Frente à queda nos preços do petróleo, mercado de milho fecha pregão com forte queda em Chicago

Publicado em 02/12/2014 17:21 e atualizado em 03/12/2014 09:04 361 exibições

Os preços futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão desta terça-feira (2) com perdas expressivas. As principais posições da commodity terminaram o dia com quedas entre 7,75 e 8,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,67 por bushel.

De acordo com o consultor de mercado da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, o mercado foi pressionado pela baixa acentuada registrada nos preços do petróleo. "Com o milho, a relação é direta, já que com a cotação mais baixa do petróleo, a competitividade do etanol fica comprometida", explica.

Em seu último boletim, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que, cerca de 130,82 milhões de toneladas de milho serão destinadas à produção de etanol na temporada 2014/15. A estimativa para a produção total é de 365,97 milhões de toneladas para essa safra.

"E também, as commodities, milho, soja e trigo subiram mais de 12% de outubro ao final de novembro. Consequentemente, com a queda no valor do petróleo, os fundos realizam lucros para amenizar as perdas. Somente na última sexta-feira (28), a cotação do petróleo caiu mais de 10,3%", diz Cogo.

Por outro lado, os números dos embarques semanais, indicados em 743,76 mil toneladas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) contribuíram para dar sustentação aos preços do cereal nesta segunda-feira. Assim como, o anúncio da venda de 126 mil toneladas do grão para destinos não revelados.

BM&F Bovespa

A terça-feira (2) foi mais uma sessão de perdas aos futuros do milho negociados na BM&F Bovespa. Os principais contratos da commodity terminaram o pregão com desvalorizações entre 0,38% e 1,57%. O contrato março/15 era cotado a R$ 28,95 a saca, após ter iniciado a sessão próximo de R$ 29,00 a saca.

Apesar da leve alta registrada no câmbio, os preços do cereal recuaram hoje. A moeda norte-americana encerrou a terça-feira cotada a R$ 2,5757 na venda, com ganho de 0,67%, depois de ter caído 0,51% no dia anterior. Segundo informações do site do Valor Econômico, a moeda norte-americana subiu meio a um cenário de maior aversão ao risco. Já no mercado local, a dúvida em relação à continuidade do programa de intervenção no câmbio contribuiu para uma postura mais cautelosa, por parte dos investidores.

E depois das altas expressivas registradas recentemente, ocasionadas pela valorização do câmbio e também a ausência de chuvas em muitas localidades, a tendência é que os preços busquem uma acomodação. "Mesmo com a perspectiva de redução na área cultivada na safra de verão e também na safrinha, o que ainda pesa no mercado é um estoque de passagem elevado. Fator que pode afetar a formação dos preços, porém, o mercado também dependerá do ritmo de vendas e da necessidade da demanda", ressalta o mercado da FCStone, Glauco Monte. 

Na semana anterior, a consultoria Safras & Mercado já reportou uma redução na projeção para a safra brasileira, que deverá totalizar 75,48 milhões de toneladas na temporada 2014/15. O número representa uma queda de 2,2% em relação ao ciclo 2013/14. A consultoria ainda ressalta que, a diminuição é decorrente do recuo na área cultivada na safra de verão, de 6,2%.

Para a segunda safra, também há especulações no mercado em relação à uma possível redução na área semeada. Frente ao atraso no plantio da soja, em muitas localidades, a janela de plantio do milho safrinha está bem comprometida. Para o estado de Mato Grosso, um dos maiores produtores do cereal na safra de inverno, a perspectiva é que a redução chegue a 12,18%, conforme dados divulgados pelo Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Na temporada 2014/15, a expectativa é que sejam cultivados em torno de 2,8 milhões de hectares com o cereal na safrinha. No ciclo anterior, a área semeada foi de 3,2 milhões de hectares. No levantamento inicial, o instituto indica que as regiões Nordeste e Médio-norte foram as que apresentaram a maior redução com 15,56% e 15,21%, respectivamente. 

A estimativa também aponta para uma redução na produtividade das lavouras de milho, que poderão ficar ao redor de 86 sacas por hectare. Na safra 2013/14, o rendimento médio foi de 91,6 sacas por hectare. Com isso, a produção de milho do estado deve recuar de 17,7 milhões de toneladas, registrados na safra anterior, para 14,5 milhões de toneladas.

No estado do Piauí, a perspectiva é que haja uma forte redução na área cultivada na segunda safra com o milho devido ao atraso no plantio da soja. Até o momento, cerca de 55% da área com a oleaginosa foi semeada. Segundo o representante da Aprosoja PI, Altair Fianco, os produtores poderão investir na cultura do feijão caupi na safrinha.

Em relação às exportações, em novembro, os produtores brasileiros conseguiram embarcar 2.978 milhões de toneladas do grão. O número ficou abaixo das expectativas dos investidores do mercado que, apostavam em um número próximo de 3,8 a 4 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a novembro, as exportações de milho somam 17.229 milhões de toneladas.

Mercado interno

Os preços do milho praticados no mercado interno tiveram mais dia de estabilidade, conforme levantamento do Notícias Agrícolas. Em São Gabriel do Oeste (MS), a saca do grão terminou negociada a R$ 19,80, com alta de 1,54%. Em Jataí (GO), o ganho foi de 2,44%, com a saca cotada a R$ 21,00.

Na contramão desse cenário, a cotação do milho negociada no Porto de Paranaguá, caiu 1,82% nesta terça-feira, cotada a R$ 27,00. As perdas expressivas registradas no mercado internacional acabaram anulando os ganhos observados na moeda norte-americana.

Veja como fecharam os preços nesta terça-feira:

>> MILHO

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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