Milho: Frente ao avanço da colheita nos EUA, mercado registra leves quedas pelo 3º dia consecutivo

Publicado em 19/09/2014 08:27 219 exibições

Na sessão desta sexta-feira (19), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiras quedas. Pelo terceiro dia consecutivo, os preços da commodity trabalham do lado negativo da tabela e, por volta das 8h12 (horário de Brasília), os vencimentos registravam perdas entre 1,00 e 1,25 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,37 por bushel. 

Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, o mercado opera próximo das mínimas dos últimos quatro anos. Com o início da colheita, a pressão sobre as cotações é decorrente dos relatos vindos dos campos nos Estados Unidos, que confirmam as projeções de safra recorde de milho nesta temporada. De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) os produtores deverão colher cerca de 365,65 milhões de toneladas do cereal. 

E as previsões climáticas apontam para clima favorável nos próximos 7 dias, que deverão contribuir para os trabalhos nos campos. Enquanto isso, os mapas climáticos não apontam possibilidade de geadas nas próximas duas semanas. Por outro lado, os analistas destacam que a demanda tem sido modesta e insuficiente para enxugar o excesso de oferta no mercado.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

No Brasil, mercado de milho lento e sem perspectiva de melhora até final de 2014

Diante dos preços mais baixos, o mercado de milho brasileiro permanece travado. E apesar de que o Governo dar continuidade ao apoio à comercialização, através dos leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor), os preços praticados no mercado doméstico não conseguem expressar uma reação, conforme dados do Cepea, reportados essa semana.

Além disso, a queda registrada no mercado internacional também tem impactado as cotações do cereal no Brasil. Frente a esse cenário, boa parte dos produtores, em importantes regiões produtoras, ainda segura o produto à espera de melhores preços. Entretanto, de acordo com o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, alguns players já estão em busca de um mercado consumidor, para negociar o milho.

"Isso é para evitar um excesso de oferta no final do ano e tentar liberar espaço nos armazéns, já que no final do janeiro algumas localidades já começam a colheita da soja. A longo prazo, teremos a menor área plantada com o milho na safra de verão, situação decorrente da relação desfavorável entre o cereal e a oleaginosa, observado não só no Brasil, mas nos EUA e na Argentina”, explica Fernandes.

Com isso, em algumas regiões, onde o consumo do cereal é maior, devido à produção de proteína animal, o cenário pode ser mais favorável. "Mas, daqui até o final do ano, será difícil ver uma reação nos preços. O que pode contribuir é a instabilidade do câmbio que, em patamar mais baixo, pode corrigir a nossa competitividade", completa o consultor.

Porém, mesmo que os embarques brasileiros totalizem 16 milhões até 18 milhões de toneladas, os estoques, especialmente nos estados do Paraná e Mato Grosso, serão altos. Nos 10 primeiros dias úteis de setembro, as exportações somaram 865,4 mil toneladas. Ainda assim, o volume está 23,4% abaixo do registrado no mês anterior, e 9% do observado no mesmo período do ano passado.

Já, em relação à demanda, o consultor destaca que, continua forte para o produto do país. "É uma inverdade dizer que não temos demanda, temos quase US$ 1,00 acima de Chicago, mas com os atuais preços no interior, o produtor não vende", diz. 

Conforme levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, a quinta-feira foi de estabilidade nas principais praças pesquisadas. Em São Gabriel do Oeste (MS), o dia foi de queda de 0,66% e a saca terminou cotada a R$ 15,00. Em contrapartida, no Porto de Paranaguá, a valorização foi de 2,22%, com a saca do cereal negociada a R$ 23,00. 

4º leilão de Pepro 

A 4º operação feita nesta quinta-feira (18) negociou 93,17% do volume total ofertado, de 1,75 milhão de toneladas. A operação resultou em uma receita de R$ 111.492.624,27. A maior disputa aconteceu na região Sul do Maranhão, na qual, o valor do prêmio recuou de R$ 3,09 para R$ 1,77. 

Bolsa de Chicago

No mercado internacional, a sessão desta quinta-feira foi de queda para os contratos futuros do milho. Durante as negociações, os preços ampliaram as perdas e fecharam o dia com desvalorizações entre 3,25 e 3,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,38 por bushel. 

Pelo segundo dia consecutivo, o mercado recuou pressionado pelo avanço da colheita do cereal. Na visão do analista de mercado da Jefferies, Stefan Tomkiw, os reportes vindos dos campos ao Sul do Cinturão produtor de milho nos EUA são positivos. "Agora, o mercado aguarda os rendimentos das regiões mais importantes na produção do milho. Isso acaba oferecendo um estímulo vendedor ao mercado", afirma.

Por outro lado, o site Farm Futures, divulgou que o tempo seco sobre grande parte do Cinturão de Milho nos EUA nos próximos 7 dias deverá contribuir para os trabalhos nos campos, em áreas em que a cultura está madura. Além disso, o mais recente modelo americano de meteorologia não aponta chances de geadas nas próximas duas semanas.

Paralelo a esse quadro, a demanda permanece firme, mas, nesse momento, sem forças para ocasionar uma mudança no cenário fundamental, segundo relatam os analistas. Nesta quinta-feira, o USDA anunciou que, as exportações semanais, referentes à temporada comercial 2014/15, ficaram em 659.700 mil toneladas até a semana encerrada no dia 11 de setembro, número pouco acima da expectativa do mercado, de 650 mil toneladas. 

"A demanda tem sido modesta e insuficiente para enxugar o excesso de oferta no mercado. Nos últimos três anos, o mercado foi dominado pela demanda, em função das quebras nas safras", acredita Tomkiw.

Ainda na visão do consultor, Ênio Fernandes, o milho encontra suporte próximo de US$ 3,40 até US$ 3,50 por bushel. "Acredito que as cotações não irão cair mais, pois com os preços baixos, as origens americanas estão vendendo pouco. E nos EUA, a produção de etanol tem crescido, assim como, o consumo de ração, e ainda os números de exportação seguem bons. Também é preciso levar em consideração que, preços baixos aumentam o apetite dos compradores", finaliza.

Tags:
Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

0 comentário