Milho: Frente ao avanço da colheita norte-americana, mercado amplia perdas na CBOT

Publicado em 23/09/2014 13:07 250 exibições

Nesta terça-feira (23), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) intensificaram as perdas. Por volta das 12h21 (horário de Brasília), as principais posições do cereal registravam perdas entre 3,75 e 4,00 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,26 por bushel, contra US$ 3,29 por bushel exibido no início da sessão.

Pelo segundo dia consecutivo, o mercado opera do lado negativo com foco na evolução da colheita do grão norte-americano. No final desta segunda-feira (22), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que, cerca de 7% da área cultivada nesta safra já havia sido colhida. O percentual está acima do indicado na semana anterior, de 4%. Apesar do avanço, o número ficou abaixo das expectativas dos participantes do mercado, entre 10% a 11%. 

Na visão do analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, o avanço da colheita está confirmando a tendência de preços prevista para o segundo semestre. "Com uma safra recorde de mais de 365 milhões de toneladas, temos toda essa produção dos EUA para entrar no mercado, o que preocupa em termos de formação de preços", explica o analista.

Em relação ao mesmo período do ano passado, o número representa estabilidade, porém a média para o intervalo é de 15%. Paralelo a esse cenário, o site Farm Futures informou que, as temperaturas amenas deverão prevalecer e há uma tendência de aquecimento nas temperaturas para o país nos próximos 8 a 14 dias. Nesta semana, as chuvas devem ser limitadas para os estados de Nebraska e Kansas.

A demanda, outra variável do mercado, continua firme, mas sem forças para alavancar os preços do cereal. Nesta segunda-feira, os embarques do cereal foram indicados em 1.018,85 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 18 de setembro. Na semana anterior, o volume reportado foi de 741,23 mil toneladas.

"Em 2013, o mercado internacional ficou mais ajustado e a demanda cresceu um pouco, mas não o necessário para o padrão do período. Efetivamente, as cotações mais baixas estimulam a demanda, porém, a demanda deverá surgir após a colheita norte-americana e ao longo de 2015. Teremos que acompanhar para ver se será suficiente para trazer os preços entre US$ 1,00 ou US$ 2,00 para cima no próximo ano", diz Molinari.

Mercado interno

Sem alterações no cenário, a comercialização do milho caminha a passos lentos no mercado brasileiro e os preços ainda permanecem pressionados. De acordo com dados reportados pelo Cepea, em algumas localidades de Mato Grosso, as cotações praticadas têm sido sustentadas pelos leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor). Em torno de 21% da safra 2013/14 do estado já foi comercializada através das operações.

Entretanto, segundo informações do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) , o custo final de produção por hectare da safra 13/14 foi de R$ 1.723,46/ha. E considerando a produtividade, em média de 91,6 sacas por hectare, o preço necessário para que os custos fossem cobertos seria de R$ 18,82 saca. 

Enquanto isso, as exportações ainda estão ganhando ritmo e somaram 1,817 milhão de toneladas, com média diária de 121,2 mil toneladas até a terceira semana de setembro (15 dias úteis). Em comparação com o mês anterior, a quantidade embarcada representa uma alta de 3,5%, mas em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda é de 26,2%. 

“No Brasil, temos prêmios altos e o valor do milho para exportação está acima do registrado nos EUA. E a demanda acabará caminhando no sentido da safra norte-americana. Além disso, o Governo brasileiro cortou o volume de recursos para os leilões de R$ 500 para R$ 300 milhões. Até o momento, já foram utilizados ao redor de US$ 253 milhões, para o escoamento de quase 5,8 milhões de toneladas. Com isso, temos cerca de R$ 50 milhões para mais um leilão e nada mais. Então, se o mercado quiser mais exportação, teremos que vender na exportação, o que não está ocorrendo”, afirma o analista.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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