Milho: Com foco nas previsões climáticas para os EUA, mercado opera com leves quedas na CBOT

Publicado em 03/10/2014 09:38 214 exibições

Na sessão desta sexta-feira (3), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam próximos da estabilidade. Por volta das 9h03 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam leves perdas de 0,25 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,22 por bushel.

Apesar do cenário fundamental negativo, o mercado começa a absorver as informações sobre o clima nos Estados Unidos. De acordo com dados reportados pelo site internacional Farm Futures, há previsão de chuvas fortes nesta sexta-feira em algumas localidades do país. Já nos próximos 8 a 14 dias, as previsões indicam tempo frio e úmido.

As projeções, se confirmadas, poderão atrasar a colheita do milho norte-americano. No início dessa semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que cerca de 12% da área cultivada já havia sido cultivada. O departamento irá atualizar os números em novo boletim de acompanhamento de safras na próxima segunda-feira (6).

Enquanto isso, as informações da demanda são insuficientes para alavancar os preços. Nesta quinta-feira, o USDA indicou as vendas para exportação em 638,1 mil toneladas, até a semana encerrada no dia 25 de setembro, contra 836,3 mil toneladas divulgadas na semana anterior.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: Frente à alta do dólar e em Chicago, preço da saca no Porto de Paranaguá alcança R$ 23,50

Com a valorização da moeda norte-americana, aliado aos ganhos registrados na sessão desta quinta-feira (2) na Bolsa de Chicago, os preços do milho reagiram em algumas praças no Brasil. No Porto de Paranaguá, a valorização foi de 2,17%, aumento de R$ 0,50, com a saca do cereal cotada a R$ 23,50.

Em Campo Novo do Parecis (MT), o dia também foi de alta de 4,17%, com a saca do milho negociada a R$ 12,50 e em São Gabriel do Oeste (MS), a saca encerrou o dia cotada a R$ 15,50, com ganho de 1,97%. Nesta quinta-feira, o dólar fechou em alta de 0,28%, porém, na máxima do pregão a moeda chegou ao patamar de R$ 2,50, situação decorrente das especulações em relação às pesquisas eleitorais.

De acordo com os analistas, a perspectiva é que o câmbio mais alto estimule o interesse vendedor dos produtores rurais de algumas regiões do país. Por enquanto, com a queda nos preços, os negócios são lentos, uma vez que, de um lado os agricultores buscam melhores oportunidades, que cubram os custos de produção e de outro, os compradores adquirem o produto da mão pra boca. 

Em contrapartida, as exportações brasileiras ainda não ganharam ritmo. Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior, nos primeiros 9 meses de 2014, os embarques do cereal somam 11 milhões de toneladas. O número representa uma queda de 30% em comparação com o mesmo período de 2013.

Somente em setembro, as exportações ficaram em 2,68 milhões de toneladas, frente as 2,46 milhões de toneladas embarcadas em agosto. Já a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) projetou que as exportações deverão oscilar entre 2 milhões até 2,7 milhões de toneladas nos próximos meses, até o final do ano.

Ainda assim, os analistas destacam que a perspectiva do mercado é que os números não atinjam a estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para este ano, de 21 milhões de toneladas. Como consequência, as perspectiva é que os estoques de passagem da safra 2014/15 fiquem próximos de 15 milhões de toneladas, cenário que deve impactar na formação dos preços, conforme ressaltam os analistas.

Bolsa de Chicago

Ao longo dos negócios na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho reverteram as perdas e fecharam o dia com ligeiros ganhos. As principais posições da commodity terminaram o pregão com altas entre 1,50 e 1,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,22 por bushel.

As cotações futuras do cereal foram sustentadas pelas informações de que as chuvas deverão atrasar a colheita do grão nos Estados Unidos. Na sessão anterior, as previsões climáticas indicando precipitações para o Meio-Oeste do país já deram suporte aos preços. Até o último domingo, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), apontou os trabalhos nos campos em 12% da área cultivada.

Entretanto, apesar da ligeira alta de hoje, os fundamentos permanecem negativos e pesam sobre os preços do milho. Ainda nesta quinta-feira, a INTL FCStone estimou a safra dos EUA da temporada 2014/15 em 379,95 milhões de toneladas e a produtividade em 188,82 sacas por hectare.

No relatório anterior, divulgado no início de setembro, a previsão da consultoria era de uma safra de 370,73 milhões de toneladas, com rendimento médio de 184,27 sacas por hectares. Ambas as estimativas estão acima do que indicado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu último boletim de oferta e demanda, de 365,65 milhões de toneladas e produtividade de 181,72 sacas por hectare.

E, por enquanto, os relatos vindos das lavouras indicam um rendimento maior do que o projetado anteriormente. Diante desse quadro, o contrato dezembro/14 recuou ao patamar de US$ 3,18 por bushel, o mais baixo desde setembro de 2009. E os preços diminuíram pelo quinto mês consecutivo e 25% no último trimestre, conforme dados da Bloomberg.

Demanda 

Nesta quinta-feira, o USDA reportou a venda de 174 mil toneladas de milho para destinos não revelados foi suficiente para impulsionar os preços futuros do cereal. Já as vendas para exportação, somaram, até a semana encerrada no dia 25 de setembro, 638,1 mil toneladas, contra 836,3 mil toneladas divulgadas na semana anterior. 

O número ficou abaixo das expectativas dos participantes do mercado de 770 mil toneladas para essa semana. Da safra 2015/16, as vendas ficaram em 47,9 mil toneladas, frente as 270 mil toneladas reportadas na semana anterior. Para a safra nova, as vendas acumuladas nesta safra somam 14.513,6 milhões de toneladas. Para esta safra, o USDA aponta as exportações em 44.450 milhões de toneladas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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