Milho: Com foco nos fundamentos, mercado registra queda pelo 2º dia consecutivo

Publicado em 03/09/2014 08:52 382 exibições

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços futuros do milho dão continuidade ao movimento de queda no pregão desta quarta-feira (3). Por volta das 8h51 (horário de Brasília), as principais posições do cereal exibiam perdas entre 2,25 e 3,00 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,53 por bushel.

A perspectiva de safra cheia nos Estados Unidos na próxima safra continua pesando sobre os preços da commodity. Além disso, o início da colheita em algumas localidades no Meio-Oeste do país também contribui para pressionar negativamente o mercado do milho.

Ainda nesta terça-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) revisou para cima de 73% para 74% o número de lavouras em boas ou excelentes condições. Cerca de 19% das plantações apresentam condição regular e 7% estão em situação ruim ou muito ruim. Anteriormente, os índices eram 20% e 7%, respectivamente. 

O departamento também reportou que em torno de 90% das lavouras do cereal estão em fase de enchimento de grãos, contra 83% da semana anterior. 53% das plantações apresentam a fase de milho dentado. Na semana anterior, o volume era de 35%.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira: 

Milho: No Brasil, negócios permanecem lentos e apenas 30% da safrinha foi comercializada

No Brasil, a comercialização do milho ainda segue lenta. Da segunda safra estimada em 46.872,6 milhões de toneladas, segundo última projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), apenas 30% foi comercializado, conforme relata o consultor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze.

E frente à recente queda nos preços do cereal praticados no mercado interno, os produtores seguram o produto. “Alguns agricultores relatam que só irão negociar a saca do produto no próximo ano. Esse ano, o investimento feito em silo bag, especialmente no Centro-Oeste foi alto. Em 2013, tínhamos milho a céu aberto no MT, e esse ano a situação é diferente”, destaca o consultor. Enquanto isso, os compradores seguem sem pressa e adquirem o grão da mão pra boca.

Ao todo, o Brasil tem um excedente de produção ao redor de 22,4 milhões de toneladas de milho esse ano. E as exportações são estimadas em torno de 20 milhões de toneladas pela Conab. Porém, até o momento, os embarques permanecem mais lentos. Em agosto, as exportações de milho totalizaram 2,458 milhões de toneladas, com média diária de 177 mil toneladas. 

O número ficou abaixo do esperado pelos participantes do mercado, que acreditavam que o volume pudesse alcançar 3 milhões de toneladas. Ainda assim, a quantidade embarcada representa um crescimento de 355% sobre o mês de julho.

De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, a terça-feira foi mais um dia de estabilidade para os preços do cereal nas principais praças pesquisadas. Apenas em Jataí (GO), a cotação recuou 5,00%, para R$ 15,77 a saca. No Porto de Paranaguá, o dia também foi de queda de 1,29%, para R$ 23,00 a saca de milho.

Bolsa de Chicago 

Enquanto isso, na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do cereal reverteram os ganhos do início da sessão e fecharam o dia com leves perdas, próximos da estabilidade. Os contratos do cereal terminaram o pregão com baixas entre 1,00 e 3,25 pontos. O vencimento setembro/14 perdeu 0,91% e encerrou cotado a US$ 3,55 por bushel.

No início da manhã desta terça-feira, as cotações foram influenciadas pela preocupação de intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia. Entretanto, ao longo das negociações, o mercado voltou a focar os fundamentos e voltou a cair. 

A expectativa de safra cheia nos EUA permanece pressionando as cotações do cereal no mercado internacional. Além disso, os participantes também esperam pelo novo boletim de condições de lavouras, que será reportado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta terça-feira. Na semana anterior, 73% das plantações registravam boas ou excelentes condições.

Embarques semanais

Outro fator que também pesou sobre o mercado foram os números dos embarques semanais do milho. Até o dia 28 de agosto, os embarques do cereal totalizaram 873.195 mil toneladas. Na semana anterior, o volume ficou em 1.102,685 milhão de toneladas. Até o momento, no acumulado do ano safra, os embarques são de 46.824,238 milhões de toneladas, número bem acima do acumulado do ano anterior, de 17.682,669 milhões de toneladas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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