Milho: Mercado dá continuidade ao movimento negativo e exibe leves quedas nesta 2ª feira na CBOT

Publicado em 17/11/2014 08:27 e atualizado em 17/11/2014 12:16 180 exibições

No início da sessão desta segunda-feira (17), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com leves quedas. Por volta das 9h10 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam perdas entre 2,00 e 2,25 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,79 por bushel.

O mercado dá continuidade ao movimento de perda registrado desde a última sexta-feira (14), após as recentes altas observadas. A perspectiva é que os produtores norte-americanos tenham evoluído com a colheita do milho nos EUA durante a semana anterior, apesar da  neve em algumas regiões no país, conforme dados do site internacional Farm Futures.

Ainda hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) irá reportar novo boletim de acompanhamento de safras no final da tarde. O órgão também divulgará os números dos embarques semanais, importante indicador da demanda.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Milho: Em Paranaguá, preço sobe 7,41% na semana frente à alta do dólar

No Porto de Paranaguá, o preço da saca do milho conseguiu se sustentar e terminou a sexta-feira negociada a R$ 29,00, na estabilidade. Ao longo dos negócios, a cotação chegou a R$ 29,50, porém, com a redução dos ganhos do dólar registrada no final do dia pesou sobre os preços do cereal. Ainda assim, o preço acumula alta de 7,41% na semana.

A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,60, com leve alta de 0,23%. Mas, ao longo desta sexta-feira, chegou a R$ 2,63, maior patamar desde 5 de abril de 2005, conforme informações reportadas pela agência Reuters. A queda observada nos preços na Bolsa de Chicago também influenciaram negativamente as cotações.

Na visão do consultor de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, destaca que os preços do milho são os melhores do ano. "No Brasil, temos uma alta média de R$ 6,00 nos últimos 45 dias. E o câmbio forte tem favorecido as exportações do cereal", diz.

E com a recente valorização nas cotações, o consultor também destaca que é momento do produtor rural vender o excedente de milho dessa safra. "No milho, temos um risco grande, pois os estoques de passagem são altos. E em algum momento, os preços poderão recuar principalmente à medida que a safra de soja chegar e o agricultor terá que vender o grão para estocar a oleaginosa", alerta.

No mercado interno, a semana também foi de alta para os preços. De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, em Não-me-toque (RS), a saca terminou a sexta-feira com ganho de 2,22%, negociada a R$ 23,00. Em Ubiratã (PR), os preços subiram 5,26%, com a saca cotada a R$ 20,00.

Em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas no Mato Grosso, os preços registraram valorizações de 6,06% e 6,67% e com a saca negociada a R$ 17,50 e R$ 16,00, respectivamente. Em São Gabriel do Oeste (MS), os ganhos são de 3,54% e saca era cotada a R$ 20,50, em Jataí (GO) a semana também foi de alta de 3,79%, com a saca negociada a R$ 21,66.

Apesar da recuperação, em algumas regiões, como é o caso de Assis Chateaubriand (PR), a saca é cotada a R$ 19,50, mas os produtores não estão negociando o produto. "A comercialização está parada na nossa região, esperamos um valor entre R$ 23,00 a R$ 25,00 pela saca do produto para retornarmos aos negócios", afirma o agricultor do munícipio, Edson Martins Jorden.

BM&F Bovespa

As principais posições do milho na BM&F Bovespa terminaram a sessão desta sexta-feira (14) com ligeiros ganhos. O vencimento março/15 era cotado a R$ 32,30 a saca, com ganho de 0,40%. A semana também foi positiva, com altas acumuladas entre 1,07% e 5,56%. 

Os investidores ainda especulam sobre as perspectivas de menor oferta no Brasil no próximo ano. Na safra de verão, em muitas regiões, o milho perdeu espaço para a soja devido à diferença nos preços das duas commodities. Além disso, com o clima irregular no país, a semeadura da oleaginosa permanece atrasada, o que estreita a janela ideal de plantio do cereal na segunda safra.

Diante desse quadro, as estimativas iniciais indicam uma possível redução na área plantada com o cereal na próxima safrinha. Ao longo dessa semana, a Aprosoja MT, divulgou que na região Leste do estado, a área cultivada com o grão pode registrar uma redução de até 40%. No Oeste e Sul, a diminuição pode chegar a 15% e no Norte a 30%. 

A situação também se repete em outras regiões pelo país e tem servido de suporte aos preços, especialmente na BM&F Bovespa. Ainda na visão do produtor rural de Assis Chateaubriand (PR), outro fator que também pode ocasionar uma redução na área destinada ao milho é o custo de produção.

"Os primeiros pacotes para a safrinha de milho giram em torno de R$ 3.800 por alqueire na nossa região. Com isso, precisaremos de 160 a 170 sacas para cobrir os custos de produção. A expectativa é que os investimentos em tecnologia e adubos sejam menores na próxima safrinha", explica Jorden.

China

Em visita à China, o atual ministro da Agricultura, Neri Geller, tenta um acordo para a abertura do mercado para o milho do Brasil. Por enquanto, o compromisso ainda não firmado, porém, deverá ser consolidado na próxima reunião realizada neste sábado (15). Para o ministro, o objetivo da medida é solucionar o problema do excedente da produção brasileira que, se oficializada, deverá beneficiar, principalmente a região Centro-Oeste.

Bolsa de Chicago

Após quatro pregões consecutivos em alta, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago terminaram a sexta-feira do lado negativo da tabela. Os principais vencimentos da commodity exibiram perdas de mais de 4,50 pontos. E o contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,81 por bushel.

Porém, no acumulado da semana, os futuros registraram valorização entre 2,71% e 3,25%. E os vencimentos mais curtos se aproximam dos US$ 4,00 por bushel e os mais longos já estão acima desse patamar, como é o caso do maio e julho/15.

Os preços da commodity subiram desde a última segunda-feira e, aumentou as altas depois do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ter revisado para baixo a previsão para a produção do grão e os estoques nos EUA. No primeiro dia dessa semana, o contrato dezembro/14 era negociado a US$ 3,69 por bushel.

As previsões climáticas apontando para a chegada do frio no país ainda contribuem para sustentar os preços. Por enquanto, a projeção é que uma massa de ar ártico derrube as temperaturas, que poderão ficar até 40 graus abaixo do registrado nessa época do ano. 

A onda de frio deverá durar até a próxima semana, conforme informações das agências internacionais. E, consequentemente, os produtores terão que demandar mais milho e farelo de soja para a produção de ração e alimentação dos animais.

Ainda nesta sexta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou novo boletim de vendas para exportação. Até o dia 6 de novembro, as vendas do milho ficaram em 505,300 mil toneladas. O número ficou pouco acima das expectativas do mercado, de 500 mil toneladas.

No entanto, o percentual representa um aumento de 6% em relação à semana anterior, mas, ainda assim, está 49% abaixo da média das últimas quatro semanas. O principal comprador do produto norte-americano foi o Japão. Até o momento, no acumulado do ano safra, as vendas de milho dos EUA somam 19.725,7 milhões de toneladas. A estimativa do USDA é de 44.450,0 milhões de toneladas do cereal para a temporada.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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