Milho: Nos EUA, colheita chega a 94% e mercado exibe leves quedas no início desta 3ª feira

Publicado em 25/11/2014 08:33 e atualizado em 25/11/2014 12:14 278 exibições

No início do pregão desta terça-feira (25), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiras desvalorizações. Por volta das 9h19 (horário de Brasília), as principais posições do cereal registravam quedas entre 0,50 e 0,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,67 por bushel.

O mercado tenta se manter próximo da estabilidade, porém é pressionado pelo avanço da colheita do cereal nos Estados Unidos. De acordo com os dados reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em seu novo boletim de acompanhamento de safras, apontou que cerca de 94% da área cultivada foi colhida até o último domingo.

O número ficou em linha com as estimativas dos participantes do mercado e representa um aumento de 5% em relação à semana anterior, quando 89% da área havia sido colhida. Além disso, os números dos embarques semanais, também divulgados nesta segunda-feira pelo departamento norte-americano, ficaram aquém das perspectivas do mercado. 

Até o dia 20 de novembro, os embarques semanais totalizaram 529,80 mil toneladas de milho. Os investidores apostavam em um percentual entre 560 até 810 mil toneladas para essa semana.Na semana anterior, o percentual ficou em 401,11 mil toneladas.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Milho: Apesar da queda no mercado internacional, preços no Brasil permanecem estáveis frente à demanda firme

Nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, a segunda-feira (24), foi de estabilidade aos preços do milho. De acordo com levantamento, em Não-me-toque (RS), a cotação da saca do cereal subiu 2,17% e terminou o dia cotada a R$ 23,50. Em contrapartida, em São Gabriel do Oeste (MS), a cotação recuou 4,88% e a saca era negociada a R$ 19,50, já em Jataí (GO), a queda foi maior de 7,95%, com a saca do milho a R$ 20,25.

No Porto de Paranaguá, os preços se mantiveram em R$ 27,50 a saca do cereal. Mesmo com a alta registrada no dólar, a moeda norte-americana terminou o primeiro dia da semana cotada a R$ 2,5488 na venda, com a ganho de 1,08%, as perdas observadas no mercado internacional encobriram os ganhos do câmbio.

O mercado ainda encontra suporte na demanda aquecida e as incertezas em relação à safra brasileira. A demanda pelo produto do Brasil e da Argentina permanece firme, uma vez que o cereal está mais barato do que o grão norte-americano. "Já a oferta está restrita por conta do atraso no plantio da soja no Brasil e, por consequência, a possibilidade de redução na área do cereal na segunda safra", afirma o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano.

Para a primeira safra, as projeções dos analistas indicam para uma diminuição entre 20% a 25% da área cultivada. Somente na região de Erechim (RS), os produtores reduziram entre 70% a 80% a área semeada com o grão na safra de verão. E, por enquanto, a estiagem que já dura 15 dias não compromete as lavouras do cereal. Entretanto, a preocupação é com o ataque de pragas, como a lagarta do cartucho, que tem preocupado os agricultores.

“Em relação às chuvas, como as lavouras ainda não estão em fase de pendoamento conseguem aguentar a estiagem. Porém, o surgimento das lagartas é uma apreensão, pois como as plantas estão mais altas devido ao estágio de desenvolvimento, o controle será mais difícil”, destaca o presidente do Sindicato Rural do município, João Picolli.

Por outro lado, a safrinha brasileira é uma incerteza, já que com o atraso no cultivo da soja houve, em muitas regiões, o comprometimento da janela ideal de plantio do milho safrinha. E os primeiros relatos vindos dos campos apontam para uma redução na área plantada com o grão, como também uma diminuição nos investimentos em tecnologia para a próxima safrinha.

Ainda assim, o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, sinaliza que, o dólar tem contribuído e deixado os preços do produto mais competitivos. "Além disso, temos os produtores norte-americanos que estão dando preferência à comercialização da soja nesse momento e o mercado de proteína animal segue forte, aumentando o consumo de farelo", afirma.

O consultor ainda ressalta o profissionalismo por parte do agricultor brasileiro na hora da negociação. "Quando os preços começam a cair, eles - produtores - param de vender. Por isso, as cotações recuam em Chicago, mas caem menos no interior do país. A orientação é que os agricultores façam as vendas do milho até o dia 10 de dezembro ou depois do dia 10 de janeiro", diz.

BM&F Bovespa

O dia foi de perdas aos contratos futuros do milho na BM&F Bovespa. As principais posições do cereal finalizaram a segunda-feira com quedas entre 0,86% a 2,92%. O vencimento março/15 era cotado a R$ 31,15 a saca.

Apesar da alta no câmbio, as perdas registradas no mercado internacional pesaram sobre as cotações futuras na sessão de hoje.  Segundo o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mário Mariano, a má distribuição dos estoques devido às exportações, que foram maiores nos últimos meses, indicou uma tendência de médio prazo de alta. "Isso, por conta da má distribuição de plantio e os estoques locais", explica o analista.

Bolsa de Chicago

Na sessão desta segunda-feira, os futuros do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram do lado negativo da tabela. As cotações até tentaram esboçar uma reação, porém, ampliaram as desvalorizações ao longo dia. Com isso, as principais posições da commodity registraram perdas entre 5,00 e 5,25 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,67 por bushel.

De acordo com informações de agências internacionais de notícias, a perspectiva de avanço na colheita do cereal pressionou o mercado nesta segunda-feira. Conforme levantamento realizado pela agência internacional de notícias Bloomberg, a projeção é que os trabalhos nos campos estejam completos em 94% da área cultivada nesta safra nos EUA.

Na semana anterior, a área colhida estava em 89%, conforme dados do departamento norte-americano. Para essa safra, a estimativa é que os produtores estadunidenses colham ao redor de 365,97 milhões de toneladas do cereal, número bem acima da safra passada. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deverá reportar novo boletim de acompanhamento de safras no final da tarde de hoje.

Paralelamente, os embarques semanais totalizaram 529,80 mil toneladas de milho até o dia 20 de novembro, conforme dados reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira. Na semana anterior, o número ficou em 401,11 mil toneladas.

Até o momento, no acumulado no ano safra, as vendas somam 8.325,43 milhões de toneladas, contra 7.239,54 milhões de toneladas no mesmo período do ciclo anterior. Para essa temporada, a estimativa do departamento é que os embarques fiquem próximos de 44.500,00 milhões de toneladas.

Segundo informações do site internacional, no caso do cereal, os números ficaram aquém das expectativas do mercado e contribuíram para pressionar negativamente os preços. Os investidores apostavam em um percentual entre 560 até 810 mil toneladas para essa semana.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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