Milho: Após altas recentes, preços recuam na BM&F e buscam acomodação

Publicado em 02/12/2014 12:15 e atualizado em 02/12/2014 17:24 248 exibições

Nesta terça-feira (2), os futuros do milho na BM&F Bovespa trabalham com  leves quedas. Por volta das 12h15 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam desvalorizações entre 0,21% e 1,68%. O vencimento março/15 era negociado a R$ 29,00 a saca, patamar pouco abaixo do fechamento do pregão anterior, de R$ 29,06 a saca.

O mercado futuro do cereal recua apesar da valorização registrada no dólar nesta terça-feira. A moeda norte-americana era cotada a R$ 2,5690 na venda, com ganho de 0,41%, por volta das 12h39. De acordo com informações do site G1, a alta no câmbio é reflexo das expectativas do mercado quanto a um possível fim das intervenções na moeda por parte do Banco Central.

Ainda assim, o consultor de mercado da FCStone, Glauco Monte, explica que, a bolsa brasileira subiu recentemente, contrariando até mesmo os analistas. "A safrinha da temporada anterior, que ficou acima do esperado e as exportações que estavam mais lentas. Porém, os produtores não aceitaram os preços e seguraram as vendas, o que motivou os compradores a retornarem ao mercado e oferecerem mais para adquirir o produto", diz.

Nesse momento, a tendência pe que os preços do cereal busquem uma acomodação. "Apesar de uma perspectiva de redução na safra de verão e também na safrinha, o que ainda pesa no mercado é um estoque de passagem elevado. Fator que pode afetar a formação dos preços, porém, o mercado também dependerá do ritmo de vendas e da necessidade da demanda", destaca Monte.

Na semana anterior, a consultoria Safras & Mercado já reportou uma redução na projeção para a safra brasileira, que deverá totalizar 75,48 milhões de toneladas na temporada 2014/15. O número representa uma queda de 2,2% em relação ao ciclo 2013/14. A consultoria ainda ressalta que, a diminuição é decorrente do recuo na área cultivada na safra de verão, de 6,2%.

Para a segunda safra, também há especulações no mercado em relação à uma possível redução na área semeada. Frente ao atraso no plantio da soja, em muitas localidades, a janela de plantio do milho safrinha está bem comprometida. Para o estado de Mato Grosso, um dos maiores produtores do cereal na safra de inverno, a perspectiva é que a redução chegue a 12,18%, conforme dados divulgados pelo Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Para a safra 2014/15, a expectativa é que sejam cultivados em torno de 2,8 milhões de hectares com o cereal na safrinha. Na temporada anterior, a área semeada foi de 3,2 milhões de hectares. No levantamento inicial, o instituto indica que as regiões Nordeste e Médio-norte foram as que apresentaram a maior redução com 15,56% e 15,21%, respectivamente. 

Paralelamente, a estimativa também aponta para uma redução na produtividade das lavouras de milho, que poderão ficar ao redor de 86 sacas por hectare. Na safra 2013/14, o rendimento médio foi de 91,6 sacas por hectare. Com isso, a produção de milho do estado deve recuar de 17,7 milhões de toneladas, registrados na safra anterior, para 14,5 milhões de toneladas.

Bolsa de Chicago

Durante os negócios desta terça-feira, os futuros do milho ampliaram as perdas registradas na Bolsa de Chicago (CBOT). Por volta das 13h09 (horário de Brasília), as principais posições exibiam quedas entre 5,25 e 5,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,70 por bushel.

As cotações futuras do cereal recuam após os leves ganhos observados no pregão anterior. Segundo informações do site internacional Farm Futures, a queda nos preços do petróleo permanece pesando sobre o mercado. A situação afeta todas as commodities, mas, principalmente o milho, já que a produção de etanol nos EUA tem um peso na assimilação do excedente da produção.

Em contrapartida, os números dos embarques semanais, indicados em 743,76 mil toneladas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) contribuíram para dar sustentação aos preços do cereal nesta segunda-feira. Assim como, o anúncio da venda de 126 mil toneladas do grão para destinos não revelados.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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