anterior, que também apresentou uma redução”, diz Jurandir Lamb, produtor rural do município. A situação é tão preocupante que os agricultores estimam uma queda na área destinada ao milho na próxima safrinha. “A opção deverá o trigo ou aveia para a cobertura do solo”, afirma o produtor.

Bolsa de Chicago

Na sessão desta quarta-feira (27), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram com leves baixas, próximos da estabilidade. Durante as negociações, as principais posições da commodity reverteram as perdas e fecharam o dia com leves quedas, de 0,25 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,56 por bushel.

Os participantes permanecem acompanhando as previsões climáticas para os Estados Unidos. Para o Meio-Oeste do país, a umidade do solo é adequada e o tempo quente, previsto para essa semana, deverá ajudar no amadurecimento das plantações, conforme relatório reportado pela DTN. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último domingo, cerca de 73% das lavouras apresentavam boas ou excelentes condições. 

Frente a esse cenário, a perspectiva é de safra de milho cheia nos EUA para a próxima temporada. De acordo com a expedição Crop Tour, realizada pela Pro Farmer, a safra do país deverá totalizar 357,98 milhões de toneladas. Frente a esse cenário, os preços do cereal já acumulam perdas de 14% esse ano e no dia 12 de agosto, o vencimento setembro alcançou o patamar de US$ 3,58 por bushel, o mais baixo desde julho de 2010.

Em contrapartida, a demanda pelo produto norte-americano permanece aquecida, mas os analistas relatam que os dados não são fortes o suficiente para ocasionar altas expressivas nos preços. Além disso, a expectativa dos participantes do mercado é que com o início da colheita da safra dos EUA, as cotações do cereal possam recuar ainda mais.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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