Milho: À espera do USDA e com perspectiva de progresso na colheita nos EUA, mercado opera com leves quedas nesta 6ª feira

Publicado em 07/11/2014 08:25 113 exibições

Após duas sessões em alta, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leve queda na manhã desta sexta-feira (7). Por volta das 9h11 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam perdas entre 2,00 e 2,25 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,69 por bushel.

Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, o progresso da colheita nos EUA pesam sobre o mercado. Inclusive, esse foi um dos fatores que fizeram com que o mercado reduzisse os ganhos no final do pregão anterior. Em seu último boletim, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontou que cerca de 65% da área cultivada já havia sido colhida até o último domingo.

O órgão irá atualizar os números na próxima segunda-feira (10). Também na segunda-feira, o departamento divulgará o novo relatório de oferta e demanda. Com isso, os investidores já buscam um melhor posicionamento, uma vez que as perspectivas iniciais indicam que o USDA deverá revisar para cima tanto a estimativa de produção no país, como a produtividade das lavouras. 

"Todo mundo está segurando o produto à espera do relatório do USDA", disse o corretor de grãos, Dave Norris, em entrevista à Bloomberg. "Todo mundo parece pensar que eles vão aumentar as estimativas de produção de novo para o milho e soja e as projeções dos rendimentos das plantas também", completa.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: No Brasil, preços avançam com valorização do dólar e ganhos na CBOT; em Paranaguá valor sobe 3,85%

No mercado interno, os preços do milho registraram mais um dia de ganhos. Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, em Londrina (PR), a cotação subiu para R$ 19,00, com ganhos de 1,06%, em São Gabriel do Oeste (MS), o avanço foi mais expressivo, de 6,49%, com a saca do milho negociada a R$ 19,70.

Em Jataí (GO), a saca subiu para R$ 20,20, alta de 1,00%. Já no Porto de Paranaguá, o dia foi de valorização de 3,85%, com a saca cotada a R$ 27,00, em reação ao dia anterior, o preço praticado avançou R$ 1,00. Nas demais praças pesquisadas o dia foi de estabilidade.

Como principal fator de suporte ao mercado de milho está a valorização registrada no câmbio. Nesta quinta-feira, a moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 2,56, com ganho de 1,82%, esse é o maior patamar de fechamento desde abril de 2005. Conforme dados da agência Reuters, nas últimas cinco sessões, o dólar acumula alta de 6,35%.

As altas registradas têm contribuído para o crescimento das exportações brasileiras, de acordo com os analistas. Somente em outubro, os embarques de milho foram estimados em 3,178 milhões de toneladas. E, no acumulado de janeiro a setembro, o volume exportado é superior a 11 milhões de toneladas. A perspectiva é que em novembro, o número fique próximo de 3,5 milhões de toneladas.

Ainda assim, apesar da melhora nos preços, os agricultores brasileiros ainda estão cautelosos na comercialização do cereal. A tendência, de acordo com os analistas, é que no início do próximo ano, os produtores tenham melhores oportunidades de negociação para o milho.

BM&Bovespa

Nesta quinta-feira, os futuros do milho na BM&F Bovespa ampliaram os ganhos ao longo da sessão. As principais posições da commodity terminaram o dia com valorizações expressivas entre 2,18% a 3,30%. O contrato março/15 era cotado a R$ 29,90, com alta de 2,78%. Mais cedo, o vencimento era negociado a R$ 29,58 a saca.

De acordo com o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano, o mercado têm sido impulsionado pela perspectiva de menor oferta de milho no próximo ano. Algumas consultorias já apostam em um número entre 68,6 milhões a 69 milhões de toneladas para a safra de milho total. Em sua última estimativa, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicou a produção brasileira em 77,78 milhões de toneladas, entre primeira e segunda safra.

"Com o retorno das chuvas, os produtores conseguiram retomar o plantio da soja e colherão o grão em fevereiro, com isso, teremos tempo para para semear o milho. Ainda assim, é esperada uma redução na área de cultivo do cereal, entre 30% a 35%, especialmente na região Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, não só pelo período da janela ideal, mas também por fazer parte do planejamento dos produtores", destaca Mariano.

Consequentemente, o analista sinaliza que, a oferta será restrita mais adiante e as indústrias terão que garantir o abastecimento, cenário que deverá manter a firmeza no mercado de milho. "No caso do cereal, o produtor ainda tem tempo de especular, não temos uma garantia de que haverá abundância de oferta no segundo semestre de 2015. Podemos trabalhar com preço um pouco melhor e o agricultor poderá ter melhores oportunidades de negócios a partir de janeiro e fevereiro", ressalta Mariano.

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão desta quinta-feira (6) em campo positivo. Ao longo dos negócios, os contratos do cereal reduziram as altas, porém, ainda assim, conseguiram manter os ligeiros ganhos entre 1,00 e 1,25 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,71 por bushel.

De acordo com informações reportadas pelo site internacional Farm Futures, o mercado ainda encontrou suporte nos ganhos registrados nos futuros da soja. Em contrapartida, os relatos de avanço na colheita do milho norte-americano e os números das vendas para exportação mais fracos, divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) pesaram sobre os preços, o que fez com o que mercado devolvesse parte das valorizações. 

Até o dia 30 de outubro, cerca de 478,1 mil toneladas do grão foram vendidas, conforme dados do departamento norte-americano. O número representa uma queda de 2% em relação a semana anterior, na qual, em torno de 489,9 mil toneladas foram vendidas.

O volume anunciado também representa uma queda de 55% em comparação com a média das últimas 4 semanas. Ainda segundo o departamento norte-americano, no acumulado do ano, 43% da estimativa para exportação, de 44.450,0 milhões de toneladas, já foi comprometida, o equivalente a 19.220,4 milhões de toneladas.

E, além desses fatores, os investidores já começam a se posicionar para o novo relatório de oferta e demanda do USDA, que será divulgado na próxima segunda-feira (10). A perspectiva dos participantes do mercado é que órgão revise para cima das projeções para a safra de milho dos EUA, assim como, a produtividade das lavouras.

A última projeção do USDA é de uma safra em torno de 367,69 milhões de toneladas do cereal. No entanto, os investidores apostam em uma safra ao redor de 369,74 milhões de toneladas. 

"Todo mundo está segurando o produto à espera do relatório do USDA", disse o corretor de grãos, Dave Norris, em entrevista à Bloomberg. "Todo mundo parece pensar que eles vão aumentar as estimativas de produção de novo para o milho e soja e as projeções dos rendimentos das plantas também", completa.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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