Milho: mercado reverte e opera com ligeiras altas impulsionado pela demanda

Publicado em 16/10/2014 13:39 e atualizado em 16/10/2014 14:54 277 exibições

Durante as negociações desta quinta-feira (16) na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho reverteram as perdas e voltaram a trabalhar do lado azul da tabela. Por volta das 13h02 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam leves ganhos de mais de 3 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,50 por bushel, contra os US$ 3,46 por bushel registrado no início da sessão.

O foco do mercado ainda está no clima nos EUA, que nos últimos dias tem sido a principal variável de suporte aos preços do cereal. Entretanto, segundo informações das agências internacionais de notícias, as previsões climáticas indicam uma melhora nas condições climáticas para o Meio-Oeste do país, após as chuvas excessivas registradas recentemente. 

As previsões de chuvas para as próximas duas semanas se mantém limitadas, segundo dado do Maryland Commodity Weather Group. Até o último dia 12 de outubro, cerca de 24% da área cultivada havia sido colhida, conforme último boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). "Este rali recente foi provavelmente exagerado e uma oportunidade para os produtores realizarem algumas vendas", disse Brian Hoops, presidente da Midwest Market Solutions, em entrevista à Bloomberg.

Além disso, o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro, ressalta que mercado está muito especulado nesse momento. "Alguns fundos estão forçando este movimento de alta visando a oportunidade de realizar lucros mais adiante", diz o analista.

Outro fator que também contribuiu para a reversão das perdas ao longo dos negócios foi o anúncio da venda de 120 mil toneladas de milho para destinos não revelados, feita pelo USDA. O volume deverá ser entregue na temporada 2014/15. Já o relatório de vendas para exportação, importante indicador da demanda, deverá ser reportado nesta sexta-feira (17) pelo departamento norte-americano.

Paralelo a esse cenário, o analista ainda sinaliza que, as informações vindas do mercado financeiro também impactam as commodities agrícolas. "Algumas notícias sobre uma possível desaceleração na retomada da economia da zona do euro têm deixado os mercados financeiros mais agitados. E isso acaba refletindo nas commodities, já que muitos investidores migram suas posições para ativos mais seguros", explica Ribeiro.

Mercado interno

No mercado interno brasileiro, as exportações de milho somaram de janeiro a setembro em torno de 11 milhões de toneladas. Em seu último relatório, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou para baixo, de 21 milhões para 19,5 milhões a estimativa de embarques para esse ano.
"Com isso, teremos muito milho no mercado. E precisaríamos de uma grande redução na safra de verão para haver uma mudança substancial no cenário de milho", acredita o analista.

De acordo com dados da companhia, na safra de verão, os produtores brasileiros poderão colher entre 27 milhões até 29 milhões de toneladas. No ciclo anterior, foram colhidas mais de 31 milhões de toneladas do cereal. A redução na área cultivada e, consequentemente, na produção é decorrente dos altos custos de produção e dos preços mais baixos.

Enquanto isso, já começam a surgir no mercado especulações em relação ao atraso no plantio da soja, que irá comprometer a janela ideal de plantio da safrinha de milho em 2015. "E com a redução na primeira safra, teremos um volume menor de milho em fevereiro. Isso já tem impactado nos contratos na BMF&Bovespa, tínhamos um valor de R$ 24,60 para o contrato janeiro e hoje, temos o valor de R$ 27,10. Podemos ter uma quadro diferente para o milho mais adiante", destaca o analista de mercado da Bocchi Administradora de Negócios, Leonardo Mussury.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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