Milho: Com incertezas climáticas, preços sobem na BM&F e janeiro/15 chega a R$ 29,47 a saca

Publicado em 06/11/2014 09:27 e atualizado em 06/11/2014 12:48 355 exibições

As principais posições do milho negociadas na BM&F Bovespa operam do lado positivo da tabela no início da sessão desta quinta-feira (6). Por volta das 9h50 (horário de Brasília), o vencimento novembro/14 era cotado a R$ 27,29, com alta de 1,83% e o janeiro/15 negociado a R$ 29,47, com ganho de 2,33%. 

Como principal fator de suporte aos preços está a diminuição da área cultivada com o grão na safra de verão. Devido à diferença nos preços entre o cereal e a soja, boa parte dos agricultores optou pelo maior investimento na cultura da oleaginosa na 1ª safra. Em contrapartida, o atraso no plantio da soja, já que as chuvas permanecem irregulares em muitas localidades, já é uma preocupação, pois a situação compromete a janela ideal de plantio do milho na segunda safra. 

Por enquanto, as previsões climáticas apontam para chuvas nos próximos 15 dias. De acordo com a Climatempo, as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil devem receber precipitações entre 100 mm a 200 mm nos próximos dias.

Bolsa de Chicago

No início do pregão desta quinta-feira (6), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leves quedas. Por volta das 10h02 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam perdas entre 1,50 e 2,00 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,68 por bushel.

Segundo informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, o mercado é pressionado pelas especulações de que o relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) irá projetar um aumento na produção de milho e produtividade das lavouras. O novo boletim do órgão será reportado na próxima segunda-feira (10). 

A última projeção do USDA é de uma safra em torno de 367,69 milhões de toneladas do cereal. No entanto, os investidores apostam em uma safra ao redor de 369,74 milhões de toneladas. 

"Todo mundo está segurando o produto à espera do relatório do USDA", disse o corretor de grãos, Dave Norris, em entrevista à Bloomberg. "Todo mundo parece pensar que eles vão aumentar as estimativas de produção de novo para o milho e soja e as projeções dos rendimentos das plantas também", completa.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Milho: Frente às exportações aquecidas e valorização do câmbio, preços no Brasil têm mais um dia de alta

No Brasil, o mercado de milho ainda mantém a firmeza. Em Campo Novo do Parecis (MT), o valor saca subiu R$ 0,50, para R$ 15,00 nesta quarta-feira. Em Tangará da Serra (MT), a saca também aumentou para R$ 16,00, em Ubiratã (PR), o ganho foi de R$ 0,50, com a saca cotada a R$ 19,00. Na contramão desse cenário, no Porto de Paranaguá, a saca recuou para R$ 26,00, contra R$ 26,50, registrado no dia anterior.

O economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, destaca que o primeiro impulso para o movimento positivo foi dado há 15 dias, devido à alta do câmbio. "Isso viabilizou exportações espontâneas, tanto que o Governo suspendeu os leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor)", destaca.

As exportações de milho aumentaram 13,3%, na comparação entre setembro e outubro. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, até a quinta semana de outubro, o Brasil embarcou 3,178 milhões de toneladas, com média diária de 138,2 mil toneladas. E a expectativa do consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, é que em novembro, o número das exportações possa chegar a 3,5 milhões de toneladas.

Outro fator que também contribuiu para os ganhos nos preços foi a retenção do produto por parte dos agricultores. "O produtor que vinha segurando o milho, segurou ainda mais. As exportações espontâneas se complicaram, porém, como a oferta ficou limitada, os consumidores internos estão tendo que pagar mais alto", explica Motter.

Ainda assim, apesar da melhora, os negócios estão mais lentos. O economista sinaliza que os compradores estão mais ativos e os produtores mais retraídos, cenário que deixa o mercado mais firme. "No Oeste do PR, os compradores oferecem pela saca ao redor de R$ 23,00, mas os vendedores querem na faixa de R$ 23,50 a R$ 24,00", completa.

Segundo a projeção da INTL FCStone, os produtores brasileiros deverão colher em torno de 76,40 milhões de toneladas de milho, entre primeira e segunda safra. A projeção está pouco abaixo do número estimado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 77,78 milhões de toneladas. 

Já as exportações, para essa temporada, deverão totalizar 19 milhões de toneladas, contra 20 milhões de toneladas previstas pela companhia. No acumulado, entre janeiro e setembro, o Brasil conseguiu embarcar pouco mais de 11 milhões de toneladas. Porém, até a quinta semana de outubro, as exportações do cereal somaram 3,178 milhões de toneladas, com média diária de 138,2 mil toneladas.

O número representa um crescimento de 13,3% em relação ao mês anterior. “Temos grandes volumes sendo negociados e, com isso, a expectativa é que haja um equilíbrio maior entre a oferta e a demanda no mercado interno. Para novembro, podemos alcançar o patamar de 3,5 milhões de toneladas do grão exportadas", explica Brandalizze.

Paralelo a esse cenário, a demanda doméstica é projetada em 55,50 milhões de toneladas para a safra 2014/15, conforme dados da consultoria. Número pouco acima do indicado no último boletim da Conab, de 55,00 milhões de toneladas. Com isso, o país ficaria com estoques finais ao redor de 16,35 milhões de toneladas, uma redução de quase 3 milhões de toneladas, em relação à estimativa da companhia, de 18,34 milhões de toneladas. 

E fazendo as contas entre as projeções da INTL FCStone entre a oferta e da demanda, resultaria em uma relação estoque/uso, de 21,9%. O número é inferior ao divulgado pela companhia de 24,5%.

BM&F

Os futuros do milho na BM&F Bovespa terminaram o pregão em campo misto. As primeiras posições fecharam o dia em queda e os contratos mais distantes exibiram leves altas. O vencimento março/14 encerrou a quarta-feira com valorização de 0,03%, cotado a R$ 29,09 a saca.

Na visão do economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, a redução da área destinada ao milho na safra de verão e às incertezas em relação ao clima no Brasil são fatores positivos aos preços. Até o momento, o plantio da soja permanece atrasado no Brasil, especialmente na região Centro-Oeste, em função da irregularidade das chuvas. 

De acordo com informações da Climatempo, no mês de novembro receberá mais precipitações. Para os próximos 15 dias, são previstas chuvas entre 100 mm a 200 mm, no Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. "As previsões consistentes e chuvas confirmadas acabam pressionando os preços. Porém, a hora da verdade está chegando, a partir de 12 a 13 de novembro, se as chuvas ainda estiverem irregulares, o mercado será francamente altista. Tudo está nas mãos do clima", explica Motter.

Entretanto, apesar das precipitações, em muitas localidades a situação já afetou e até mesmo comprometeu a janela ideal de plantio do milho safrinha. O cenário tem preocupado os agricultores e, muitos já estão revisando o planejamento para o próximo o ano.

Bolsa de Chicago 

Em uma sessão volátil, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão desta quarta-feira (5) em campo positivo. Ao longo das negociações, as principais posições do cereal reverteram as perdas e encerraram o dia com altas de 5,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,70 por bushel.

O economista da Granoeste Corretora de Cereais diz que, após as quedas, o mercado fechou em alta, devido ao movimento de compras especulativas. Além disso, a retenção do produto por parte dos produtores norte-americanos também deram tom positivo aos negócios no mercado internacional.

E à medida que agricultores conseguem evoluir com a colheita do cereal nos EUA, o mercado fica mais pressionado. Essa é a terceira queda consecutiva registrada nos preços futuros do milho. Cerca de 65% da área cultivada nesta temporada foi colhida até o último domingo (2), segundo relatório de acompanhamento da safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Em uma semana, os produtores conseguiram evoluir em 19% na área colhida, o último número era de 46%. "As previsões meteorológicas continuam a sugerir condições largamente favoráveis para a colheita", disse a consultoria Commonwealth Bank, em entrevista à Bloomberg.

E, por enquanto, os modelos não indicam outro importante evento de precipitação no Meio-Oeste dos EUA até meados de novembro, ainda conforme dados da agência. Somente esse ano, os preços da commodity recuaram 14% sobre as perspectivas para uma colheita recorde.

Por outro lado, as informações vindas do cenário econômico, especialmente a redução na projeção de crescimento para a zona do euro também influenciam o mercado. Para a Comissão Europeia, o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro deverá crescer 1,1% em 2015, menor do que a projeção de 1,7%. "E menor crescimento econômico representa menor demanda por commodities", disse o economista Roberto Troster, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Os participantes do mercado também já começam a se posicionar melhor, já que na próxima segunda-feira (10), o USDA irá atualizar os números de oferta e demanda. No último boletim, o órgão indicou a produção de milho dos EUA da safra 2014/15 em 367,69 milhões de toneladas. 

No entanto, a aposta do mercado é que o departamento aumente a estimativa para algo próximo de 369,74 milhões de toneladas. A produtividade das lavouras, projetada em 184,37 sacas por hectare, também deve ser revista, uma vez que os relatos vindos dos campos norte-americanos são positivos.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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