Milho: Na BM&F, preços exibem forte queda frente ao recuo do câmbio e chuvas nas regiões produtoras

Publicado em 25/11/2014 12:10 e atualizado em 25/11/2014 17:28 501 exibições

As principais posições do milho na BM&F Bovespa operam com perdas expressivas na sessão desta terça-feira (25). Por volta das 12h07 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam desvalorizações entre 1,40% e 2,23%. O contrato março/15 que terminou o dia anterior cotado a R$ 31,15 a saca, era negociado a R$ 30,50 a saca.

Além da recente queda registrada nos preços futuros do cereal no mercado internacional, o recuo do dólar frente ao real, movimento iniciado na semana anterior, também pesou sobre as cotações, conforme dados reportados pelo Cepea nesta terça-feira. A moeda norte-americana é cotada a R$ 2,5270 na venda, com perda de 0,86%, pois ainda aguarda a definição da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff.

Na visão do economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o aumento na oferta do grão e a retração dos compradores também exerce pressão maior nos valores. "Depois das altas expressivas nos últimos 45 dias, os compradores estão retraídos nesse início de semana e os produtores estão correndo atrás. A tendência é que aumente a oferta e os compradores recuem momentaneamente", completa.

Em contrapartida, há as primeiras informações de chuvas para as regiões produtoras do grão na primeira safra. De acordo com informações da Somar Meteorologia, entre os dias 25 a 29 de novembro, as chuvas deverão ficar centralizadas nas regiões, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do país.

Nesse período, os estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e partes de Goiás, deverão receber chuvas, com acumulados que podem alcançar 50 a 70 mm. Em alguns pontos dessas regiões, o volume pode atingir 130 mm. Já na próxima semana, entre os dias 30 de novembro a 4 de dezembro, as chuvas ainda deverão aparecer no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Para SP são previstas precipitações de 30 mm durante o período, mesmo volume acumulado projetado para os estados do Paraná, partes de MS, MT e GO. Em MG, as precipitações são mais volumosas, entre 30 até 100 mm, especialmente na parte central e norte do estado. No RS, as precipitações deverão ficar entre 15 a 30 mm. No Oeste da BA, os volumes podem variar entre 15 até 50 mm.

Na semana seguinte, entre os dias 5 a 9 de dezembro, as chuvas deverão ser concentrar na faixa que abrange o AM, MT, GO e MG. Os estados do Centro-Oeste e o mineiro, poderão ter precipitações com volumes acumulados entre 30 até 70 mm. Na divisa das regiões de MG e GO, o acumulado pode chegar a 100 mm. No Sul do país, em SP e MS, os volumes não devem ultrapassar os 15 mm, segundo dados reportados pela empresa.

"A questão climática será fundamental daqui para frente, mesmo com o atraso do plantio da soja, que já compromete a janela ideal de plantio do milho safrinha. Isso porque, os atuais patamares de preços estimulam o plantio, então talvez não tenhamos a redução esperada na segunda safra. E essa situação de clima já provoca a primeira inversão de sentimento do mercado, que nesse momento é de venda", explica Motter.

Paralelamente, o economista também destaca que, o ritmo mais lento das exportações contribui para o cenário. Para o mês de novembro, a perspectiva era que os embarques alcançassem entre 3,8 a 4 milhões de toneladas, porém, a perspectiva é que essa projeção não seja atingida. Na terceira semana de novembro, os embarques ficaram em 122,2 mil toneladas do grão, uma redução de 11,6% em relação ao mês anterior, quando foram exportadas 138,2 mil toneladas.

"Precisamos exportar entre 20 a 22 milhões de toneladas de milho, mas os embarques estão aquém do ideal. Isso diante de um consumo interno sem grandes alterações, ao redor de 55 milhões de toneladas. E os estoques de passagem são elevados em torno de 15 milhões de toneladas", ressalta o economista.

Bolsa de Chicago

As cotações do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) reverteram as perdas ao longo da sessão desta terça-feira e trabalha com leves altas. Por volta das 12h51 (horário de Brasília), os principais contratos exibiam ganhos de mais 1 ponto. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,68 por bushel.

O mercado opera próximo da estabilidade, um movimento já previsto, uma vez que na próxima quinta-feira (27) é comemorado o feriado do Dia de Ação de Graças no país. Um dos feriados mais importantes e faz com que os investidores já busquem um melhor posicionamento.

Entretanto, o avanço da colheita do cereal permanece sendo um fator limitante para os ganhos. De acordo com os dados reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em seu novo boletim de acompanhamento de safras, apontou que cerca de 94% da área cultivada foi colhida até o último domingo.

O número ficou em linha com as estimativas dos participantes do mercado e representa um aumento de 5% em relação à semana anterior, quando 89% da área havia sido colhida. Além disso, os números dos embarques semanais, também divulgados nesta segunda-feira pelo departamento norte-americano, ficaram aquém das perspectivas do mercado. 

Até o dia 20 de novembro, os embarques semanais totalizaram 529,80 mil toneladas de milho. Os investidores apostavam em um percentual entre 560 até 810 mil toneladas para essa semana. Na semana anterior, o percentual ficou em 401,11 mil toneladas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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