Milho: Diante da forte alta do dólar, preços sobem na BM&F e março/15 fecha o pregão a R$ 30,55 a saca

Publicado em 11/12/2014 17:21 e atualizado em 12/12/2014 07:32 349 exibições

As principais posições do milho na BM&F Bovespa terminaram o pregão desta quinita-feira (11) em campo positivo. Ao longo dos negócios, os preços reduziram partes dos ganhos, porém, encerraram o dia com valorizações mais modestas entre 1,66% a 1,88%. O contrato março/15 era cotado a R$ 30,55 a saca.

O consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, destaca como principal fator de suporte ao mercado a valorização cambial. Nesta quinta-feira, o dólar encerrou a sessão negociado a R$ 2,6476 na venda, com ganho de 1,34%. O nível de fechamento é o maior desde abril de 2005, quando o dólar encerrou  o dia a R$ 2,660.

Segundo informações da agência Reuters, o movimento de alta é decorrente das especulações em relação ao futuro do programa de intervenções do Banco Central no câmbio e o cenário internacional mais desfavorável. "Aliado a essa situação, temos os prêmios positivos nos Portos brasileiros,  o que tem contribuído para as exportações do cereal", diz Fernandes.

Por outro lado, o consultor também destaca o profissionalismo por parte do produtor rural no momento da comercialização do produto. "Os agricultores foram bem profissionais e quando o mercado começava a cair, eles paravam de vender. E essa retenção, mais a alta do dólar contribuiu para o mercado", ratifica. 

Entretanto, para compor o cenário, os produtores brasileiros também devem considerar as projeções para os estoques de passagem do grão da safra 2013/14. Conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), reportados recentemente, os estoques deverão totalizar 15,46 milhões de toneladas, fator que, na visão dos analistas pesa na composição das cotações. 

"Porém, com os preços ao redor de R$ 29,00 a saca no porto, temos um estímulo para o plantio da segunda safra. E mais adiante, se tivermos chuvas, os agricultores poderão ousar mais e investir no milho safrinha, mesmo com o atraso na semeadura da safra de verão", acredita Fernandes.

Mercado interno

A forte alta do dólar nesta quinta-feira, impulsionou os preços do milho no Porto de Paranaguá, que subiram 1,69% e terminaram o dia a R$ 30,00. De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, em Jataí (GO), a cotação também aumentou 3,14%, para R$ 21,66.

Em São Gabriel do Oeste (MS), o ganho foi um pouco menor, de 1,00%, com a saca do cereal negociada a R$ 20,20. Na contramão desse quadro, na região de Luís Eduardo Magalhães (BA), o dia foi de queda expressiva, de 10%, com o preço a R$ 22,50 a saca do milho. 

Bolsa de Chicago

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o pregão desta quinta-feira (11) com leves altas. O mercado conseguiu sustentar os ganhos ao longo da sessão e fechou o dia com valorizações entre 3,50 a 4,75 pontos. O vencimento março/15 era cotado a US$ 3,98 por bushel. 

Segundo informações reportadas por agências internacionais, o mercado foi sustentado pelos números das vendas para exportação. O boletim reportado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indicou que, até o dia 4 de dezembro, as vendas ficaram em 962,800 mil toneladas. Em comparação com o volume da semana anterior, de 1.170,6 milhões de toneladas, o número representa uma queda de 18%. 

Ainda assim, em relação à média das últimas quatro semanas, o volume é 9% maior. O número ficou dentro da expectativa dos participantes do mercado, que apostavam em um volume entre 800,15 mil a 1.000 milhão de toneladas do cereal. Como destaques para as compras do produto norte-americano, o departamento citou o Japão, México e Coreia do Sul. 

No acumulado do ano safra, os produtores norte-americanos já negociaram cerca de 23.712,8 milhões de toneladas de milho. A projeção do USDA para as exportações nesta temporada é de 44.450,0 milhões de toneladas do cereal. 

Paralelamente, os investidores ainda observam as informações do mercado do petróleo. Recentemente, a queda nos preços do petróleo refletiram no mercado do cereal, já que boa parte da produção dos EUA, cerca de 130,82 milhões de toneladas do milho produzidos no país, são destinados à produção de etanol. 

Na visão do consultor em agronegócios, Ênio Fernandes, o mercado está mais próximo de quebrar a resistência de US$ 4,00 por bushel, no vencimento março/15. "Além disso, temos os produtores norte-americanos já planejando a próxima safra e se deverão investir na cultura da soja ou do milho", destaca o consultor.

Veja como fecharam os preços nesta quinta-feira:

>> MILHO

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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