Milho: Frente aos preços mais baixos, negociação continua lenta no Brasil, já na CBOT, semana termina com perda acima de 2,5%

Publicado em 12/09/2014 17:29 482 exibições

Durante essa semana, os preços do milho praticados no mercado interno estiveram, em sua maioria, estáveis. De acordo com o levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, em Ubiratã (PR), a queda semanal foi de 2,20%, com a saca cotada a R$ 17,80. Em Londrina (PR), o recuo foi de 1,16%, com a saca negociada a R$ 17,00. Em contrapartida, em Jataí (GO), o saldo da semana foi positivo, com valorização de 7,24% e a saca cotada a R$ 16,30, assim como, no Porto de Paranaguá, com ganho de 3,21% e a saca do milho negociada a R$ 22,50. 

Os analistas destacam que a comercialização do cereal ainda permanece lenta e, até o momento, pouco mais de 30% da safra tenha sido negociada. Diante dos preços em patamares mais baixos, principalmente em decorrência da perda registrada no mercado internacional e o menor valor observado nos Portos, os produtores têm adotado uma postura mais cautelosa em relação à comercialização. 

Por outro lado, as exportações não ganharam ritmo e a perspectiva é que o país tenha embarcado apenas 5 milhões de toneladas, contra 8 milhões de toneladas, registradas no mesmo período do ano anterior. Em setembro, nos cinco primeiros dias, as exportações totalizaram 340,5 mil toneladas de milho, com volume diário de 68,1 mil toneladas do grão.

O line-up de navios para o embarque do cereal também é baixo, de acordo com os analistas. E o sentimento é que as exportações não alcancem o projetado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 21 milhões de toneladas. Para alguns analistas, os embarques devem totalizar entre 15 a 17 milhões de toneladas, cenário que deverá impactar os estoques no próximo ano.

Enquanto isso, os produtores estão atentos aos leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) que, aos poucos, estão sendo realizados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A última operação, feita ontem, negociou 89,08% das 1,8 milhão de toneladas do cereal. A próxima operação será realizada na próxima quinta-feira (18), com volume total ofertado de 1,750 milhão de toneladas.

Entretanto, a perspectiva ainda é de pressão nos preços do milho. Na visão do consultor de mercado da FCStone, Étore Baroni, os produtores devem segurar o produto à espera de melhores oportunidades de comercialização. “No próximo ano, teremos outro cenário, com uma redução na área cultivada na safra de verão e também um possível recuo na área da safrinha. Quem puder, deve carregar e vender a conta gotas”, destaca o consultor.

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a semana com preços predominantemente mais baixos. Ao todo, as cotações futuras do cereal acumulam perdas entre 2,71% e 2,87%. A sessão desta sexta-feira (12), também foi de queda de 2,50 pontos nos vencimentos mais negociados. O contrato dezembro/14 encerrou o dia cotado a US$ 3,38 por bushel.

No pregão desta quinta-feira, as cotações da commodity atingiram o menor do patamar dos últimos quatro anos ao alcançar US$ 3,35 por bushel, menor nível desde 30 de junho de 2010, conforme dados da agência internacional de notícias Bloomberg. O mercado já vinha sendo pressionado pelas perspectivas de safra cheia nos Estados Unidos na temporada 2014/15.

Cenário confirmado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no relatório de oferta e demanda, divulgado nesta quinta-feira (11). O órgão estimou a safra norte-americana em 365,65 milhões de toneladas e a produtividade média em 181,72 sacas por hectare, ambas as previsões ficaram acima das expectativas dos participantes do mercado, fator que contribuiu para pressionar ainda mais as cotações do cereal.

A perspectiva de safra cheia no país é decorrente das condições climáticas, que tem sido favoráveis ao desenvolvimento da cultura desde o início da safra. E, apesar das previsões de temperaturas mais baixas em algumas localidades no Noroeste do Corn Belt, não são esperados danos significativos para o grão, segundo destaca o site Farm Futures. Para os próximos dias, a expectativa é de chuvas leves em boa parte do cinturão produtor de milho.

Já a demanda permanece aquecida, porém, não consegue ocasionar uma mudança nos preços. Nesta quinta-feira, o USDA reportou as exportações semanais em 1.904 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 4 de setembro. O volume ficou bem acima do divulgado na semana anterior, de 525,6 mil toneladas. Já hoje, o departamento anunciou a venda de 116 mil toneladas do grão, para destinos não revelados.

Ainda na visão da analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi, as exportações norte-americanas começam a ganhar força  partir de agora. Entretanto, a perspectiva de oferta maior ainda pesa nos preços, nesse momento. 

Safra da China

De acordo com informações do CNGOIC (Centro Chinês para Informações de Grãos, na sigla em inglês), a China deverá colher 213,8 milhões de toneladas de milho em 2014, a segunda maior da história. A projeção está acima do volume colhido no ano anterior, de 218,5 milhões de toneladas. As importações chinesas foram estimadas em 2,7 milhões de toneladas. 

Já o consumo no país foi projetado em 186,5 milhões de toneladas, um crescimento de 7 milhões de toneladas em relação ao ano passado. Ontem, o USDA projetou a safra em 217 milhões de toneladas, redução em comparação com o último relatório, de 222 milhões de toneladas, devido à seca registrada no país. 

Safra da Argentina

Segundo informações da Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou essa semana que, a safra da Argentina irá reduzir 570 mil hectares na safra 2014/15. Para a próxima safra, a expectativa é que os produtores plantem ao redor de 3 milhões de hectares, contra 3,57 milhões de hectares da safra anterior.

A redução é reflexo dos preços do cereal em patamares mais baixos. Além disso, a carga tributária no país e o custo com arrendamento são variáveis que interferem no mercado e influenciaram na decisão do agricultor argentino.

Veja como fecharam os preços do milho nesta sexta-feira:

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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