Colheita alcança 7% nos EUA e milho recua pelo 2º dia consecutivo na CBOT

Publicado em 23/09/2014 09:39 292 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leves quedas no pregão desta terça-feira (23). Pelo segundo dia consecutivo, o mercado recua e, por volta das 8h43(horário de Brasília), os vencimentos da commodity exibiam perdas entre  1,00 e 1,50 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,29 por bushel.

Nesse momento, a perspectiva de safra recorde nos Estados Unidos, juntamente com o avanço da colheita ainda são os principais fatores de pressão sobre o mercado. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou a colheita do cereal em 7% da área cultivada, na semana anterior o índice era de 4%. Ainda assim, o volume ficou abaixo do esperado pelos participantes do mercado, entre 10% e 11%.

No mesmo período do ano anterior, a colheita também estava em 7%, mas a média para o intervalo é de 15%. E, por enquanto, as previsões climáticas apontam para tempo favorável nas próximas semanas, que se confirmadas, deverão contribuir para os trabalhos nos campos.

Já a demanda continua aquecida, mas ainda não é suficiente para ocasionar uma modificação no cenário. Nesta segunda-feira, os embarques do cereal foram indicados em 1.018,85 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 18 de setembro. Na semana anterior, o volume reportado foi de 741,23 mil toneladas.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Milho: Em Chicago, evolução da colheita nos EUA pesa e mercado fecha pregão em queda

No pregão desta segunda-feira (22), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o dia em campo negativo. Durante as negociações, as principais posições da commodity reverteram parte das perdas e encerraram a sessão com quedas entre 1,25 e 1,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,30 por bushel.

Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, os preços do milho atingiram os níveis mais baixos dos últimos quatro anos devido ao avanço da colheita do milho nos Estados Unidos. Ao longo da sessão desta segunda-feira, o dezembro/14 alcançou o valor de US$ 3,26 por bushel, o menor patamar desde 30 de junho de 2010. 

E a perspectiva é que a colheita do milho, estimada em 4% na última semana, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), avance para 11%, de acordo com pesquisa realizada pela agência. O departamento irá atualizar os números de acompanhamento de safras na tarde desta segunda-feira.

Na visão do economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o índice de colheita pode chegar a 10% e a perspectiva é que os trabalhos nos campos se intensifiquem nas próximas duas a três semanas. Após as especulações em relação ao clima, já que na última semana, as temperaturas caíram e houve até a ocorrência de geadas em algumas áreas no Meio-Oeste, mas sem danos significativos, a previsão é de clima favorável nas próximas semanas.

"As temperaturas máxima poderão alcançar 30º C nas próximas duas semanas, o que se confirmado, irá contribuir para a fase final de maturação da cultura e os trabalhos de colheita", afirma o economista.

Nesta temporada, a projeção é de safra recorde no país, acima de 365 milhões de toneladas, com produtividade média, em 181,72 sacas por hectare, conforme dados do USDA. Em contrapartida, esse cenário já tem sido precificado pelo mercado, tanto que desde do ano anterior, os preços do cereal recuaram mais de 60% no mercado internacional, de acordo com Motter.

Paralelo a esse quadro, as notícias de demanda dão certo suporte aos preços do cereal, entretanto são insuficientes para sustentar um movimento de alta expressivo. Ainda de acordo com os analistas, os números dos embarques semanais contribuíram para que as cotações futuras do milho revertessem parte das perdas no pregão desta segunda-feira. 

No relatório de inspeções de exportações reportado pelo USDA, os embarques do milho somaram 1.018,85 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 18 de setembro. Na semana anterior, o volume divulgado pelo departamento foi de 741,23 mil toneladas. A quantidade ficou acima das estimativas do mercado, entre 760 mil a 890 mil toneladas.

Até o momento, o acumulado na temporada totaliza 2.504,63 milhões de toneladas, enquanto que, no mesmo período do ano passado, o volume era de 1.176,88 milhão de toneladas. Em todo o ano comercial 2014/15, a perspectiva é que o país exporte 44,5 milhões de toneladas de milho.

Mercado interno

A segunda-feira foi de estabilidade nos preços do milho nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em São Gabriel do Oeste (MS), os valores registraram leve queda, de 0,98% e, fecharam o dia com preço de R$ 15,10 a saca. Em Jataí (GO), a perda foi de 0,43%, com a saca negociada a R$ 16,03. Na contramão desse quadro, o dia foi de valorização de 0,45% para os preços praticados no Porto de Paranaguá, que encerraram a segunda com preço de R$ 22,50.

À espera de uma modificação nos valores praticados, boa parte dos produtores brasileiros tem segurado o produto. Na região de Tapurah (MT), por exemplo, com as cotações baixas, ao redor de R$ 10,00 a R$ 11,00, grande parte da safra está armazenada em silo bolsa. Apenas negócios pontuais têm sido realizados.

O presidente do Sindicato Rural do município, Silvésio de Oliveira, destaca também a preocupação com a armazenagem do produto. “Ainda temos muito milho estocado em sio bolsa na região. Mas, os produtores têm prazo para fazer a negociação, já que no final de dezembro e janeiro temos a colheita da soja e não temos capacidade de armazenagem para duas safras”, diz.

Enquanto isso, as exportações totalizaram 1,817 milhão de toneladas, com média diária de 121,2 mil toneladas, até a terceira semana de setembro (15 dias úteis). Em comparação com o mês anterior, houve uma valorização de 3,5% na quantidade exportada, mas, ainda assim, uma queda de 26,2% em relação ao mesmo período de 2013.

Os embarques renderam uma receita de US$ 334,1 milhões ao Brasil, com média diária de US$ 22,3 milhões. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram reportados pela Secretaria de Comércio Exterior. 

Apesar da melhora, os analistas sinalizam que a perspectiva é que o país não consiga alcançar a estimativa da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento) de 21 milhões de toneladas para exportação. E, diante de todo esse quadro, a tendência é de preços pressionados até o final do ano, conforme acreditam os analistas. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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